segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quando mudam os planos.


Talvez seja chatiçe da minha parte, talvez não, mas como tenho tendências a me auto-criticar vorazmente, por inúmeros motivos, e um deles que vale a pena ser ressaltado aqui é o de que sempre me incomodei com gente que põe a culpa pelos seus erros, sofrimentos, dores e outras coisas nos outros; talvez - para não dizer - bem provavelmente, seja por isso que me critico, ponho a responsabilidade sempre em mim em primeiro lugar, pra depois racionalizar, pensar e repensar e compreender o que aconteceu. Bom, fato é, que já é até ditado popular - segunda é dia. É segunda é dia. Dia que vai dar tudo certo ou tudo errado. Dia que você começa a semana bem ou mal, o que não quer dizer que seja fator determinante de todo o resto da semana, mas apenas do início. Ainda bem né. De qualquer forma, hoje, segunda, já havia me planejado, como sempre. Eu planejo tudo, e gosto que seja assim, e sou feliz assim. Mais feliz ainda, quando o que planejo acontece, funciona e dá certo. Aí fica tudo lindo e sinto que não preciso de mais nada. Meu mês de Agosto já está planejado, começo de semestre, terei mais duas turmas, e, como haveria de ser, já estou a pensar nisso.

No entanto, nem sempre as coisas acontecem assim. Por vezes o que pensei para semana no final de semana, muda completamente no decorrer do tempo, e, posso vir a ficar, completamente sem eixo. O que não me deixa uma pessoa nada agradável de se conviver. Se a mudança for então relacionada a trabalho, só penso nisso e fico incomunicável até que sinta que tenho o controle de tudo novamente. Hoje não haveria de ser diferente. Passei o Sábado fazendo provas, exercícios extras, checando sites para projetos, em fim, tarefas do cotidiano de um professor, que só os professores conhecem. E fiz, me senti ótima, tudo pronto, aulas planejadas, tudo liindo; pois essa semana farei uma prova para pegar mais um certificado que me certifique de qualquer coisa, então adiantei tudo com o intuito de estudar. E, como era de se esperar, tudo estava bom demais... o telefone tocou, gostariam que fosse para o trabalho mais cedo, bem mais cedo, ou seja, perderia minha tarde inteira e sei que só poderia estudar então na quarta à tarde, um dia antes do exame. Falei - não posso, minha prova é na quinta, tenho um grupo de estudo hoje e na quarta.

Apesar de realmente não poder, fico sempre com pesar quando não posso atender as demandas do meu trabalho. Tenho um horário a cumprir, e o cumpro. Quando posso ajudo, e já o fiz várias vezes. Mas segundas por vezes me dão arrepios, pois é sempre nesses dias que tentam mudar os meu planos.

domingo, 14 de junho de 2009

Insubordinação Masculina


Como é difícil gerenciar os homens, se mais velhos então ufa é quase um teste de tolerância súbita. Quem disse que “experiência” é sinônimo de “competência”. E melhor ainda se somos o sexo frágil há algo de errado em sermos profissionais de “punhos fortes”?! Tudo tem que ser em dobro se for feito por uma mulher, as regras tem que ser duplamente fiscalizadas, as ordens triplamente pensadas e os erros?! Nossa... esses então não podem sequer existir. O dia de hoje foi marcado por uma insubordinação que faz refletir o porquê de atitudes assim, o porquê das perseguições... e de algumas pessoas terem que questionar sempre na tentativa de atingir as outras. Não, não é fácil ser mulher, a real verdade é que somos muito mais fortes, talvez nem sempre sejamos tão racionais mas isso nada tem a ver com a nossa fortaleza. Para ser emocional é necessário sermos mais corajosas, mais fortes do que qualquer homem que nos espreite por aí. O recado é: “que não nos abatemos pela rigidez masculina” às vezes; ela é prova suma da auto-afirmação e nós mulheres temos muito menos necessidade disto. As aparências enganam ... e como enganam! Há muitas dúvidas, inseguranças e ansiedades por trás daqueles ternos impecáveis e “nós” de gravatas perfeitos. As chefias femininas estão cada vez mais firmes e surpreendentes e isso ás vezes incomoda.


Thacia se sente em um momento de testes, de provas e expiações mas ainda vibra, ás vezes se cansa dos testes e das pessoas maldosas... mas com um simples sorvete de amora ou mesmo uma caminhada ao vento, recupera todas as forças.

sábado, 13 de junho de 2009

O Jeitinho Brasileiro

Dizem que o brasileiro tem um jeitinho especial para encontrar soluções para tudo. Um atalho, na maioria das vezes.

