quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Quão Mariana* você é?

Mariana se arrumou, se perfumou, se olhou e saiu. Atrasada, correndo. Seu salto quebrou. Ela gritou, esperneou. E ele continuou quebrado...

Decidiu comprar um novo par de sapatos. A vendedora, pobre coitada, não foi capaz de encontrar exatamente o que Mariana queria (e quem seria?). a vendedora levou bronca de Mariana e do chefe. Mariana levou o sapato. Chegou ao prédio onde aconteceria sua reunião, mas não sabia o andar. O porteiro, ao telefone, nem imaginava que aquela moça tão bem vestida seria capaz de pronunciar aqueles palavrões antes de se fazer entender e perguntar pelo andar que estava procurando. O porteiro falou. Mariana subiu. Chegando lá, a secretária não soube explicar porque Mariana não fora avisada do adiamento da reunião. Mariana não soube manter a compostura. Mesmo assim, a reunião continuou adiada.

A vendedora, o porteiro, a secretária e todos aqueles que tiveram a má-sorte de cruzar com Mariana naquele dia se sentiram um pouco incomodados, sentiram até um pouco de pena, mas logo esqueceram daquela moça amarga, azeda e grosseira. Mariana, por outro lado, não esqueceu de um detalhe daquele dia que para ela só vei confirmar como o mundo e as pessoas são incompletos e imperfeitos. Segue bem vestida, bem arrumada e perfumada, distribuindo desaforos e recebendo pragas.

* nome escolhido aleatoriamente, que poderia ser Joana, Lucia, Isabel ou qualquer outro.


Renata, mesmo sem querer, às vezes é um pouco Mariana. E fica triste ao ver que o mal-estar que as Marianas do mundo semeiam às vezes brota.

“Fast Way of Life”

Sabe o que se tornou uma reclamação constante atualmente? “Puxa vida, meu dia podia bem ter 36 horas para eu dar conta de tudo!”. Comecei a ficar preocupada com isso, parece que virou uma pandemia e o tempo tão relativo de Einstein está muito, mas muito mais acelerado para muita gente.

Eu tento olhar para mim como se não fosse eu mesma, mas sim como alguém que nunca me viu e a visão que tenho não é boa... A sensação é de que eu não tenho sido eu mesma nesta vida frenética; pareço uma estranha dentro do meu próprio corpo, presa e condenada à velocidade altíssima das voltas do relógio. Eu não me reconheço...

Quem instituiu todas as atividades extracurriculares obrigatórias além das oito horas de trabalho e das oito horas de merecido descanso (teoricamente rs)? Fazendo as contas, sobra apenas um terço do dia! E acabo preenchendo com mais obrigações... Onde vai parar a qualidade de vida, o apreciar a natureza (ouvir o som das ondas do mar, dos passarinhos cantando, sabe?), o curtir cada momento único que nos é dado de presente, o ser feliz fazendo nada? Não sei, parece que se perderam na imensidão de segundos tão rígida e obrigatoriamente vividos...

Esta filosofia “fast way of life”, ou em português bem claro, “tudo para ontem”, tem me deixado um tanto esgotada! Quase todas as atividades que realizo, faço muito mais por imposição que por prazer, e sinto que estou sufocando. Uma certeza tem crescido em mim: tenho deixado de lado os meus pequenos prazeres da vida, aqueles pelos quais realmente vale a pena viver... Como deitar no colo da minha mãe e sentir o calor do seu aconchego, abraçar-me a meu marido apenas sentindo como é bom ter sua companhia, jogar conversa fora com os amigos, irritar meu sobrinho nas brincadeiras que eu não entendo (como ele é bravinho rs), assistir a um filminho bobo que não me leve a concluir nada... Só que eu me envolvi de uma tal maneira com minhas obrigações que não consigo me desvencilhar delas, imagine “gastar tempo” com os pequenos prazeres da vida! Todas as grandes (e também as pequenas) responsabilidades têm se acumulado de forma exagerada sobre meus ombros, como um fardo que parece bem maior do que realmente é.

Sabe o que é o pior disso tudo? Sim, existe algo pior que ser engolida pelo tic-tac acelerado das horas, que não viver a vida como deveria e que dimensionar mal a importância das obrigações. É o fato de que eu sei a solução para pôr fim a esta correria desenfreada em que vivo. Só que a teoria é tão mais tangível que a prática... Bastaria eu me organizar (o termo certo é “me policiar”) para fazer o indispensavelmente obrigatório e, com o meu precioso tempo livre, voltar a fazer o que gosto de verdade. Detalhe: fazer isto no meu ritmo e sem me preocupar com o que ficou para trás (é aqui que eu me enrosco). Esta correria me cansa porque vivo um paradoxo: sou muito tranqüila, só que também sou metódica, não gosto das surpresas proporcionadas pela falta de planejamento e faço de tudo para evitá-las; são estas características completamente fundidas que têm feito com que eu me escravize.

Confesso que estou me esforçando. Tenho conversado muito comigo mesma e tentado aplicar estratégias de “auto convencimento”, para me mostrar que do jeito que está não está bom. Frases como “Se levei nove meses para nascer, por que tanta pressa ultimamente?”, ou ainda, “Onde fica o aproveitar cada momento como se fosse o último, já que um deles será mesmo?” têm sido uma constante em minha vida. Agora, vai me convencer destas brilhantes teorias para ver! Ô dificuldade...

Até a próxima!


Paula é uma pessoa que tem se dedicado muito mais as suas obrigações e bem menos ao que interessa de verdade. Já percebeu que alguma coisa não está bem ajustada nesta história e sabe o que é, mas descobriu como é difícil mudar o rumo que a vida toma... Escreve aqui toda quarta-feira.



terça-feira, 13 de novembro de 2007

Saudade em Portugal


A palavra saudade sempre me chamou muita atenção. Depois que descobri, há tempos, que a mesma somente existe na língua portuguesa, aí passou a me interessar ainda mais. Com o tempo, de tanto conviver com o sentimento e com a palavra, comecei a dar mais atenção ao seu significado. Afinal, saudade não é só sentir falta de alguém, ou de algo. Saudade tem um significado tão complexo que não se pode definir mesmo em outra única palavra, em idioma nenhum.

Ao observar a pronúncia portuguesa da palavra foi que me veio a sensação de que saudade derivava de solidão, mas era mais do que estar só. Os portugueses dizem “sodade”, e é lindo como o dizem! Ouvindo-a ser pronunciada dessa forma, lembrei-me de soledad, em espanhol, de solitude, em italiano, que significam solidão, em português. Procurei a origem da palavra no dicionário, e lá estava saudade com a mesma origem de solidão no latim. Parece estúpido, mas era como se fizesse parte dos Grandes Descobrimentos. Passei a admirar ainda mais Portugal, sua cultura, sua história, e sua língua! Somente os portugueses, os grandes descobridores e conquistadores de todos os cantos do mundo, somente aqueles que partiam para o mundo levando e deixando lembranças, somente estes poderiam criar uma palavra capaz de explicar a solidão que sentimos quando da ausência de alguém querido, ou de um tempo passado maravilhoso.

