sábado, 26 de janeiro de 2008

Gisele no País das Maravilhas

Esta foi uma semana do cão. Numa das mazelas, uma discussão com uma pessoa que gosto muito, com a intenção de sério insulto, ela me disse, muito braba, que eu era que nem a Alice. Fiz cara de dúvida (pois temos uma amiga chamada Alice) e ela seguiu, como se fosse óbvio: a Alice do mundo das maravilhas!

Na hora doeu, mas doeu fundo. Eu sabia que a intenção era deixar claro que o meu jeito meio avoado e sensível e o meu acreditar em coisas que obviamente restaram poucos que acreditam simplesmente não é aprovado. Porém, esta sou eu. Passaram-se uns cinco minutos e a cena me voltou à lembrança. De repente eu achei aquilo tão engraçado, ser xingada de Alice no meio de uma discussão séria. Tive muita vontade de rir, mas isso ia provocar a fúria, a ira do meu xingador. Só o que consegui dizer na hora foi:
- É, você tem razão, eu sou mesmo.

O tempo passou, eu continuei pensando nisso e cada vez me convenço mais de que eu sou a própria Alice:

Fico injuriada quando não tenho nada pra fazer e quase sempre é nestes momentos que invento coisas das quais me arrependo depois;

Vejo o coelho branco dizendo que “é tarde, é tarde” em todo lugar, e sempre tenho que correr atrás dele;

Vivo entrando em buracos e roubadas que parecem nunca ter fim;

Do nada, principalmente às sextas-feiras, sempre aparecem garrafas que dizem “beba-me” e lá vou eu, beber até encolher feito um telescópio, ou pelo menos ter a certeza de que algo interessante vai acontecer;

Bolos e afins que dizem “coma-me” também são freqüentes e lá vou eu, justificar porque o que engorda não é o que a gente come entre o natal e o ano novo, mas sim entre o ano novo e o natal.

Constantes alterações de tamanho também são comigo, principalmente na TPM, porém, recentemente também descobri que quando triste e amarga pareço ter dez quilos a mais;

Rios de lágrimas por motivos torpes são comigo mesmo e a dúvida de quem sou eu, então... Pelo menos eu sempre sei quem eu era pela manhã.

Apostar corrida com desconhecidos nem conta, pois esta é a vida da Alice, a minha e a de todos vocês;

Já vi muita lagarta azul que fumava narguilé e queria saber quem eu era, tomei chá com lebres e chapeleiros, e outras coisas absurdas, mas desde que eu larguei as drogas eu não vejo mais estas coisas (é brincadeira, só pra descontrair);

É muito comum eu não saber o caminho porque não sei para onde quero ir;

Charadas que não se sabe a solução ao se fazer a pergunta é com que eu trabalho (e adoro!), mas o fantasma de uma Rei de Copas dizendo “cortem-lhe a cabeça, cortem-lhe a cabeça” se alguma coisa sair errada também trabalha aqui comigo. Se um dia isso acontecer, será que vai adiantar convidá-lo para jogar um críquete? Acho que não...

E quando eu abro os olhos e me dou conta que estou de volta para a minha chata realidade de sempre eu desejo, quero e sonho em voltar para o País das Maravilhas, e seu incrível jardim.


Gisele Lins definitivamente é a Alice e da próxima vez que a xingarem disso vai considerar um elogio. Escreve aqui aos sábados, mesmo quando está em Maravilha.

5 comentários:

vanandram disse...

Gisele,
em muitos momentos eu me identifiquei com você/Alice!
É um texto lindo, que mais se assemelha a uma fábula do auto conhecimento do que a um texto infantil. Alice corre contra o tempo,experimenta novas sensações, mira-se no espelho e foge para enfim chegar ao encontro de si mesma.
Boa sorte, garota!
Um abraço,
Vanessa.

Paula disse...

Gisele,
Esta sou eu!!! Uma verdadeira Alice, especialmente por acreditar em coisas que ninguém mais acredita, cair em uma roubada atrás da outra e ter problemas com a balança entre Ano Novo e Natal rsrsrs.
Amei seu texto!!!
Beijos.

Laeticia disse...

Gosto particularmente dos seus textos, Gisele. São palavras que teriam facilmente saído da minha caneta :-)

Sisa disse...

Oi Gi,
Tem um livro que chama Alice no País do Quantum, e eu sou mais parecida ainda com aquela Alice, que além das características que você citou, vive num mundo que ela nem de longe consegue começar a entender, rs...
É um livro muito bom, eu tenho. Em algum momento, se você quiser, posso te emprestar. Beijo.

Re disse...

Gisele..nossa, com seu texto descobri que eu tb sou Alice..e que mau tem nisso?? Adoro ser Alice!! Bjs

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