Particularmente acredito que o tal jeitinho brasileiro é um tanto complicado.

Uma expressão na verdade significa uma intenção completamente diferente daquela que se quer comunicar.



“Passa uma hora lá em casa pra tomarmos um café e colocarmos o papo em dia”.

Hahahahaha, está de sarro com a minha cara?

Um estrangeiro entenderia esse convite como algo real e provavelmente ligaria dali uns dias para saber se aquele dia era apropriado para o tal café mais conversa.

Se liga gringo. Na língua da tribo tupiniquim, uma hora é nunca, sacou?

O cidadão que disse isso só o fez porque quis ser gentil e em momento algum gostaria de recebê-lo na sua morada em um futuro próximo. Se assim o quisesse já teria marcado dia e hora, caso contrário, historinha para boi dormir.

Delicadeza? Eu certamente não definiria assim pois todos envolvidos (se brasileiros), teoricamente, estariam a par sobre a verdadeira intenção do interlocutor .

O mesmo serve para as mais variadas situações, assim como aquela famosa entre os casais:

- “O que houve amor, está tudo bem”?

A namorada responde com a maior cara de bunda: “NÃO FOI NADA!”

Nada uma pinóia, ela está muito p da vida com alguma coisa que o cara fez ou disse mas mas prefere “se fazer de morta” para saber qual é a reação dele e se ele vai começar a tentar se explicar.

Dá para complicar menos por favor?

Tente fazer perguntas quando quiser saber algo ao invés de tirar suas próprias conclusões.

Se coloque no lugar do outro.

Compreenda mais, cobre menos.

Tão mais simples seria se fôssemos honestos o suficiente para comunicar de maneira adequada nossa real vontade.

Não é necessário ser rude. É possível sim ser direto de uma maneira gentil.

Sim, é possível... Impressionante, não é?

Os alemães são pródigos nisso e eu tenho um diplomata em casa que só diz o que pensa. Simples, bem simples.

Dizem que em uma comunicação entre duas pessoas somente 60% do que é dito é apreendido. Acho que o cálculo se baseia na comunicação simples e direta. Qual então seria a percentagem em um diálogo em que a mensagem tem que ser entendida através do que não é dito? 20?

5 anos se passaram desde que deixei Porto Alegre.

Muitas saudades ficaram, mas certamente uma delas não é a maneira complicada que o brasileiro escolheu de se comunicar com os seus.

E a por falar nisso, desde quando jantar marcado as 20hs passou a ser as 21:30hs?

“Lil escreve aqui aos sábados e hoje particularmente irritada com a falta de objetividade e pontualidade brasileira. E considera esses um dos motivos pelo qual há muito desperdício de tempo e porque as coisas se arrastam no país que apesar de tudo, ama.”

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Minha Alma

A Alma Imoral

Conheci a Clarice Niskier no mesmo dia em que conheci o Domingos de Oliveira. Então, pra mim eles são quase uma coisa só. Mulheres de 40, Amores, Separações, apesar de provocarem reflexão, são filmes leves, também provocam risadas. Não conseguia imaginar a Clarice Niskier em uma peça que não fosse do Domingos de Oliveira e, principalmente, numa peça densa. Tive que pagar pra ver. Meninas, babei. A peça é simplesmente fenomenal. Aquele Prêmio Shell não foi de graça. A palavra é brainstorm. Vou precisar de meses pra tirar algumas conclusões. Rabino Nilton Bonder, vou ter que ler seu livro umas quinze vezes. E tenho certeza de que não vou me arrepender.

**************************************************

A Alma Egoísta

Minha avó sempre foi uma espécie de segunda mãe. Quando minha mãe queria me dar uns tapas, era pro lado da minha avó que eu corria. Aí ela me segurava pra minha mãe me dar os tais tapas! Certamente eu merecia! Ela só aconselhava minha mãe a não me dar tapas, mas sim chineladas porque senão ela apanhava também. Instintivamente vovó conhecia a 3ª Lei de Newton. Mas agora minha avó está com oitenta e sete anos, doente, há quinze dias no CTI. A gente tava quase saindo no tapa pra poder visitá-la. Ontem à noite eu fui lá. A infecção não cede nem a pau, mas ela está mais consciente. Tanto que tentou arrancar a mangueira do oxigênio duas vezes. Não deu pra segurar. Abri o berreiro quando vi aquilo. Mas acabei ficando feliz de ver que ela estava, em termos, melhorando. Mesmo eu sabendo que se minha avó voltar pra casa, ela vai voltar pior do que quando saiu, eu quero que ela saia. Definitivamente, o ser humano é muito egoísta.