Saudade é solidão de. Se falarmos repetidas vezes solidão de, solidão de, aos poucos, percebam, vira “sodade”. Na linguagem escrita, solidão de virou saudade! Saudade é solidão que sentimos de uma única pessoa ou coisa, mesmo em meio a tanta gente. Somente a língua portuguesa condensou em uma só palavra a solidão de alguém diante de todos. Quando sentimos saudade, sentimos não só a solidão, pois solidão é estar só. Sentir saudade é estar só de alguém, de algo, mesmo não estando totalmente sozinhos. Não sentimos solidão somente quando estamos com amigos, mas lembrando de tempos melhores, de pessoas queridas. Isso é saudade! Podemos estar só, sentir a solidão, a ausência de todos, mas não sentirmos propriamente falta de algo em especial. Isso é solidão!

Logo, por falar português, posso dizer que prefiro a saudade à solidão. E nem preciso explicar o que significa gostar de ter saudade! Afinal, sentir saudade é sinal que a vida foi tão bem vivida que é sempre bom relembrar!


Tania é saudosista, adora a língua Portuguesa e seus mistérios. Na história, se identifica mais com Maria I, de Portugal, não por seus atos, nem por suas crenças, mas porque era conhecida com A Louca!


Como explicar o inexplicável?

Na última terça-feira (06/11) um fato chocante aconteceu envolvendo um aluno da Faculdade onde estudo. Um rapaz de 25 anos, com situação financeira confortável, cursando o 2º curso superior, assassinou a namorada de 22 anos com 13 tiros na residência dela, e suicidou na faculdade, jogando-se do 9º andar.

Naturalmente o fato estarreceu a todos na faculdade, principalmente aqueles que presenciaram o suicídio, que não foram poucos. Eu, felizmente, não presenciei. Porém fui atingida por um sentimento (estranho), uma incapacidade de entender o porquê desse episódio, vários questionamentos me vieram à mente, principalmente “o que teria levado o tal rapaz a agir daquela forma?”.

O que sei é que o referido casal iniciou o namoro há sete anos atrás, parecia ser uma relação muito apaixonada, até que a moça resolveu “pedir um tempo” uma semana antes de sua morte. O rapaz, sabidamente apaixonado, procurou-a, calmo, com o pretexto de conversar. Parece que realmente houve uma conversa, seguida de 13 tiros fatais. O teor da conversa ninguém saberá. Após esse ato lamentável, o rapaz dirigiu-se à faculdade, mais especificamente à Biblioteca e de lá se jogou pela janela.

Após a morte dos dois, alguns fatos complementares surgiram. O rapaz era apaixonado por armas de fogo e, acredito que, as tinha. Digo as porque no dia da tragédia portava duas armas. Uma delas ficou no local onde assassinou a namorada e outra levou consigo para a faculdade.

Curiosamente, descobri, dois dias depois, que eu conhecia a moça assassinada. A conheci criança e é assim que me lembro dela, pois não a via há anos. Ela era neta de uma vizinha, era uma graça de criança, linda...

Fatos como esse levam meus pensamentos diretamente para a educação familiar. Não tenho a intenção de culpar alguém pela tragédia, mas sim questionar a atual juventude de classe média alta. O rapaz que protagonizou tudo isso era, até que me provem o contrário, alguém que não sabia lidar com uma situação de perda, fosse qual fosse. Talvez nunca tenha ouvido um NÃO bem redondo. Talvez nunca tenha enfrentado uma situação de real dificuldade. E ao passar por isso, justamente com alguém a quem tanto amava, surtou. Será? Questiono também essa forma de amar, egoísta, que não admite nada que não seja sua própria vontade. Mas não posso explicar o que, para mim, é inexplicável. Nada justifica essa loucura. Posso apenas divagar sobre possíveis razões.

Sempre acredito que o erro alheio serve de alerta. Espero que muita gente repense suas reações frente a situações que não saem exatamente como o planejado, repense a forma de amar e o amor próprio, apure o respeito ao outro, desenvolva a empatia. Espero também que Deus abençoe e fortifique as duas famílias atingidas por essa tragédia, e que elas se lembrem muito mais do amor do que da dor que uniu esse casal.


Angélica acredita que o Amor limpo, lindo e verdadeiro não é egoísta e não leva alguém ao desespero. E sabe perder porque já perdeu. É assim que se aprende.
Escreve aqui às terças.



segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Os brancos

O papel em branco é como uma tela nunca antes utilizada, frescos, puros, intocáveis, urgem por sentido, desesperados clamam: vai, vêm, me usa, me desenha, me pinta; me faz ter sentido. E tentamos, invariavelmente e a despeito de todos os fracassos anteriores, tentamos. Pensamos e refletimos, às vezes durante horas, outras, durante minutos e construímos a idéia, maravilhosa, perfeita, completa. No entanto, quando se chega ao papel tudo se transforma, se modifica, a mente não consegue alcançar as pontas dos dedos e estes atuam independentes, escrevem o que querem, não escutam seu senhor, não. O que saí no papel é sempre diferente e enquanto essa transformação acontece a idéia original se distancia, se esvaí. Tudo o que fica está ali, soma dos membros escrivões, aqueles que tudo tocam e do produto mental, intangível, real, etéreo, inalcançável.

É comum acontecer de se ouvir uma música ou ler um trecho de um livro e concluir – já pensei nisso antes – ou ainda – por que não pensei nisso. No fim das contas tudo é idéia, imperfeita ou não, criação própria ou recriação; tudo é válido desde que seja feito para o bem ou até sem propósitos, mas que seja o despejo de algo que te incomoda, que seja a fala escrita, a vontade de se transmitir o que se pensa, mesmo que incompreensível.

Tentamos, erramos e novamente tentamos, lemos e relemos, com a constante sensação de que não era isso, não foi bem assim que pensei. Percebemos que atingir a própria mente é um caminho árduo, áspero, desértico; os dedos não penetram o mundo do invisível, mas continuaremos tentando.


Silvia: Nossa mente, os papéis, as telas, as paredes, todos brancos, esperando, querendo e aguardando as criações. Que venham!

Convidada - Um Olhar Pelo Vidro

A partir de hoje, de vez em quando teremos textos de outras Mulheres de 30, convidadas 
para contribuir com nosso blog com um texto, para apresentar pra vocês alguma co
isa
diferente. 


O primeiro texto é de uma polonesa, a Regina, 27 anos,  astrônoma, solteira, que como vocês
poderão ver, mostra aqui que o que se passa na cabeça de uma Mulher de 30 brasileira e uma 
polonesa pode não ser tão diferente assim. Esperamos que vocês gostem das nossas convidadas, 
assim como adoramos a idéia de tê-las aqui.

