Terá sido tão de repente assim? Desaceleramos muito com a proximidade dos 40. Aprendemos a caminhar apreciando o caminho ao invés de correr loucamente para chegar sabe-se lá onde. Descobrimos que todas queremos chegar lá, e que o lá de cada uma é diferente. Aprendemos a olhar de dentro para fora. Muita coisa aconteceu nesta década. Crianças nasceram, animais de estimação se foram, relações se fortaleceram, outras, desvaneceram. Aprendemos muito. Principalmente que dividir só nos faz melhores.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
O mundo é pequeno pra caramba
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Sonhos, vida à parte
domingo, 21 de novembro de 2010
O "monstro" de olhos verdes
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Corda Azul
Era manhã de uma sexta-feira, setembro de 1930.
Ela abriu os olhos e ainda deitada na cama percebeu envolta em seu pescoço uma corda azul.
Laço forte, embora com grande espaço para respiro, pontas soltas que iam até seus pés.
Pousou as mãos e quieta tentava enteder como a corda viera parar ali.
A casa em silêncio fazia trilha para seus pensamentos que velozes buscavam sentido.
Fechou os olhos e via a imagem de uma pequena árvore, toda bem verdinha e no meio dela: um menino. Bravo menino. Carregava uma bússula, um canivete, um espelho, um escudo e uma corda azul.
Ela então percebeu.
Voltou de novo a ser menina.
Juliana escreve esporadicamente.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O jogo do contente
Sempre gostei muito de ler. Leio desde pequena, e sempre li estilos diversos. Cheguei ao ponto de a bibliotecária da escola liberar para mim uma parte da biblioteca destinada “aos grandes”, porque eu já havia lido todos os da minha idade. Minha mãe era professora na mesma escola, então eu gozava de alguns privilégios.
Mas como mãe é mãe, também tive leituras proibidas e leituras obrigatórias. A que mais me marcou foi o livro Pollyanna. Detestei aquela história do início ao fim! É um clássico da literatura infanto-juvenil, publicado pela primeira vez em 1913.
A história é triste. O sofrimento pelo qual a protagonista passa é imenso, mas ela raramente se abala. Leva sua vida de acordo com um ensinamento do pai: o jogo do contente. Este consiste em SEMPRE achar um lado bom para tudo o que acontece. SEMPRE.
Eu achava aquilo irritante demais! Como alguém não se revolta, não se entristece, não reclama?! Meu Deus! Achava muita passividade. Quanto mais ela achava coisas que a deixavam contente, mais eu me irritava!
Mas ultimamente me pego jogando tal jogo. Não que eu não me irrite, não me revolta, não reclame. Mas percebo que é muito mais fácil ver o lado negativo. Ver o problema. Ver a rachadura.
E jogando o tal jogo, a pessoa se esforça pra achar o lado bom. E percebi que ele SEMPRE está lá. SEMPRE. Às vezes mais explícito, às vezes menos. E percebi que a vida não é mais fácil sob esta ótica. Muitas vezes é custoso achar o lado bom, enfraquecer as coisas ruins. Negar o negativismo. Mas é bem mais gostoso viver assim.
Renata se declara jogadora oficial do jogo do contente. E recomenda!
domingo, 14 de novembro de 2010
Evasivas, definitivamente, não são acidentais...
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Planos. E essas coisas.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Infiltrão
Veio como filete, fresta de água
Rachou a parede da casa, pingo por pingo
Já não podia correr para outro canto
Vazou devagar ganhando espaço e abrindo caminho
Água de remanso
De goteira virou poça
Poço de corrente
Riacho
Balanço buscando mais água criou onda
Arrebentou na beira de outro lugar
E o doce virou sal
Lagoa grande que carrega águas vindas também do céu
Claro ou escuro o mistério do mar pingava nas manhãs no teto de minha cozinha
Deixo vazar o desenho na parede, tatuagem
Quem sabe um dia conserto
Esta minha infiltração.