***************************************************
A Alma Sonhadora

Há doze anos eu voltei da Tailândia. Há doze anos eu sonho em voltar, em rever minha família. Há doze anos eu sonho em ter certeza de que aquele ano não foi um sonho, que foi real. Esta semana, mesmo não tendo voltado à Tailândia, eu realizei parte do meu sonho. Minha prima tailandesa está lá em casa com o marido. Pudemos conversar um monte, lembrar de muitas coisas, muitos momentos, muitas pessoas. Pude ver que ainda consigo falar tailandês! Melhor, consigo entender, o que é mais difícil. Sábado iremos à Ouro Preto e domingo iremos ao Rio de Janeiro. Ela e o marido querem conhecer o Patrimônio da Humanidade e a Cidade Maravilhosa. Ambos sonhavam em conhecer o Brasil. Eu sonho em voltar à Tailândia. Agora eu tenho certeza de que aquele ano foi real.

Laeticia acha que esta semana foi muito cheia de emoções.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Partes de mim

Ontem ouvindo Lavoura – cantada pelo Ney Matogrosso e pela Roberta Sá – me peguei pensando na passagem: “sei que o destino do amor é sempre a despedida”.

Confesso que em primeira instância minha experiência pessoal encontra conforto nessa afirmação. Me faz sentir menos só.

Afinal, eu também já compartilhei da obsessão do Renato Russo e me apaixonei todo dia. A questão é que nenhuma dessas paixões acabou em algo diferente de uma despedida.

Considerando – de forma muito, muito simplista, eu admito - que todo grande amor tem sua origem em uma paixão, despedi-me de muitos grandes amores.

Alguns se foram de mansinho. Daqueles que um dia a gente acorda e ele não está mais lá.

Outros se foram querendo ficar, e deixaram atrás de si o rastro amargo da ausência e da impressão do que poderia ter sido e não foi.

Mas sem sombra de dúvida, todos se foram.

Refletindo sobre a efemeridade e a temporariedade do amor na minha vida, sempre me parto em duas.

Parte de mim é feliz porque já conheceu um grande amor. Alguns, na verdade. Daqueles de perder o juízo. Daqueles que a gente chega a sentir dor física quando da ausência do ser amado. Daqueles que nos fazem ter certeza de que nada está no lugar certo a não ser que estejamos juntos. Essa parte de mim guarda essas memórias como um tesouro. Doam onde doerem.

Por outro lado, a outra parte ainda espera um amor maior do que os que passaram. Um amor que me faça acordar no meio da noite simplesmente porque invadiu os meus pensamentos. Um amor que me encha os pulmões e a alma. Um amor que dure mais de um dia, um ano, uma vida.

Claro que nenhuma dessas partes admite ceder espaço para a outra, e a angústia de uma mente dividida constantemente só é suportável quando considero verdade a velha analogia:

“O bem e o mal existem dentro de você em partes iguais. Qual crescerá? Aquele que você alimentar”.

Milena escreve aqui às quintas. Não sabe se deve alimentar o contentamento ou o anseio.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Escolhas de gente grande

Sempre achei que quando crescesse as coisas seriam preto-ou-branco, quero-não-quero, gosto-não-gosto, vou-não-vou. Mas não, cá estão meus primeiros cabelos brancos e fazer escolhas ainda é um tormento dos mais angustiantes.

Adoro ganhar bijuterias, blusas, bolsas, só pelo fato de que quando eu gostei do presente, além do mimo, não tive que ficar eu mesma um tempão para escolhê-lo na loja. Será que é hora de casar, mudar de casa, ter um filho? E de mudar de emprego?

Sempre achei que seria muito fácil largar um emprego que fosse um horror e partir para outro. Mas na vida real empregos simplesmente não são horrorosos. Mas também nem sempre são lá aquilo que esperávamos, ou nossa satisfação é que não é tão grande, mesmo fazendo o que escolhemos e gostamos. Não é insuportável acordar todo o dia e ir trabalhar, mas voltar pra casa todo dia P da vida com muitas picuinhas do trabalho é frustrante. É frustrante perceber que nosso antigo conceito de realização profissional, da época da faculdade, é ingênuo e tolo. Considerávamos apenas a atividade per se: pensávamos que se estivéssemos exercendo de alguma forma digna a profissão que escolhemos, seria suficiente para enchermos a boca e dizermos o quanto nos sentimos realizados e privilegiados, frente a tantos que trabalham para viver.

