quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sacode a poeira

Comecei o ano resolvendo me dar um presente diferente, o de me livrar de tudo aquilo que eu sequer desconfie que não tem mais significado para minha vida. Não prometi nada, não fiz plano nenhum, não fiz listas, a ÚNICA coisa que eu defini é que este é o meu ano de bota-fora e só depois disso é que o meu 2010 vai começar, ainda que eu passe o ano inteiro nesta maratona e pule direto para 2011.

Eu sempre tentei fazer isso, mas nunca consegui ir até o fim e revirar TUDO o que tenho pra ver se merece ainda permanecer lá. Agora parece que vai, e algumas dicas que auto-inventei talvez possam ajudar os interessados em adentrar numa “jornada de purificar a alma se livrando de tralhas” (ou quem sabe assim eu mesma não fico com vergonha se não cumpri-las?).

- Tire do lugar tudo aquilo que você deseja arrumar (só fazer um “catadão” por cima não resolve).

- Agrupe suas coisas. Para cada categoria (roupas, livros, papéis, cosméticos, arquivos do computador, fotos, lembranças, amigos, pensamentos, etc.) divida os itens entre os que com certeza você quer, os que você não sabe e os que você com certeza quer jogar fora. Separe os que você quer jogar fora imediatamente e coloque longe do resto, para eles não voltarem para a pilha do “não sei” depois. Já vá guardando o que quer manter bem espaçado no armário (ou equivalente) pra você logo perceber o quanto tem de “coisas”. Deixe para analisar a pilha do “não sei” em outro dia.

- Interrompa imediatamente o processo quando encher o saco, e recomece outro dia, pois quando isso acontece a tendência de guardar de volta tudo que ia fora é grande.

- Ajude algum amigo a se mudar de supetão e imprima, a cores, em sua memória o trabalho que dá ter muitas coisas quando se quer ter mobilidade. No “mundo ideal” queira ser capaz de, a qualquer momento da vida, poder “levantar acampamento” e ir embora de onde estiver, em no máximo dois dias. Invente que há uma oportunidade aguardando e que ela precisa disso para chegar.

- Guarde cartas, fotos e pequenos objetos que lembrem pessoas e momentos queridos. Arranje um pequeno baú ou caixa para isso e se comprometa a ser este o seu baú do coração, mas quando ele encher, para alguma coisa entrar nele, outra tem que sair (imagine que seus netos vão detestar quando você vier toda boba mostrar suas memórias se elas significarem pilhas e pilhas de quinquilharias).

- NÃO GUARDE presentes que você não usou, roupas que não usa mais, mas não quer jogar fora porque foi a avó quem fez ou alguém querido que deu, livros que você não terminou de ler, livros técnicos muito específicos, roupas que não servem mais esperando você emagrecer, coisas quebradas que vão dar trabalho oi sair caras para arrumar, tralhas de hobbies que você não tem mais. A MEMÓRIA dos momentos e sentimentos que estas coisas trouxeram é que importa. Guardar coisas para se lembrar é burrice, pois se a caduquice chegar, você não vai mesmo saber o que significava este raio desta tampinha guardada tão embrulhadinha no lenço que você quer muito assoar o nariz.

- Junte em um mesmo lugar (quarto, canto, mala) todas as coisas separadas para ir embora, imagine que cada uma delas leva junto um quilo de sua banha acumulada e, por fim, evite ao máximo colocar as coisas no lixo, tentando encontrar um fim mais útil para o que você não quer mais (mas não deixe de colocar nada fora por não saber o que fazer com a coisa).

O melhor de conseguir colocar fora é ter que exercitar a fé de que o que quer que seja necessário, no futuro você terá condições de ter.

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Rumo a ter aulas de tênis e fazer o passeio de balão assim que (um dia...) estiver mais leve.

2 comentários:

Silvia disse...

Que bom Gisele, eu também gosto de fazer arrumações. Usualmente quando compro uma roupa nova, sapato ou coisa do tipo, sempre tiro algo do armário, e invariavelmente quando arrumo meu quarto, armário e gavetas, muitos papéis e roupas saem. Dá uma sensação muito boa.
Nós aqui de casa enviamos as coisas pra um bazar que ajuda crianças com paralisia cerebral, tudo o que é vendido é revertido em ajuda de alguma maneira. Já levamos de bicicleta a fogão.... É muito bom, continue firme.
Beijos, Silvia

Ana Rocha disse...

Minha experiência em tornar a vida leve já chegou a seu segundo ano, enfim sinto poder bater as asas. Quantos cacarecos juntamos em quase trinta anos, imaginei-me chegar aos noventa afogada em misteriosos objetos guardados sei lá por que razão e decidi reduzir o peso e expandir a consciência, desde então tenho crescido muito e realizado ene desejos. Acabo de carregar minha vigésima nona mudança, enfim, organizada, aguardando agora a última averiguação do bota fora, pra depois, carregar o essencial e sair pelo mundo buscando minha própria essência. Quem sabe na volta eu encontre também o meu lugar ao sol e deixe essa vida nômade no meu baú do coração.
Seu texto me fez sentir em casa, não mais sozinha no mundo com minha doida necessidade de esvaziar.
Irei acompanhá-las! Um abraço.

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