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Em um primeiro momento, eu fiquei bastante cautelosa com a idéia de escrever no blog de vocês. O que eu, que basicamente conheço português através de novelas (leia-se: totalmente nada, rs) estaria fazendo em um blog brasileiro?! Naquele momento a idéia estava apenas em um primeiro estágio, mas dia após dia ela foi tomando forma concreta. Com isso veio minha ansiedade, mas prevaleceu a minha curiosidade, o que definitivamente me fez decidir por dizer SIM.

Nós acreditamos que não importa em que latitude vivemos, todos nós compartilhamos dos mesmos sentimentos, preocupações e desejos. Contudo, por sermos criados em condições totalmente diferentes, olhamos para esses sentimentos e os interpretamos de maneiras um pouco diferentes. Eu estou realmente interessada em: quão diferente?!

Enquanto isso, deixo hoje para vocês um pequeno texto que escrevi há algum tempo atrás, mas com uma mensagem ainda atual.

Um olhar pelo vidro

Eu valorizo o primeiro olhar para um rosto humano. Mais tarde, nos acostumamos a aparência de alguém e não mais discernimos detalhes. Acontece o mesmo com quadros que penduramos em nossas casas; depois de um tempo vemos apenas molduras. Mas é diferente com ela.

Eu estava voltando pra casa quando a encontrei pela primeira vez em um trem. Ela parecia um pouco cansada, mas isso não ofuscava seu charme. Ela é alta, magra, morena, próxima dos 30 anos. Quando ela caminha é como se ela ouvisse uma música interna que ela aprecia dos pés a cabeça. Ela é uma mulher desinibida que aprecia conversar com as pessoas. Mas ela sabe como manter o equilíbrio entre ser desinibida ou uma mulher de poucas palavras. É realmente por isso que ela tem facilidade para fazer amigos aonde quer que vá.

Cheia de energia e vida, ela não sabe o significado da palavra “lamento”. Tudo acontece como ela planeja, então ela não tem do que reclamar, como ocorre freqüentemente para mim. Ela é realmente uma pessoa despreocupada, ela nunca se preocupa quando as coisas vão mal. Ela não deixará seus temores serem maiores que sua vida. Ela é uma lutadora.

As vezes eu desejo ser como ela. "Dizem que eu sou forte e nada me derruba. Mas eles não sabem que eu sempre tremo como uma folha no vento" (Kayah Jak Lisc, 1995). Eu realmente invejo a confiança dela. Uma tatuagem, uma subida nos Alpes ou dançar com lobos são tarefas que ela pode facilmente lidar... Sra Lara Croft, você pode se esconder! Claro que pessoas que não estão cientes do perigo não podem ser chamadas de corajosas, mas ela sabe suas limitações e não vai colocar sua cabeça na boca do leão!

Eu notei que existem coisas em comum entre nós. Por exemplo, nossa mentalidade, ou que nós gostamos de pesar as coisas antes de chegar a uma decisão, mas também que é fácil para nós encontrar novas amizades. Mas por outro lado, existem muitas diferenças entre nós, que desejo eliminar.

Eu a encontrei algumas vezes depois disto... Eu a encontrei refletida num vidro.

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À minha mentora e autora desta idéia.


Regina, uma astrônoma errante que está sempre à procura do seu verdadeiro EU.




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When I first came across with the IDEA of writing to your blog I was rather reserved. What I, someone who Portuguese knows mostly from soap operas (read: totally nothing, rs), is looking for on Brazilian blog?! At that time the IDEA was at early stage, but day by day it took on concrete shapes. With them appeared my anxieties, but my curiosity prevailed over them and let me finally decided to say 'YES'.

We believe that no matter at what latitude we live in we all share the same feelings, worries and desires. However because we grow up in totally different conditions we look at them and interpret them a bit differently. I'm really interested in: how differently?!

Meantime I'm leaving you today with a small essay I wrote some time ago, but which message is still actual.


Through the looking-glass

I value the first look at a human's face. Later we get used to somebody's appearance and we don't discern details. It is exactly the same with paintings which are put up in our houses; after a while we see only frames. But it is different with her.

I was returning home when I first met her on a train. She looked a bit tired but it couldn't blur her charm. She is a tall, slender brunette in her late 20s. When she walks it is as if she hears to inner music that delights her down to her heels. She is an outgoing woman who enjoys talking to people. But she knows how to maintain a balance between being natterer and a woman of a few words. That's why she really has a knack for making friends wherever she goes.

Full of energy and lively, she doesn't know the meaning of the word 'moaning'. Everything is going as she intends so she doesn't have to grumble as it often happens to me. She's a really laid-back sort of person - she never gets worried about things going wrong. She won't allow her fears to get larger than life. She's a fighter.

Sometimes I wish to be like her. "It's said that I'm strong and nothing can break me. But they don't know that I always tremble in the wind like a leaf" (Kayah Jak Lisc, 1995). I really envy her confidence. A tattoo, climbing in the Alps or dancing with wolves are trifles which she can handle easily ... Ms Lara Croft, You can hide! Of course, people who are not aware of danger can't be said to be brave, but she knows her limitations and will not 'put her head into a lion's mouth'.

I have noticed that there are things in common between her and me. For example our mentality, or that we like to weigh things out before coming to a decision, but also that it's easy for us to strike up new friendships. But on the other hand there are lot of differences between us that I want to eliminate.

I've met her a few times afterwards ... I met her in a pane of glass.

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To my 'mentor' and the author of the IDEA.


Regina, errant astronomer who is always looking for her real 'me'



domingo, 11 de novembro de 2007

A busca da beleza

Hoje, o assunto é: obesidade e perda de peso, associados à beleza do ser humano. Bem, da mulher, pra falar a verdade.

E essa busca da beleza, acabou por valorizar partes específicas do seu corpo. O cabelo, por exemplo, virou um ser individual, para o qual existem diversos produtos que prometem inúmeros resultados. E assim as pernas, os braços, as mãos, os pés, o rosto... cada um com um produtinho revolucionário associado.

A beleza mesmo é um estado de espírito. A pessoa bonita é aquela feliz, bem resolvida, que sabe viver curtindo todos os momentos da vida. Essa pessoa tem os olhos que brilham! A beleza é apenas uma conseqüência!

Mas se você se sentir bem entrando naquela calça 38 esquecida no fundo do armário, ótimo! Entre nela depois de perder uns quilinhos, e se sinta bem! Se sinta feliz com você como um todo, pois somos seres humanos únicos! Nada de neuroses! Afinal, que mulher de trinta não tem celulite?



Fabiana : "Ânsia de vida". É a melhor expressão pra me definir. Eu, que sempre quis rodar o mundo, respirar a vida em cada canto do planeta, viver cada segundo da existência, sem dormir nem descansar. Tenho tendências ciganas, mas estou prestes a me fixar no meu porto seguro, com meu amor, na minha casa. Mesmo assim, prometo continuar vivendo intensamente todos os dias. 24 horas non stop.


Inércia

Acostumar-se à rotina...

Manter a rota...

Temer mudanças...

Gostar de planos cumpridos...