Quem disse que tínhamos condições de prever que ter um trabalho legal seria quase tão importante quanto a qualidade de vida que conseguimos nos proporcionar com ele? É claro que a grana conta: não resolve, mas facilita. Mas ainda não é tudo. De que adianta viver para trabalhar? De que adianta um emprego razoável, mas que nos toma as horas que sobram do dia com transporte, congestionamento e estresse? Ou um lugar onde você é obrigado a comer bandejão, sendo o tempero num dia larva, e no outro, pedra, quando você achava que já havia chegado a hora de poder escolher o que comer? Ou então, onde você é explicitamente explorado, sendo o resultado do seu trabalho claramente apropriado por outrem? Ou quando você não é compreendido, e seu esforço em fazer o melhor possível é interpretado como dificuldade, e sua independência como arrogância? E quando você, que sempre acreditou que se cada um faz a sua parte as coisas andam, os projetos florescem e até o mundo melhora, percebe que a cultura generalizada não é essa, mas sim a do “se dar bem”, seja às custas do que, ou de quem for? E se você percebe que o trampo é show, mas também consegue ver o potencial que teria de ser muito, muito melhor, e sabe que ele não vai mudar, e que isso independe de você? E se você tem que trabalhar com pessoas sem escrúpulos, sem educação, sem tato, ou que não tomam banho? E se você faz o que gosta, mas não ganha o que sabe que merece? E se você tem que bater cartão todo dia, todo dia, e mora em algum lugar onde tudo fecha na mesma hora que seu trabalho termina? E se você, quando olha em volta, não enxerga as muitas outras oportunidades que sempre teve certeza que estariam lá esperando por você? E quando você percebe que seus conceitos de ética estão mudando mesmo se você não tem certeza de que os novos são corretos? E se você desaprende a desligar a cabeça, por ter tanto dentro dela, e acaba ficando meio lelé? E se você fica doente de desgosto?

É lógico que nenhum trabalho é tão ruim, mas é certo que todos possuem muitos destes elementos desconhecidos para nós, pobres sonhadoras mais ou menos iniciando suas vidas profissionais. É lógico que em qualquer lugar teremos dias ótimos, conheceremos pessoas que valem a pena, nos sentiremos recompensadas, valorizadas e realizadas eventualmente, seja fazendo faxina, pilotando um avião, ou sentada em uma mesa de reunião. É lógico que é justamente tudo isso o principal cenário que nos faz pipocar no óleo fervendo do panelão que é a nossa vida e ter a oportunidade de tentar exercer aquilo que acreditamos que somos, como pessoas, e não como profissionais.

Mas qual é o nosso limite de aceitação? Quando é hora de dizer chega e se mexer de verdade para mudar? E se eu tiver desperdiçando o meu talento, achando que tenho que exercer a todo o custo a profissão que um dia escolhi porque era uma pessoa muito criativa, mas deixando de ser feliz de verdade, trabalhando apenas com arte em sapatos? E se na outra empresa a comida é boa, mas o chefe é um horror? O salário é bom, mas terei que morar num lugar pior? E se eu falir no primeiro ano ao abrir uma empresa para tentar ser mais independente? E se em outro país os direitos do trabalhador forem muito melhores mas eu não agüentar o fato de ser eternamente um estrangeiro? E se eu mudar tudo, virar meu mundo de pernas para o ar, e no fundo, continuar tudo a mesma coisa?

E aí, o que fazer? Não dá para voltar a ser gente pequena e sonhar de novo em ser astronauta?

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Acha que escolher é tão difícil que, inclusive, andou percebendo que perde um tempão tentando fazer escolhas de problemas que ainda nem existem, e que muitas vezes simplesmente nunca virão a existir.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Eu quero um clone

Eu quero um clone pra trabalhar enquanto eu faço as unhas!

Pra atender cada um dos meus 37 alunos (daí seriam 37 clones e eu pra coordenar)!

Pra ficar ir trabalhar enquanto eu fico quentinha embaixo das cobertas.

Pra fazer os pareceres enquanto eu converso com minha filha e ouço com calma as coisas dela.

Pra fazer ligações importantes enquanto eu separo briga de aluno.

Pra fazer meu trabalho enquanto eu volto pra academia, como direito, me curo da anemia...

Pra tomar banho no inverno enquanto eu fico mais 10 minutinho na cama!

Pra sentir meu cansaço enquanto eu tenho pique pra mais um, dois, três turnos!

Pra me substituir e eu poder dar atenção à quem precisa de mim!

Pra cuidar dos meus alunos enquanto ajudo na secretaria.

Pra cuidar dos meus alunos enquanto eu cuido dos meus alunos! Hehehe!

Eu quero um cloneeee!

 

E fica instaurado agora o MSC (Movimento dos Sem Clone)! Quando tivermos mais que 5 membros, já podemos pensar no estatuto e na organização e na demanda...