Juliana escreve esporadicamente.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Do balcão ao mundo
domingo, 7 de novembro de 2010
Frustração
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Vó minha
Mesmo ela sabendo nada de mim
Eu tive uma vó
Era animada e viajava muito de navio
Andava rodeada de gente
Tudo era pura alegria
Eu tive uma vó
Mesmo sem ela saber nada de mim
Às vezes eu deitava a cabeça no meu sofá amarelo e imaginava que era seu colo, ou de algum outro neto que viesse por ali
Silêncio gostoso e quentinho
Ela gostava pouco de café e trazia sempre suco de uva de fazer bigodes
Uva de verdade
Minha vó de longe sabia escrever e contar histórias
De acalmar os olhos e o coração
Com ela aprendi a guardar segredos
Por vezes andamos juntas pela cidade altas horas da madrugada
Eu tinha uma vozinha minha e herdei dela os óculos de um anel de pedras pretas
Dos óculos eu não gostava
Mas me ajudavam a ver melhor e a brincar com os fios, como ela fazia
Era linda em todas as idades que eu imaginava
Lembro sempre dela quando recolho as roupas no varal e aproveito o vento
Ela queria ser atriz
Comprou uma casa para ela
E ensinou todos os filhos a também fazerem assim
Vou com ela bem devagar tijolinho por tijolinho.
Juliana escreve quando dá saudade de gente que ainda não conheceu.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
O “Samba do Crioulo Doido” nos Contos de Fadas
Para quem não conhece essa música, o Samba do Crioulo Doido, vale a pena pesquisar, ler a letra, e, se possível ouvir a música. Nessa história, o crioulo era sempre que escrevia os sambas enredo da escola de samba. Num determinado ano, pediram para ele criar um samba que falasse da história do Brasil. O tema era geral, amplo demais, e aí o crioulo ficou doido, e fez uma confusão na história do Brasil.
Pois é, os contos de fada estão cada vez mais parecidos com o Samba do Crioulo Doido. Quando eu era criança, achava que Branca de Neve era a mais bela princesa, que A Bela Adormecida era quem dormia, e que Cinderela era a do sapatinho de cristal. Entretanto, com a modernidade, parece que as histórias andaram se encontrando, e se misturando por aí.
A Branca de Neve, até onde me lembro era a bela, e dormia após comer a maçã envenenada da rainha má. A Bela Adormecida também era bela, mas a mais bela era Branca de Neve, senão a rainha má daria a maçã para a Bela Adormecida, e não para a Branca de Neve, não é? Pois bem, então, a Bela Adormecida, menos bela que a Branca de neve, adormecia após espetar o dedo na roca de fiar. Mas a Branca de Neve também adormecia. Então, a Branca de Neve era a Bela Adormecida? Poderiam fazer esta pergunta as crianças, ao ouvirem as histórias contadas por suas mães. Não, A Bela Adormecida espetava o dedo, e a Branca de Neve comia a maçã envenenada. Confuso? Não. Quer dizer, mais ou menos. Afinal, se a Branca de Neve era a mais bela, porque o nome Bela ficou com a Adormecida?
Aí entra a Cinderela, que, aparentemente não tem nada a ver com a Branca de Neve, nem a Bela Adormecida. Não mesmo? Então por que, nos dias de hoje, aquelas pessoas que tomam droga, sonífera ou alucinógena, como o GHB, sem saber o que estão tomando, nas danceterias, e são roubadas, caem no golpe do “Boa Noite, Cinderela”? Como, se a Cinderela não dorme na história? Se quem dorme é a Branca de Neve, com a maçã, e a Bela Adormecida, com a roca de fiar? Não seria mais óbvio se o termo fosse “Boa noite, Branca de Neve”? Ou, pelo menos, “Boa Noite, Bela Adormecida”? Mas não, é “Boa Noite, Cinderela”!
Mas que confusão é essa?! Por acaso a Bela Adormecida fez plástica, ou colocou botox, e está mais bela que a Branca de Neve? Ou a Cinderela resolveu cair na night, jogou longe os sapatinhos de cristal, tomou todas, e acabou a noite com o lobo mau, que nem estava nessas histórias?! Tudo bem que o termo “Boa Noite, Cinderela” serve mesmo para aquela hora, depois da meia-noite, em que a Cinderela perde tudo, pois a carruagem volta a ser abóbora, o cocheiro volta a ser ratazana, o vestido volta a ser trapo, e ela volta a ser Gata Borralheira. Mas, mesmo assim, mesmo depois da decepção, da perda, da visão da dura realidade após a festa, como acontece com quem foi roubado, ainda assim o termo é confuso. Pelo menos para quem gosta de histórias infantis.
Tania não espetou o dedo na agulha da roca de fiar, não comeu da maçã envenenada, não tomou nenhum alucinógeno para o efeito “Boa noite, Cinderela”, mas, para escrever este texto, tenho dúvidas se não recorreu aos cogumelos... Nem quem fossem os da Alice, que está em outra história....