Odiar que algo não saia como planejado...

Querer controlar tudo (ou quase tudo)...

Tentar manter, só para não perder...

Não arriscar...

Não “petiscar”...

Não saber o gosto de velejar ao sabor do vento...


Aline: ainda não aprendi a gostar de mudanças, mas sei que elas têm o seu lado bom. Quanta força é necessária para romper a Inércia!




sábado, 10 de novembro de 2007

Os caminhos são de quem não despreza passos (Para ler escutando Jack Johnson)

É assim: um passo e depois outro; um dia de cada vez; água mole em pedra dura... Grandes projetos nascem de grandes idéias que nascem de pessoas especiais. Você é uma dessas pessoas especiais e sabe o valor de cada esforço. Sabe do silêncio de cada noite sem dormir, do som de cada chorinho que não pôde atender...

Os caminhos são de quem não despreza passos. Essa frase, linda, um verdadeiro presente, você me deu um dia e eu estou devolvendo-a. Escrevi no meu convite de formatura e dediquei-a a você, que me ensina a cada dia, através de seus exemplos, quanta verdade há em cada uma dessas palavras.

O tempo urge e a criação demanda morosidade. Ela é fruta boa da estação, não adianta colher antes da hora. Tem que esperar. A criação demanda ócio. O “ócio criativo”, por que não?! Ao final, boas idéias e excelentes resultados!

Descansar, colocar a cabeça em ordem, se deliciar com as descobertas de certa menina. Tudo isso é um bálsamo para mente, para o corpo e para a alma.

Hoje escrevi esse texto para você, que anda um tanto ansioso devido a compromissos e responsabilidades várias. A tal da deadline que se aproxima me remete àquele som de bomba-relógio do seriado 24 horas. É incrível como o personagem consegue salvar o mundo, o presidente de mundo e quem mais couber na lista em tão pouco tempo!

Mas a vida da gente não é assim. Nossas 24 horas são 24 horas reais. Paciência. Tenho certeza de que você está dando o seu melhor e dessa maneira não pode dar certo: tem que dar certo!



Vanessa oferece este texto para alguém que gostaria, com certeza, de ser o Jack Bauer por uma semana! E também manda um beijo para este mesmo alguém.



Águias

Do espelho uma menina de dezenove anos me piscou. Ela me levou a uma folha amarelada, guardada com algumas outras, por muito tempo e muitos quilômetros.


Águias

Explicar um sonho?
Eu tentaria, mas como tentar ensinar a águia a voar?
Um dia me disseste que possuo o dom de unir as palavras e presentear-lhes um significado.
Era verdade, eu vi.
Porém, o tempo passou e, para mim, trouxe novos e muitos significados.
Tentei presenteá-los a ti, mas as palavras que existem não foram capazes de comportá-los, por mais que eu tentasse.
Além disso, teus próprios significados adquiridos te impedem de ver com meus olhos, ou sentir com meu coração.
O que, por fim, descobri que é bom, pois sempre teremos o que mostrar um ao outro e o que sentir um pelo outro, já que não somos iguais.
O “não sermos iguais” nos torna semelhantes a toda pessoa que existe, pois, na verdade, ninguém é igual a ninguém.
O que me leva, então, a sentir que tua existência é fundamental para o meu existir?
O que me faz achar-te diferente do Todo, diferente de mim e, ao mesmo tempo, tão essencial?
É uma ânsia pelo conforto da tua presença, pela segurança de tuas palavras e, ao mesmo tempo, a sensação de voarmos livres, juntos.
É uma gana por encontrar a mim mesma, rápido e urgente, para que esta busca não me tome o precioso e infinito tempo de estar contigo.
Torno-me curiosa e surpresa, pois tua presença me permite ver beleza e achar graça em tudo que, por natureza é belo, e pequeno, e detalhe, e passa-me despercebido quando estou ocupada demais tentando encontrar-te e encontrar-me além de ti, mas não estando ao teu lado.
Consigo ver redundâncias como confirmações; simplicidade como sabedoria; e a maravilhosa certeza de se estar viva como um milagre, que só se completa se estiveres comigo.
Tu és como o meu lugar no mundo, onde sou o que sou, onde mais aprendo, onde mais ensino, onde mais observo, e troco, e me aqueço, e me aconchego.
Tu és o meu solzinho no inverno, o ventinho no verão, o vinho no outono e todas as flores, juntas, na primavera, colorindo e perfumando minha vida e despencando sobre mim uma imensa vontade de viver. Ao teu lado.
Tu és tanto, que qualquer real tentativa de definir-te com palavras seria uma profanação, então, desisto de continuar tentando, antes que um raio fulminante me atinja, pensando em ti.
Digo-te apenas, mesmo arriscando-me, que és a águia que voa ao meu lado, e que tentar explicar-te nosso sonho seria como tentar ensinar-te a voar.


Gisele Lins procurava aquele poema do Vinícius que adora para esta semana, mas encontrou a menina, mudou de idéia e convidou-a para ficar, pois estava com saudades. Hoje elas assistiram Ratatouille e ficou a vontade de tomar um vinho. Escreve aqui aos sábados.


sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Quando eu morrer...

Quero deixar saudades, mas não tristezas.
Quero a certeza de que me encontrarei com minha mãe. Sim, porque nenhum pai merece a dor de sobreviver aos filhos.
Quero a recompensa de uma vida bem vivida.
Quero a paz de saber que os filhos que um dia terei estão aptos à viver sem mim neste mundo.
Quero ter lido histórias para meus netos. Histórias que os façam sonhar até acordados.
Quero fazer "a passagem" com o coração leve e o espírito claro.
Quero ter plantado árvores. Muitas. Quem sabe terei conseguido "pagar" pela minha paixão por cadernos.
Quero ter conhecido praias e montanhas deste Brasil que é tão lindo.
Quero ter aprendido outras línguas. Tantas quanto minha frágil memória permitir.
Quero ter experimentado os mais saborosos pratos. Quem sabe algo que me faça deixar de preferir arroz, feijão e batata refogada com alho e cebola.
Quero ter lido tantos livros quanto meu tempo me houver permitido.
Quero ter amado intensamente todas as pessoas que mereceram meu amor.
Quero ter esquecido completamente aquilo e aqueles que não valeram ser lembrados.
Quero ter visto provas de que a bondade existe e compensa, nem que seja no final.
Quero ter pedido desculpas àqueles que magoei sem saber e principalmente sem querer.
Quero ter tido um milhão de amigos. Quero tenham sido como irmãos e irmãs.
Quero sorrisos sinceros na despedida.
Quero música ao invés do silêncio mortificador.
Quero a sensação do dever cumprido.


Milena é uma pessoa normal que fica abalada sempre que se depara com o "ceifador de vidas" vagando por aqui.


A classificação do mundo, ou como eu sou chata pra comer

Acho que o ser humano sempre teve uma necessidade visceral de classificar o mundo. Temos a necessidade de classificar tudo à nossa volta, é uma forma de organizar as informações do mundo na cabeça, pra ficar mais fácil manter a sanidade mental em um meio onde há tanta diversidade.