Bom, deixa isso pra quando eu tiver um clone, ok?

Renata está cansada. E pequena. E sozinha. Não triste, cansada.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Falar é sempre mais fácil

E disseram a ela, mais uma vez, você tem que estudar mais,
que trabalhar mais, ganhar mais, e, principalmente, gastar menos.

Outros ainda se aventuraram,
não esquenta a cabeça, vai dar tudo certo, isso é paranóia sua.

E por fim, mas não finalmente,
você deve ir mais a ginástica, beber menos, comer menos, sair menos.

Ficou pensando por que não disseram logo,
viver menos?

Pois já sabia de tudo, não estavam nem certos e nem errados,
nem mínimos ou máximos, apenas sabia desde sempre,
assim como se sabe o que é certo ou errado.
Mas sabia também que falar é sempre muito mais fácil.


Há muito tempo abandonei os discurssos, ou faço ou não faço. E se não dou conta não reclamo, mas tento de novo, pois usualmente quem fala demais, faz de menos e passa a vida dando conselhos que não segue. Como aquele velho ditado "cão que late não morde", pois o que morde não avisa, chega no silêncio e faz.

domingo, 7 de junho de 2009

Sonhos de um fim-de-semana de inverno

Naquela manhã acordei de conchinha, não sabia ao certo onde estava. Antes de abrir os olhos, pelo cheiro sabia que não estava entre estranhos. Mas pelo barulho do vento lá fora parecia que fazia frio através dos cobertores. Não queria me mover temendo o frio. Descobri a cabeça e vi belas paredes de adobe, janelas grandes, baixas, daquelas que foram feitas pra sentar muita gente. Havia pouca luz, mas certamente já era dia lá fora.

De pé, na sala da linda casa de paredes de adobe me deparei um uma imensa janela de vidro que dava vista pra um paredão de pedra de beleza indescritível! Ainda meio sonolenta, abismada com tanta beleza, não sabia se tudo aquilo era real. Minhas costas se aqueciam com o calor que vinha do fogão de lenha aceso no centro da sala-cozinha. Nele sempre tinha um bule com água quente pro chimarrão (sim, alguns mineiros gostam de chimarrão!). Rodeada de poucos novos e velhos amigos saboreava o chimarrão contemplando o mar de montanhas a perder de vista. Enquanto isso o café era coado em coador de pano, o pão-de-queijo feito por uma legítima mineira (euzinha) começava a cheirar no forno e laranjas frescas colhidas a pouco do pé perfumavam a linda casa de paredes de abobe. Parecia o cheiro do paraíso (embora nunca tenha estado lá). Na mesa queijo branco bem mole, morangos e bolo. Ao fundo, sempre musica de bom gosto, faziam a trilha sonora perfeita para cada momento.

Não dava pra contemplar aquela beleza só de longe. Era preciso sentir a energia que vinha daquele chão. Depois de algum tempo caminhando pelo mar de montanhas, enfim as cachoeiras. Muitas, para todos os gostos. Mas só os corajosos e as piscianas teriam coragem de entrar naquelas águas geladas, como um banho de descarrego, revigorante! O sol dessa época do ano não queima, abraça.

De volta à bela casa de paredes de adobe, banho quente e todos a postos para ver o espetáculo do sol se pôr e o nascer das estrelas. A noite não tinha lua, mas pra compensar as estrelas eram muitas, milhares! Não imaginava que existiam tantas! Parecia que estava mais perto do céu do que de costume. Cinco estrelas cadentes, duas garrafas de vinho, alguns chocolates e muitas gargalhadas pra celebrar aquele momento tão especial! No dia seguinte, pé na estrada e de volta a vida real.

A tudo isso retribui com uma muda de jequitibá.

Mariana escreve aqui às vezes e tem achado a vida chata ultimamente. Mas é surpreendida com momentos de perfeição, que faz ela ter certeza que a vida vale a pena.

sábado, 6 de junho de 2009

As mulheres de 30 - Por Mário Prata



O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos.

Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.

Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!

A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo. A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.

O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia. A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?

Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.

São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam. Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'. Ponto. Pra elas.

“Lil escreve aqui aos sábados e amou o texto do Mário Prata. Infelizmente assume aqui que ainda não leu o referido livro de Balzac mas que esta é sua resolução do mês de Junho. Me cobrem!!!!”

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sonhava

Provavelmente ela era só uma menina quando descobriu que podia sonhar acordada. Não que ela se lembre de algum dia ter sido diferente. É como se esse “dom” fosse parte dela desde sempre. 