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Comunicação
Mas a verdade nua e crua é que nascemos e morremos sozinhos. Sós. No intervalo entre uma coisa e outra, nos associamos a pessoas. Seja por parentesco, proximidade geográfica, afinidades, necessidades... Algumas associações duram mais, outras menos. Mas no final das contas, somos sós.
A ilusão de nunca estarmos sozinhos é reforçada pelas redes sociais. Falo isso de carteirinha, pois adoro! Tenho e uso Orkut, Facebook, Twitter e escrevo aqui no blog. Uso MSN bastante para falar com amigos, muitas vezes mais do que pessoalmente.
Pensando nisso, trago aqui algumas frases postadas no Twitter, das quais gosto muito:
Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar. Verdade!
Somos apenas a soma das nossas escolhas. Fortemente influenciadas por nossos hormônios e instintos.
Quando seus ex-alunos são adultos, você está ficando velha. Ponto.
Quando você fica feliz com a proximidade de um feriado pq vai conseguir trabalhar, você está precisando de férias.
Ouvi que, com as minhas desventuras amorosas, deveria escrever roteiro de seriadinhos! To perdendo $$$!
Coloquei batata palha na comida como se fossem lascas de alegria... Maldita TPM!
Essa semana me disseram que sou boa demais, calma demais, paciente demais...Pessoas diferentes em casos diferentes. Vou começar a acreditar.
A malandragem é a mãe da burocracia.
Tenho crises de melancolia, porque não me contento com a mediocridade. Quero mais de tudo.
Viajar faz a gente ver tudo com olhos de criança, atentos a tudo, brilhando com as novidades, excitados.
Mas estar triste faz a gente ver tudo com olhos embaçados, semi-cerrados, só vultos e sombras...
O mundo é tão grande! Mas o mundo de algumas pessoas é tão pequeno, que elas devem sofrer de claustrofobia!
Renata is over capacity! Please return in a few minutes (essa merece uma camiseta!)
Se quando eu morrer eu não for pro céu, juro que volto e puxo o pé de TODO mundo que aturei!
Se a vida fosse fácil não haveria literatura... nem remédio pra gastrite.
Insegurança total por não fazer aquilo que queria e não teria problema algum ter feito. Viva a análise via msn! \o/
O revirar de olhos é a expressão mais completa que há! Eu ODEIO quem faz isso! Menos quando EU que faço, óbvio!
A ironia refinada do universo me prova que ele é ela! O universo é um ente feminino!
Por os pensamentos em fila, vendo um por vez, do começo ao fim... Ah, o sonho de todo obsessivo-compulsivo!
Qual exatamente é o limite entre a polidez e a falsidade?
Hoje descobri que em algumas pessoas a massa cinzenta se concentra APENAS embaixo das unhas...
História da vida real: crianças, o que há dentro do ovo? Brinqueeeeedos!
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Anseios
domingo, 31 de outubro de 2010
Como você encara o que lhe acontece?
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Férias - A revanche
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Churrasco
domingo, 24 de outubro de 2010
o poder do elogio
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Sonho bom
O sonho foi sumindo dando lugar à realidade
Depois que eu vi que acordei
Fiquei com saudade
Foi um sonho bom
Um dia a gente recebe uma carta e não sabe de onde ela veio
Reconhece a letra
Reconhece o papel, o envelope
Mas não abre
No outro dia a gente recebe uma carta
Reconhece a letra
Reconhece o papel, o envelope
Mas a gente não abre
Aí um dia a gente recebe uma carta e não sabe de onde ela veio
Reconhece a letra
Reconhece o papel, o envelope, o formato
Mas não abre...
E no final de um mês a gente tem uma mesa inteira coberta de cartas que não tivemos coragem de abrir e descobrir coisas de nós mesmos
Você agora mesmo disse um monte de coisas lindas sobre seu sonho
O que?
Um dia te escrevo e espero que uma hora você abra a carta
Foi dormir
Vai
Volta à sonhar
Foi um sonho bom
Tão real
Foi um sonho bom
03 de abril de 2009
Juliana Saúde Barreto
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Mudez
Não é que meu coração esteja mudo ou que eu esteja tão feliz a ponto de virar a cara pra minha agonia diária.
Não.
É porque o que sinto é indizível.
Fecha aspas.
Mariana escreve esporadicamente. Por vezes muda, por outras tagarela.