quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma historinha

Faz tempo, não faz? Muito...

Tanto que nem lembro exatamente do que se passou nesse tempo que passou...

Mas lembro perfeitamente da sensação do nosso PRIMEIRO beijo.

Você era um menino! Com um olhar adolescente que até hoje me fascina, só de pensar.

Lembro do blackout, das respirações, do silêncio, das mãos trêmulas.

Lembro mesmo. E sei que você também não esqueceu.


Quase DEZ anos se passaram.

Acho que foram oito, até que pudemos reviver alguma coisa parecida.

Parecida porque você já não era aquele menino.

Parecida porque suas mãos já não tremiam na minha presença.

Parecida porque a intensidade do que vivíamos naquele momento era outra.

Parecida porque já éramos dois adultos.


E foi bonito viu.

Não sei se você soube - acho que cheguei a te dizer sim - mas eu me apaixonei perdidamente pelo nosso beijo.

A ponto de não querer parar mais. Nunca mais mesmo.

Sim, eu concordo com você quanto a isso. Você sabe.


Aí, como a vida é engraçadinha quando convém, vieram complicações, mentiras, acusações, suspeitas, mágoas.

E algo que podia ter sido muito mais bonito foi interrompido antes mesmo de ser.

E os versos do poeta ecoando em minha mente... “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro nessa vida...”

Porque?

Porque tinha que ser assim mesmo. Porque ‘NÓS’ não éramos para ser nada diferente do que somos hoje.


E eu, naquele momento, com vontade de te mandar para outra galáxia.

Mas não mandei. Não insisti.

Afastei-me. Deixei-te seguir.

Mesmo que me DOESSE todo dia não te perguntar como você estava, como ia a vida, se você estava feliz com suas escolhas e tudo mais.


Apesar de que, se pararmos pra pensar bem, nós nunca nos permitimos estar efetivamente MUITO longe um do outro, não é?


Mas a distância que existiu - e de certa forma ainda existe - entre nós, me impediu de perceber algumas coisas.

Pequenas nuances que acabaram por me chocar um pouco, como você soube outro dia.


É meu querido, eu sei. Todo mundo CRESCE. Com você não haveria de ser diferente.

Todos nós amadurecemos um dia.

Mas juro que EU não estava preparada para o dia em que VOCÊ amadureceria.


Hoje nós conversamos de igual pra igual. E você me contraria!

E eu me surpreendo com seu gênio ruim. Tão parecido com o meu.

Assim, meio velado... Meio lobo em pele de cordeiro.

Você me mostra - como poucos ousaram - que eu não tenho sempre razão, e isso você faz muito bem. Eu gosto disso em nós dois.


Você sabe o que quer e onde quer chegar, assim como eu.

E por sabermos disso, sabemos também que o nosso chegar não será junto, mesmo que pela ida, nossos caminhos sigam se entrelaçando, vez ou outra.


E por nos conhecermos tão bem, sabemos que nunca nos amamos, de fato.

E não mais nos permitimos iludir.

E concordamos com isso sem tristezas, pois é assim que é.

E eu te respeito tanto por isso, tem que ver.


Mas eu sou saudosista, você sabe disso também.

E por isso ainda lembro do seu olhar maroto.

Ainda lembro das suas mãos que não sabiam onde deviam estar.

Ainda lembro do menino que eu achava que faria tudo que eu pedisse para fazer.


E é assim que, desde aquele beijo que EU te dei – hoje sim, dez anos atrás – você está na minha vida.

Pelas beiradas, como é o seu jeitinho.

Chegando sempre nos momentos em que eu menos espero.

Estendendo a mão. Sorrindo pra mim, maroto como só você sabe ser.

Brigando comigo por alguma coisa boba que eu cismei. Ou por alguma atitude errada que eu insisto em tomar na minha vida. Ou simplesmente pelo meu jeito mandão, que você não admite (para minha completa admiração).


Sei que você não vai ler essa historinha. Não é o seu estilo. Não fico brava.

Mas escrevi com carinho para você. Para registrar que você será sempre uma pessoa muito querida a ocupar um lugar cativo e reservado nos meus pensamentos.


Milena queria escrever essa historinha muito tempo atrás, mas as palavras não tinham se feito presentes até então. Escreve aqui as quintas, e hoje, deixa um recado que já entregou, mas nunca é demais relembrar: "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás" – Che.

8 comentários:

Gisele Lins disse...

ÓOOOOOOOOOOOiiiiiiii, Mí!
Adorei MUITO o texto, flor! É bom mesmo colocar pra fora, ainda mais assim, lindamente!!! Guarda alguns pensamentos para as paisagens bucólicas que nos esperam no domingo! Beijão!

Júlia Rodrigues, Maíra, Bárbara, Fernando, Wander disse...

Ótimo texto..vc se colocou pra fora mesmo heim??

Abraços, Júlia

Renata disse...

Mi, lindo o texto! Uma catarse!
Beijão!

Grazielle disse...

Noooooooooooossa... acabei lembrando do meu primeiro beijo tb

Carol disse...

Mi...
como te disse, uma gracinha mesmo o texto...
ainda acho que ele deveria saber...rsrs
Beijos

Milena disse...

CATARSE é A palavra!
obrigada meninas!

Anônimo disse...

+)

Angel disse...

Adorei! Tb sou saudosista!

bjos!

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