Fantasiava histórias que poderiam ser verdade, histórias que podiam acontecer com qualquer pessoa normal. 

Mas também fantasiava sonhos impossíveis. Contos de fadas. Histórias de terror. Histórias de amor. 

Em momentos muito difíceis, fantasiava. E sentia como se pudesse fugir. Refugiava-se no aconchego de seus próprios sonhos, e sentia-se confortável, aquecida e segura. 

Sonhava. 

Construía personagens, imaginando sua aparência e personalidade, seus gostos e desgostos, suas alegrias e decepções. 

Imaginava cenários, lugares fantásticos com beleza e mistério, onde as histórias aconteciam. 

Histórias sem fim, obviamente, porque geralmente sua imaginação ficava fora de controle antes de chegar a qualquer lugar coisa meramente parecida com uma conclusão. 

E entre um mundo e outro a vida passava. 

E a menininha cresceu. Um triste dia esqueceu-se que podia sonhar. Esqueceu-se que tinha o poder de criar um outro mundo, com tantas cores, cheiros e gostos, ali na sua imaginação. 

E virou uma adulta. Com os dois pés no chão e a cabeça “no lugar”. 

Milena escreve aqui as quintas. Esse texto não é autobiográfico, já que ela não tem nem um dos pés no chão, quem dirá a cabeça no lugar =)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Meu tempo é meu!

Sorte de hoje: Envelhecer não é tão ruim quando se pensa nas alternativas.

Acreditam??? Ninguém merece essa sorte do dia! E ainda li no jornal de hoje que o envelhecimento começa aos 27 anos! Sério?!

Tudo bem, eu sempre achei que a gente começa a envelhecer ao nascer, mas essa era uma visão meio romantizada, misturada com crescimento.

Mas parece que hoje o universo tirou pra me lembrar de que o tempo passa, que não para nunca...

E parece que cada vez passa mais rápido, mais rápido, mais rápido... o tempo é um tema recorrente neste blog, mas que não se esgota jamais.

Todo mundo me fala que eu não tenho mais tempo para nada, nem ligo pra ninguém, nem pra jantar nem nada. E realmente me sinto assim.

Deve ser a TPM aliada a esse inverno congelante que tira meu bom humor e boa vontade, pois ando não dando conta de coisas que sempre fiz. Aliás, já vivi épocas nas quais eu fazia ainda mais coisas do que hoje. E dava conta.

Acho sinceramente acho que tempo é algo misterioso, pra Einstein entender e explicar, mas acho que no NOSSO tempo a gente tem alguma influência, e pode, sim, fazer tudo o que acha realmente importante, desde que com certa organização. Claro, é preciso saber separar o estritamente necessário, o urgente, o indispensável, o desejável, o inadiável...E assim poder administrar melhor o tempo.

Então, ao invés de me entregar aos clichês de que o tempo passa, o tempo voa, o dia é curto, blá, blá, blá, escolhi um novo slogan: Meu tempo é meu!

Renata escreveu um texto curtinho pra poder ir dormir mais cedo, porque ambas atividades são importantes em sua vida!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Melhores Juntos


A música assim já o dizia,
eram melhores juntos.

Pensou em várias maneiras de escrever uma cartinha,
de amor, de boas-vindas, de carinho.
Mas não conseguiu achar melhores palavras do que aquelas,
repetidas desde o início pela música que ouvia.

Percebeu que tudo era mais bonito,
mais feliz, combinado e coordenado,
quando estavam juntos.

E que nessas horas vemos que palavras nem sempre são suficientes,
se o que dizem é verdade,
que o amor é a resposta,
então ela sabia, não era necessário dizer mais nada.

Novos dias, novas manhãs,
desde que estivessem assim,
sentariam sim, debaixo da goiabeira,
olhando o tempo e as vacas passarem.


A música em questão se chama "Better Together", do Jack Johnson. Ouvi para dar uma aula e gostei, tive vontade de escrever sobre ela ou, melhor seria, inspirada nela.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Filho (s)

Sei que te aguardo desde que sei que existo.
Sei que você é sempre a melhor parte de mim.
Sei que você me conhece, assim como eu te conheço.
Sei que te amo desde que você é.

Sei que você vai ter medo de escuro.
Sei que você vai superar.
Sei que você vai confiar em mim.
Sei que eu vou viver pra você.

Sei que vamos ler fantasias juntos.
Sei que vamos lutar contra o sono.
Sei que vamos nos orientar um pelo outro.
Sei que vamos brincar.

Sei que eu lembrarei minha mãe.
Sei que você me lembrará.
Sei que eu e você seremos, um dia.