Bom, pra mim, a coisa mais fácil de classificar são os fenômenos da natureza. Tanto que acabei me formando em Física. Fenômenos mecânicos, termodinâmicos, eletromagnéticos, qüânticos, entre muitos outros, são realmente fáceis de classificar, mesmo quando eles se misturam e agem todos ao mesmo tempo, se transformando e/ou interagindo pra formar um acontecimento que é complexo mesmo quando é simples. Vejo a Física como vejo o arco-íris. São cores (ou áreas) muito bem definidas, mas a transição de uma pra outra pode ser muito sutil e difícil de distinguir. Sutil e lindo.

Talvez para conseguir o objetivo inicial, que é manter a sanidade mental, meu cérebro resolveu que qualquer outra classificação do mundo seria bem mais simples, as coisas dividiriam-se em duas ou três categorias. Como exemplo, cito a História. Pra mim, a história mundial divide-se em antes e depois de Collor. Deve ser porque são minhas primeiras lembranças políticas. De Collor pra cá, a história pra mim é bastante confusa de entender. Antes de Collor é um pesadelo incompreensível. A Geografia é dividida em mais setores: mapas, paisagens e o resto. Já é complexo demais pra minha cabeça, ainda mais considerando que os nomes das capitais se infiltram na parte de mapas, enlouquecendo minha pobre cabecinha. Português se divide em escrever decentemente e literatura. E assim, classificando o mundo de forma simples e bem organizada, tenho conseguido sobreviver nesse mundo louco cheio de informações.

Bom, mas este texto foi motivado pelas muitas divisões que a Biologia me obriga a fazer. Pra mim, a natureza se divide em pedras, plantas e animais. Muito claro. Pedras não mexem. Plantas têm raízes. Animais são o resto. As plantas ainda podem dividir-se em árvores e o resto, enquanto as árvores por sua vez se dividem em pé de fruta, pé sem fruta e pinherinho de Natal. Outro dia me olharam torto porque falei que achava lindo o pé de rolha. Sei lá como chama aquilo, é a árvore que descascam pra tirar a cortiça que vira rolha.

Bom, mas aí começam meus problemas. Tem aquelas coisas intermediárias, como os fungos, só pra citar um exemplo. São animais que se disfarçam de plantas e ainda por cima merecem classificação própria na cabeça enlouquecida dos biólogos. Mas a pior parte, além de se infiltrarem em um meio apesar de serem de outro, eles costumam até se infiltrar nas cozinhas e pratos. Cogumelos, molho funghi, kefir e outros participantes do circo dos horrores vivos não merecem ser comidos. Tudo isso é muito nojento. A única coisa dessas que eu como (ou no caso, bebo) é Yakult, mesmo assim porque eu aprendi a gostar de Yakult muito antes de saber ler aquelas palavras pavorosas no frasco: LACTOBACILOS VIVOS. Tipo... VIVOS! Meu Deus, é de enlouquecer saber que a gente come coisas vivas.

Eu tenho muitas restrições alimentares. Coisas que não gosto, coisas que não posso, e coisas que não comi e não gostei. A maioria dessas coisas nojentas fazem parte do último grupo. E não adianta insistir falando que “se você provar quando é feito assim, você vai adorar”. Não vai adiantar. Mas lembre que a gente sempre pode fazer um brinde com Yakult e oferecer às amizades que duram, mesmo que uma das amigas seja meio radical e muito chata pra comer.


Sisa, 28 anos, adora legumes, verduras, não come peixe, não é fã de carne vermelha, adora aves em geral, tem preguiça de comer a maioria das frutas, não come cogumelo, classifica gelatina como “carne” e tem plena consciência que essa frescura alimentar é um absurdo em um planeta onde tanta gente passa fome.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Sentimentos de alguém que responde por uma equipe

Lidar com pessoas é difícil, mas acredito que se relacionar com elas no trabalho é ainda mais complicado. Situação que consegue se tornar mais complexa quando se tem um cargo de chefia, por mais que se tente ser justo nas tomadas de decisões dificilmente você vai agradar 100% da sua equipe.

Além de pensar em como melhorar cada tarefa, bater as metas, gerenciar os serviços, resolver “pepinos” e proporcionar um ambiente de trabalho agradável, você tem que resolver intrigas, ouvir fofocas e desembaraçar nós de desentendimentos entre um e outro, sendo que cada tarefa dessas deve ser feita de forma que ninguém da equipe fique desmotivado.

Nosso auto controle é colocado à prova a todo o momento e nossa boa educação às vezes fica esquecida num momento de fúria, sendo que após o “xilique”, você tem que se recompor rapidamente e fazer cara de paisagem.

As pessoas esperam que você sempre tenha a resposta na ponta da língua para todas as perguntas, as imagináveis, e as que me preocupam, as inimagináveis. A equipe recorre a você quando o “vulcão” está preste a explodir, como uma criança se gruda aos pais quando de um relâmpago seguido de uma trovoada num dia de tempestade.

As pessoas da equipe são seres humanos, riem quando estão felizes, fecham a cara e montam bico após uma chamada de atenção e até choram mediante uma bronca (mesmo quando essa é extremamente educada), ainda não consegui me certificar se são lágrimas de arrependimento, por ter se equivocado na tarefa, ou de raiva por se sentir injustiçado, sei que choram e você tem que aprender a lidar com isso.

Todos gostam de receber elogios, mas em algum momento acaba-se cometendo um engano grave, pior quando o engano é do chefe, mesmo que os colaboradores da sua equipe pareçam solidários, no fundo eles estão tendo orgasmos múltiplos e se sentem vingados. Mas o chefe é humano, ele também erra, sofre, também passa por problemas pessoais, só não chora, mas também tem sentimentos, porque muitas vezes o chefe tem um chefe.

Apesar de tudo isso é muito gratificante responder por uma equipe, pois essas pessoas que provocam muitos sentimentos em você, também te fazem aprender muitas coisas, crescer profissionalmente e principalmente emocionalmente.


Débora sabe que é difícil lidar com pessoas e liderar uma equipe, mas o que seria da vida se não fossem os desafios?



quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Psicologia Mick-Jagger-iana

Depois de escrever alguns textos refletindo sobre a vida, desta vez resolvi escrever alguma coisa mais descontraída. Gostaria de filosofar sobre sonhos. Mas não estou falando de 'sonhos para o futuro' e sim daqueles sonhos que a gente tem durante a noite mesmo. Quem nunca teve aquele sonho engracado ou esquisito, que deixa a gente matutando por um dia inteiro?? Pois é, é disso que estou falando. Às vezes fico pensando, como será que funciona essa nossa 'psicologia cerebral'? Sim, as vezes acho que os sonhos querem mesmo nos falar alguma coisa, mas não acredito nessa coisa de que se você sonhar com cobra, significa que alguém vai morrer, ou que se voce sonhar com um eclipse significa ameaça de enfermidade mental em algum parente ou que falsos amigos poderão lhe causar sérios problemas de ordem financeira (isso achei na internet entre outros significados esquisitos). Não acredito em nada disso, acredito sim, que cada um de nós tem sua própria psicologia cerebral.

