domingo, 12 de outubro de 2008

Exame Admissional

Certa vez, ao ser admitida para um emprego, fui fazer os exames admissionais, e tive que enfrentar um psiquiatra para provar que era apta para o serviço. Entretanto, ao entrar na sala do profissional, e iniciarmos a "consulta" para minha admissão, o psiquiatra começou se questionário. Até então, tudo estava normal, pois ele me perguntou dados pessoais, e perguntas sobre manias que eu poderia ter. Dava para ver que ele queria saber se eu tinha algum transtorna obsessivo-compulsivo, ou tinha tendência à depressão, ou ao suicídio pelo tipo de perguntas que fazia.

Contudo, eu não sei se o psiquiatra se empolgou, ou se ele era doido, mas, de repente, começou a me fazer perguntas absurdas. Eu, como queria muito o emprego, respondi seriamente sempre "não". Mas as perguntas eram assim: 
    
_Você costuma ouvir vozes de pessoas que não estão presentes no mesmo local que você?
   
 _Não._Mas tinha vontade de responder que ouvia sim, pois quando falava ao telefone, as pessoas estavam distantes de mim!
   
_Você costuma ouvir vozes de pessoas que já morreram
    
_Não._E continuava com vontade de responder que ouvia sim, pois, quando ligava o rádio, ouvia Cazuza, Clara Nunes....!
    
_Você costuma ver pessoas que já morreram?
    
_Não._ Aí já estava com uma vontade imensa de rir, segurando ao máximo, e as lágrimas quase descendo, efeito da pressão de sufocar o riso. 
    
Tinha vontade de falar que eu via atores e cantores que já haviam morrido em reapresentações de novelas, filmes, e shows na televisão, e que isso era normal! Mas precisava do emprego. Embora soubesse que o questionamento do profissional deveria servir para saber se eu era paranóica, ou tinha alguma mania de perseguição, não podia deixar de pensar que era perguntas até mesmo agressivas. 
   
E, mesmo achando graça naquilo tudo, ainda assim achei-o preconceituoso, e desrespeitoso em suas perguntas, pois elas feriam crenças de pessoas normais. O tipo de entrevista feita naquele exame admissional, pelo jeito, excluía os espíritas, pois, em sua crença, é possível a comunicação com mortos. Também excluía as pessoas que acreditam em telepatia, pois estas se comunicam com pessoas que não estão presentes. 
    
Enfim, consegui o emprego, e acabei sabendo que o psiquiatra fazia o mesmo tipo de perguntas para todas as pessoas. Não descobri ninguém que tivesse coragem de responder o que queria, mas não creio que, para trabalhar em qualquer ramo profissional, a pessoa tenha que passar por esse tipo de constrangimento, pois fere a liberdade de crença. Mas, apesar de tudo, foi muito engraçado, e virou mais uma história real, que mais parece lenda, para contar.
 

Tania já passou por outros exames admissionais, mas nunca por um tão estranho quanto o descrito aqui.

2 comentários:

Milena disse...

Hahaha
Foi hilário!
claro que é uma história para rir depois :)

Lila disse...

Tania,
Esse e um questionario psiquiatrico internacional.
Aqui na Australia usam o mesmo para fazer uma triagem das pessoas com transtornos mentais que precisam (ou nao) ser encaminhadas para tratamento.
Sou espirita e concordo plenamente com a tua visao mas visto que e so uma triagem mesmo, nao haveria outra opcao a nao ser o superficial.

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