Milena escreve aqui às quintas. Essa semana pensando muito na relação mãe-filhos pôs pra fora alguns pensamentos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Eu Sei

Eu sei que tu me amas não quando tu falas isso em voz alta, nem quando me trás flores. Eu sei que tu me amas quando fecha os olhos e suspira, quando eu te abraço calada; quando aperta minha mão em alguma situação que sabe que me machuca e que naquele momento eu não posso fazer nada; quando faz muito barulho ao acordar mais cedo para eu estar também acordada e quando me trás café na cama quando o barulho não funciona; quando não reclama do meu barulho à noite, depois que tu já estás dormindo, pois sabe que eu não consigo dormir; quando não reclama do pé gelado que tuas pernas aquecem todas as noites do inverno; quando tu dormes suando rodeado de edredons, mesmo no verão, só por minha causa, quando me sacode com gentileza para eu não acordar assustada quando tenho pesadelos; quando cala ao ouvir barbaridades de minha mente em TPM; quando me ataca de surpresa e prova que conhece cada milímetro do meu corpo; quando presta mesmo atenção no meu longo e tedioso raciocínio sobre algum significado qualquer da vida enquanto corta cebolas; quando me faz lembrar o lado bom de algo que só estou vendo com óculos de tempestade; quando me faz parar um pouco e esquecer dos “tenho-que” que me assombram a todo tempo; quando me cutuca quando vê um bebê fofo; quando faz a janta para que eu possa ter tempo de treinar no violão; quando teu rosto se ilumina por eu estar contente com um motivo qualquer.

Eu sei que te amo não quando penso em dizê-lo. Eu sei que te amo quando espero ansiosa pelo fim do dia para estar contigo; quando suspiro, grata, em teus braços ao chegar em casa exausta; quando tu fechas o livro que leio e se aconchega pedindo um cafuné; quando percebo imediatamente que algo que eu disse te magoou e desejo então morrer fulminada; quando deito na curva do teu braço e vejo que ali encaixo perfeitamente; quando me preocupo ao te ver muito calado; quando necessito tentar te distrair, e te fazer rir, se eu percebo que o peso do dia ficou grande demais para ti; quando fico tão orgulhosa com algum sucesso teu, seja pequeno ou grande; quando meu coração aperta ao ver o tamanho do teu coração; quando acho graça de alguma rabugice tua, e mais graça ainda quando te antevejo como um velho rabugento; quando divido o último pedaço de chocolate contigo, mas nem sequer ofereço o que eu já sei que tu não gostas; quando sinto o teu cheiro, do início do dia, de barba feita, ao fim do dia, do homem que eu escolhi; quando te vejo passar de bermudas, quando não canso de imaginar teu rosto da porta da igreja (mesmo que este evento nunca antes tenha sido um grande sonho pra mim); quando tu não sabes o que dizer ao me ver chorar, mas me abraça muito forte; quando não consigo imaginar minha vida, sem nela ver você.
 
Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Grata pelo amor em sua vida (valeu a inspiração no blog, gurias).

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Passando para frente


A dar o que não se usa mais, desde criança Anastácia havia apreendido. Por vezes reclamava, especialmente no Natal, quando aguardava ansiosamente por outra boneca para fazer companhia a sua boneca antiga, e, contudo, a antiga tinha que ser passada para frente, uma vez que muitas crianças não possuiam nenhuma e ela não iria, portanto, manter as duas, e isso foi acontecendo com todas as outras coisas também, e assim por diante.

Com o passar dos tempos Anastácia percebeu que era assim que deveria ser, era o certo a se fazer. Coisas antigas, roupas guardadas sem uso, briquedos a mais, livros já lidos, cds que não eram mais apreciados, em fim, uma infinidade de objetos que com as mudanças dos anos e a construção da personalidade, se deixa naturalmente de gostar, usar, servir.

Agora ela fazia de bom grado, e com uma sensação de leveza, arrumava, experimentava e tinha a certeza - isso vai! Doava para instituições de caridade, dava para amigas e, por vezes, até vendia. Tudo se transformava, renovava, passava para frente, pois ela sabia que com certeza alguém precisaria, ou apenas desejaria o objeto que para Anastácia já não significava mais o que foi um dia. Agora sempre que algo novo entrava, outro tinha que sair, e assim por diante, como havia de ser.


Silvia escreve as segundas-feiras, vez ou outra, apenas passando pra frente.

domingo, 24 de maio de 2009

“Simonal: Ninguém Sabe o Duro que Dei” - Vale a Pena Assistir!


Verifricando o que passava nos cinemas da cidade essa semana, vi que o documentário “Simonal: Ninguém Sabe o Duro que Dei” estava em cartaz. Como história sempre me interessa, e ainda mais quando é relativa à música brasileira, resolvi conferir o filme.