Eu por exemplo às vezes tenho sonhos com pessoas que praticamente nunca vi na vida. Mas daí páro para pensar e.... claro, eu sonhei com aquele vizinho da época de estudante, que eu mal dava oi e via apenas 'de quando em vez', mas obviamente, lá estava ele todo pomposo no meu sonho, mais nítido do que nunca, com todos os detalhes do rosto intacto, perfeito! Heim, como assim? A única coisa que posso especular a respeito disso é que os neurônios da area IT do meu cerebro realmente são porretas! A area IT do cérebro fica no 'ventral stream' e tem uma pequena quantidade de neurônios que são extremamente especializados em 'reconhecer rostos'. Pessoas com deficiência nestes neurônios perdem a capacidade de reconhecer pessoas, mesmo podendo enxergar normalmente outras coisas (prosopagnosia). Opa veja só, Liz também é cultura. Então, essa é a unica razão lógica, que consigo imaginar para poder sonhar com essas pessoas, mas infelizmente nem tudo é lógico na vida, e este texto aqui está muito longe de ser algo científico.

Há uns anos atrás, viajei com meu marido e um casal de amigos, era uma viagem daquelas que a gente tinha muita coisa pra fazer, e estava um calor infernal. Eu como sou uma pessoa sincera, sempre dizia se estava insatisfeita com alguma coisa, se o plano do dia não estava me agradando dizia mesmo, se a água que comprei estava quente ficava 15 minutos reclamando SIM! Bom, depois de um tempo, comecei a ouvir piadinhas e comentários por parte dos amigos e do meu marido de que eu estava muito reclamona. Eeeeu? Reclamando? Como assim... só estava 'comentando' as coisas. Naquela noite, tive um sonho revelador. Sonhei com Mick Jagger, ele chegou sério e me disse: “Liz, você é muito bonita, mas reclama demais!” Acordei pensativa, até Mick Jagger me acha reclamona? Passei o dia quietinha, achando tudo lindo! Mas peraê, vamos tentar entender a psicologia do meu cérebro, eu estava reclamando muito e precisava de levar um sermão de alguém que eu respeitasse muito. Sim, então logicamente eu deveria sonhar com... MICK JAGGER? Não, simplesmente não faz sentindo nenhum, eu deveria era sonhar com o Dr. Phil (psicólogo americano famoso por aqui) me dando um sermão ou aquele tio que admiro pra caramba. Mas talvez o cérebro tenha apenas levado em consideração o fato de Mick Jagger ter 64 anos e muitas rugas e se esqueceu do fato de que minha relação com ele é apenas musical. Tá tudo bem, mal entendidos acontecem, até no nosso cérebro!

Outro dia conversando com minha irmã e uma amiga, não sei porque acabou saindo aquele papo de sonhar beijando alguém famoso. E lá foram elas contar dos beijos ardentes com Brad Pitt. Então acabei admitindo que eu ja tinha sonhado beijando o Mick Jagger várias vezes, mas que o beijo dele era sempre HORRÍVEL. Nunca entendi como um dos homens mais pegadores de mulher do planeta podia ter um beijo tão ruim, ficamos lá filosofando sobre o assunto por um bom tempo (é verdade, mulheres beirando trinta e com mais de trinta também conversam sobre esse tipo de coisa). Então... naquela noite, tive um sonho. A única coisa que lembro do sonho, foi do Mick me dando aquele beijo de cinema, e desta vez, foi um beijo muito bom, daqueles de ver estrelinhas! Vamos então agora analisar mais uma vez a psicologia do meu cérebro: Mick Jagger se sentiu fracassado diante do Brad Pitt e resolveu mostrar quem é que manda nesta P****. Não gente, nada disso, vocês entenderam tudo errado. Vamos analisar agora de outro ponto de vista, eu, que sou uma mulher casada, me sentia constrangida de ficar sonhando beijando outro homem, a maneira que o meu cérebro viu de amenizar a situação era então de fazer o beijo ser ruim, daí eu não ia ficar me sentido mal. Mas a partir do momento que vi que tanto minha irmã, como minha amiga, ambas casadas, também sonhavam beijando outros homens famosos, relaxei mais diante da situação. Então, dessa maneira, o meu cérebro mandou o cara que ele tinha batizado como meu 'conselheiro cerebral', o ‘Mick Jagger’, para dizer que: “tá vendo? Não tem problema nenhum, é super normal beijar artistas de cinema ou roqueiros nos sonhos, mesmo você sendo uma mulher casada”. Nossa que alívio, agora finalmente posso dormir tranquila de novo! Puxa, o que seria de mim sem essa minha psicologia Mick-Jaggger-iana!


Liz acredita que os sonhos sempre querem nos dizer alguma coisa, mas acha que ainda vai demorar um pouco para poder entender completamente essa tal de psicologia Mick-Jagger-iana.



Porque não gosto de livros de auto-ajuda

Nos últimos dias eu me peguei repetindo uma certa frase para várias pessoas: “Eu adoro ler, sempre fui incentivada desde pequena e amo a sensação de liberdade que a leitura proporciona! Leio até dicionário (adoro), mas não consigo ler livro de auto-ajuda...”.

A minha intenção aqui não é polemizar ou escrachar esta categoria de livros que teve uma ascensão de popularidade tão vertiginosa nos últimos tempos. Quem sabe alguém me mostra o que os meus olhos não vêem?

Sabe do que eu não gosto? Da receita de bolo que estes livros trazem, resumindo a vida a uma viagem com o mesmo destino para cada viajante e com um roteiro único que resolve todos os problemas. Parece-me que funciona assim: quero ser rica, quero ser feliz, quero ser o centro das atenções, quero crescer profissionalmente... e, definido o desejo (destino da viagem), basta ler o livro adequado (roteiro da viagem) que o sucesso está garantido (chegar ao destino sem contra-tempos).

Eu não concordo com esta visão. Não se pode aplicar uma mesma regra, uma fórmula mágica a todos os seres humanos para que alcancem um objetivo porque as pessoas são completamente diferentes física, moral, psicológica e intelectualmente (graças a Deus e a genética!). Cada um tem sua percepção de mundo e sua escala de valores, o que faz a receita de bolo ser furada; cada um deveria encontrar a receita que mais lhe atrai e convém...

Para mim, o que provocou o “boom” desta categoria de livros foi um aumento significativo no número de crianças grandes, ou adultos imaturos, como preferirem. E, olhando por este prisma, ler estes livros é bastante aceitável. Se não existe maturidade e bagagem para lidar com a vida adulta, se o sentimento de completa desorientação tomou conta da pessoa, procurar um roteiro ou receita para tatear o desconhecido talvez seja uma solução.

Agora, sinceramente: viver é como sair na chuva, quem sai vai se molhar e sabe disso. Viver é curtir todas as situações, encarar os problemas, aproveitar os momentos felizes e arcar com as conseqüências de cada passo. Quem quer viver de verdade tem que estar preparado para o imprevisível e aprender a decidir, no momento que convier, qual é a prioridade (ser rica, ser feliz, ser o centro das atenções ou crescer profissionalmente). E isto, não há livro que ensine! Só a vida mesmo!

Bem, minha mãe diz que não gosto de livros de auto-ajuda pelo tom imperativo que eles nos impingem e eu não aceito muito bem receber ordens rs. Talvez seja verdade, mas sobre isso eu falo outro dia!

Até a próxima!


Paula adora conversar e ouvir conselhos, mas na hora “h” decide seu caminho sozinha. Sabe que pode pagar um alto preço por ser assim, mas definitivamente está disposta a pagar! Escreve aqui toda quarta-feira.



terça-feira, 6 de novembro de 2007

Wolverine, Ciclope e Lobo Mau

Teve um domingão desses aí que num raro momento de insônia me peguei assistindo X-Man 1, 2 e 3 na seqüência. Até gosto de quadrinhos, mas daí a assistir tanto Marvel numa sentada só, tem que ter um motivo. O motivo se chama Wolverine. Não precisa falar mais nada, se é que vocês me entendem.

Agora acabei de pegar a última metade de outro filme com o Hugh Jackman, que, convenhamos, não é assim um padrão de beleza, mas também não é de se jogar fora. Mas aquela barba bem feitinha do Eddie não me convenceu. Prefiro o Wolverine.

Também já assisti numa única sentada a trilogia do Poderoso Chefão. Horas e horas incansáveis, admirando toda a estupidez e impulsividade ignorante de Vinnie Mancini, filho de Sonny e sobrinho de Michael Corleone, deliciosamente interpretado por Andy Garcia. Impossível não comparar Vinnie com Michael Hunter, em Nos Limites do Silêncio. Prefiro o Vinnie Mancini, apesar de tanta carnificina.

Agora eu fico aqui pensando com meus botões: o Wolverine e o Eddie são o Hugh Jackman, com alguns anos de diferença. O Vinnie Mancini e o Michael Hunter são o Andy Garcia, também com alguns anos de diferença. Como a natureza é infinitamente mais generosa com o gênero masculino, isso só os torna melhores. Tá aí de prova o eterno James Bond Sean Connery que só depois dos oitenta deixou de ser galã.

Wolverine e Vinnie têm algo em comum; Eddie e Michael também: aqueles são meninos maus, estes são bons meninos. Jean Grey não consegue fixar seu olhar nos olhos de Logan sem tremer nas bases, mas ficou com o Ciclope por instinto de sobrevivência. Mary Corleone, por sua vez, deixou aflorar seus instintos mais primitivos, e, por estar com Vinnie Mancini, se estrepou na escadaria do teatro saindo de uma ópera. Ainda bem que não gosto de ópera.

Jean Grey e Mary Corleone são meninas de família. Estudaram em boas escolas, são finas, inteligentes, bonitas. Poderiam ter ao seu lado qualquer bom menino, orgulho da mamãe e do papai. A primeira escolheu o caminho mais seguro; a última o mais emocionante. Dormiu com o fogo e acordou queimada. Evidentemente qualquer mulher normal preferiria ter ao seu lado o Eddie ou o Michael Hunter, este com o adicional de ser psicólogo, por essência compreensivo e sensível.

Eu me considero uma mulher normal, sabe, apesar dos ataques mensais de fúria que fazem de mim muitas vezes incapaz de me auto determinar segundo as regras básicas de civilidade. Sou menina de família, estudei em boas escolas e aprendi que com lobo mau não se brinca. ENTÃO VOCÊS QUEREM ME EXPLICAR PORQUE DIABOS EU NÃO CONSIGO DEIXAR DE ACHAR O WOLVERINE E O VINNIE MANCINI SIMPLESMENTE UM TESÃO?!!


Laeticia reconhece que sempre teve uma queda por lobos maus, mas todos eles acabaram se mostrando bonzinhos depois de domesticados. Acabou encontrando o lobo mau de sua vida por acaso e descobriu que na verdade seu lobo mau é um príncipe encantado.

Fora dos Padrões

No último mês participei de algumas discussões a respeito de mulheres às voltas com seus 30 anos. Foram discussões amigáveis, mas, infelizmente, me inspiraram a concluir que a maior parte da sociedade não desgruda dos estereótipos cretáceos.

Tenho uma colega de trabalho, com quem convivo bem, que me diz que estou “fora dos padrões”. Toda vez que a ouço dizer disso penso: QUE PADRÃO É ESSE? É LEI? ONDE ESTÁ ESCRITO ISSO? QUEM ASSINOU? ALGUM TIRANOSSAURO? Ela diz isso porque não me comporto com ela e como outras mulheres de nossa idade (33) que ela afirma que se comportam da mesma maneira. Ela sempre me aconselha: NÃO PENSO QUE UM HOMEM VAI RESOLVER A SUA VIDA, MAS SE VOCÊ ARRUMAR UM NAMORADO, SUA VIDA VAI MUDAR. ????? Ahnnn??? Como assim? Ela começou a namorar o atual namorado dizendo para as pessoas mais íntimas que tinha intenção de um relacionamento sério com alguém e caso elas tivessem quem apresentar, lá estava ela. Legal... Resultado: a colega me cobra esse comportamento, afirmando que vai dar certo comigo também. Outro ponto que, aos olhos dela, me coloca fora dos padrões femininos, é resolver a maioria dos meus problemas práticos sozinha como carregar objetos com mais de 1kg e trocar pneu de carro, por exemplo.

Se estou mesmo fora dos padrões inventados pelo tal TIRANO, é aqui que quero ficar. Não saberia me comportar como ela. Antes de tudo, não tenho o “sonho dourado” do casamento como a colega tem. Acredito que uma boa companhia pode ser bastante benéfico pra mim, mas nem por isso consigo sair por aí com minha AR15 em punho a procura de um alvo qualquer para exibir para as colegas de quartel. Não, não quero encontrar alguém para mostrar à sociedade que tenho companhia. Quanto aos problemas práticos que resolvo sozinha, a explicação está em minha personalidade. Sou amante da liberdade e sou também impaciente. Se sei fazer algo, prefiro fazer a esperar que alguém faça por mim. Admito que esse comportamento possa espantar alguns homens, mas essa sou eu.

Estar acompanhada não é nada fácil pra mim. É que a maior parte dos meus 33 anos estive sozinha. Só namorei durante 3 anos e 9 meses, mesmo assim mais ensinei que aprendi. Uma amiga outro dia me disse que me prefere sozinha que acompanhada. É que me atrapalho muito quando surge alguém em minha vida. Sei resolver melhor os problemas da vida a sós. Os problemas de uma relação ainda me confundem, falta de prática... Isso não quer dizer que eu prefira ficar só. Não. Uma boa companhia é excelente em qualquer momento, ainda mais se houver um sentimento especial para fortalecer a união. Porém, na falta dessa BOA companhia, ficar sozinha é a alternativa perfeita.

Tudo de melhor que surge em nossas vidas, vem de forma natural. Sem caça, sem estratégias, sem joguinhos, sem padrões. É assim que quero amar e ser feliz.


Angélica é adepta fiel do “antes só do que mal acompanhada”. Não sabe jogar para ser feliz porque acredita que Felicidade é transparência. Escreve aqui às terças.



segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Não Há Lugar Como Nosso Lar

O vice-consulado Italiano de Vitória só atende ao público três vezes por semana, de 8:30 da manhã (quando as atendentes não atrasam) ao meio dia. Todo mundo vai madrugar na porta, e demora a manhã inteira para finalmente ser atendido e descobrir, que devido a toda burocracia e desorganização, o que quer que você queira, vai demorar pelo menos um ano e meio pra conseguir.

Se eles atendessem ao telefone poderia ter ido só uma vez, já com todos os documentos necessários para obter meu passaporte, mas pra que facilitar se eles podem dificultar? Fui lá eu e fiquei a manhã inteira só pra pedir uma informação, no dia seguinte voltei lá e descobri que teria que voltar mais uma vez, pois me deram a bendita informação incompleta.

Nesses três dias de fila, conversar foi o melhor jeito que arranjei pra passar o tempo, acabei conhecendo muita gente interessante, de todas as idades, com todos os tipos de sonhos, mas o engraçado é que depois de horas ouvindo falar sobre a vida e os sonhos dessas pessoas, cada um seguia seu rumo, sem nem saber os nomes uns dos outros.

É até legal ver uma pessoa que eu nem conhecia e talvez não vá ver nunca mais, torcendo pras coisas darem certo pra mim, é nessas horas, vendo gente correr atrás de trabalho, estudo, qualquer coisa pra evoluir e ainda torcendo pra que estranhos também dêem certo, é que vejo como nós brasileiros levamos fama de vagabundos devido a meia dúzia de miseráveis, mas na verdade, a maioria é como essas pessoas, só quer um futuro melhor, sem passar por cima de ninguém.

Quero ir pro exterior estudar, trabalhar, conhecer lugares legais, mas quero ainda mais voltar e viver aqui, porque não existe país nem povo igual ao nosso, amo minha cidade e é aqui que quero morar.


Louise quer aprender novas línguas, novos costumes, explorar tudo que puder pelo mundo afora, crescer profissionalmente e finalmente voltar para Vila Velha, onde, pra ela, é o melhor lugar pra se viver.



Notícias do dia

A quantidade de jornal vendido no mundo está declinando a cada ano, isso tem muitos fatores como o custo do jornal elevado para nossa população que ganha um salário mínimo absurdo, o acesso mais fácil à internet e sua informação em tempo real, o analfabetismo ainda assustador em nosso país...

Mas pra tudo isso se dá um jeitinho (brasileiro), temos jornais que custam R$ 0,50 ou são de graça e que visam atingir justamente essa parcela da população alfabetizada mas que não tem internet e muito menos dinheiro para informação.

Tudo isso seria ótimo, afinal, quanto mais politizado um povo, mais se consegue vitórias sociais, melhorando sua qualidade de vida. Entretanto “seria” porque o principal é que a informação fornecida (e isso envolve todos os veículos, sejam caros ou baratos) tem a qualidade cada vez mais duvidável.

Ainda não cheguei a uma conclusão, se isso é por causa da demanda da população que vê nessas “notícias” uma fuga da realidade (semelhante ao que as TVs alegam quando alguma novela é criticada), ou se é culpa da evolução da comunicação que facilitou a publicação, permitindo que o crivo à qualidade seja praticamente nulo.

Bem, mas toda essa elucubração surgiu quando tive uma folguinha durante o expediente e resolvi fazer uma leitura superficial de notícias na internet (pensando eu que ia me atualizar com os acontecimentos mundiais) e, para minha surpresa, além do básico sangrento e da nossa política corrupta (que também não nos incentiva à leitura), achei as pérolas que compartilho com vocês.

A silhueta alarga quando se come cinco vezes por semana fora (estudo)
Descobriu-se, depois de muito estudo (?!), que quem come fora mais cinco vezes por semana tem mais chance de engordar, detalhe que a pesquisa foi realizada na terra do fast food- comida de preparo rápido e com excesso de calorias, EUA. Será quem se deu ao luxo de realizar tal pesquisa? O mais incrível é que a pessoa ainda recebeu pra isso....E nós aqui achando que o que fazemos diariamente é trabalho.

Homem senta sobre ladrão enquanto espera polícia
Um homem de 90Kg sentou em cima do ladrão que tentava roubar a van de seu vizinho até que a polícia chegasse ao local. E essa notícia veio logo depois de uma com o título “Metade da população mundial 'está obesa ou acima do peso'” Será que isso tem a ver com o aumento constante da violência?

Acho que podemos encomendar uma pesquisa sobre isso, se habilitam?


Lina uma publicitária e professora que busca a cada dia saber qual será o futuro dos meios de comunicação e que, por conseqüência, se preocupa com o que espera por seus alunos daqui pra frente.



domingo, 4 de novembro de 2007

Injeção na Testa

Mais um ditado popular cai por terra devido aos progressos da ciência. Agora foi a vez do “de graça, até injeção na testa”! Antes, esse ditado era usado para dizer que a gente aceita qualquer coisa, mesmo se for dolorida, se não for necessário pagar por ela. Logo, injeção na testa era sinônimo de coisa ruim, dolorida, e impossível de se conceber.

Atualmente, injeção na testa é sinônimo de beleza, de vaidade, e muita gente já aplicou, ou pensa em aplicar. Injeção na testa virou botox. E não é algo de graça de jeito nenhum; pelo contrário, tem custo alto!

Nosso modo de vida, a sociedade atual, nossos padrões mudaram tanto que os termos que usávamos antes com um significado, hoje têm outro, muitas vezes o oposto do que significavam antes. Não só a internet levou as pessoas a construírem uma nova linguagem, como também nosso comportamento e nossa visão de mundo, com ou sem internet, nos fez mudar a linguagem, a nossa comunicação.

Parece radical, e parece comédia, mas, no fundo, temos consciência do quanto nossa imagem no espelho realmente inverteu a realidade em que vivemos. A imagem virtual passou a ser mais importante do que a real. Nos preocupamos mais com o que parece do que com o que é. E chega a ficar confuso saber o que é mesmo e o que somente parece.

Se o tempo das vacas magras virou o tempo das modelos ricas e anoréxicas, o botox transformou outro ditado, que virou “de graça, não tem mais injeção na testa”.


Tânia é pão-dura, louca e não toma remédio para não gastar dinheiro! Adora ler, ver filmes e escutar música. Adora animais, menos baratas, mesmo sendo “baratas”!



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