Foi uma grata surpresa a qualidade do documentário, o cuidado em ouvir os dois lados da história que levou Wilson Simonal da glória ao esquecimento. Afinal, Simonal era um ídolo das massas na década de 1960 e início de 1970. Aí aconteceu um incidente com seu contador, que foi levado ao DOPS, a pedido do Simonal, por suspeita de roubo, e a classe artística passou a associar Wilson Simonal ao DOPS e à ditadura militar. A partir daí, todos viraram a cara para o artista, que passou décadas esquecido. 

O que o documentário mostra, com muitos depoimentos e com muita propriedade, é que, em períodos de sofrimento, repressão, violência, tende-se a separar o mundo entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, e não há meio termo. Assim, se você não se posiciona contra, obrigatoriamente você é a favor. E, numa situação radical como essa, a única coisa que se produz de verdade é intolerância!

Precisamos rever nossos conceitos, observar com calma tudo o que ocorreu na história de nosso país, compreender que, por mais duro que seja, o período militar não foi feito de mocinhos e bandidos, e que mocinhos e bandidos sempre existiram de ambos os lados. Precisamos ser menos intolerantes com a vida, em qualquer época, para evitarmos transtornos e confundirmos democracia com irresponsabilidade! 

Assistam ao filme, sem julgamentos prévios, e prestem atenção ao momento em que vivemos. Vale a pena refletir!

Tania acredita que a história é contada por quem está no poder. E acredita que é preciso ter cuidado com essa história, em qualquer tempo, em qualquer lugar!

sábado, 23 de maio de 2009

Resposta ao Anúncio


Prezada Sra Krist, 

Venho por meio deste candidatar-me ao cargo pela senhora publicado em anúncio recente. Creio que meus requisitos serão de inestimada valia. Tenho experiência, boas referências e ofereço: 

• Consultoria nos setores de entretenimento, gastronomia, educação, decoração e sociabilidade;
• Gerenciamento de atividades; 
• Atualização em recursos disponíveis internacionalmente; 
• Tradução trilíngüe; 
• Acomodação gratuita no exterior e por tempo indeterminado; 
• Desafios constantes impostos por iguais que apresentam adicional experiência (2 anos e meio no mercado, especificamente); 
• Ampliação dos horizontes provincianos (Portoalegrenses sabem bem o que quero dizer); 
• Cultura geral e treinamento em respeito pela cultura de outrem (idem); 
• Aconselhamento nas áreas turísticas, geográficas, enológicas (yep!, na teoria), lingüísticas, sociais e auditivas; 
• Peças e acessórios modernos em bom estado e pouco uso com o adicional benefício de não ter custo;
• Admiração em tempo integral, afinal o cliente sempre tem razão; 
• Abraços, beijos, afagos e upas infindáveis; 
• Amor incondicional para todo o sempre; 
• Garantia de qualidade do serviço pelo tempo de vida do consultor; 
• E de quebra, uma prima australiana que é um luxo! 

Advirto que a distância não possibilitará a presença constante mas asseguro que não medirei esforços para sobrepor este pormenor de maneira eficaz. Trago a sua atenção que meus serviços serão de maior contribuição que outras cópias de valor inferior que poderás encontrar em sua área. 

Além disso tenho a obrigação de salientar que há severos riscos de desprendimento das raízes visto que uma vez exposta a esta vasta gama de estímulos e interesses a cliente em questão será culturalmente enriquecida e portanto provavelmente não terá vontade de retornar às suas raízes. Difícil decisão, eu sei. Mas criamos os filhos para o mundo, não é mesmo? 

Atenciosamente, 
“A Dinda”  


“Lil escreve aqui aos sábados e vem por meio deste “sutilmente” candidatar-se a madrinha da Clara. Calma, a mãe da Clara não lê esse blog e portanto não tomará nenhuma decisão influenciada por este texto. A propósito, alguém se habilita a mostrar o texto pra ela???? :-) ”

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Demonstração Tola de Ciúme e Territorialismo


Casamento de amiga é sempre muito bom, né? Vestidos, anéis, brincos, pulseiras, sapatos, bolsas, maquiagem, cabelo, presentes e chá de putaria. Hein? Alguém disse chá de putaria? Sim, sim!! Chá de putaria, cachaça de panela e congêneres. Apesar de algumas moçoilas finas ainda fazerem - no meu caso, especialíssimo, ganhei!! - chá de panela, a moda há algum tempo é inovar. Afinal, se os rapazes sempre puderam se enfiar em casas suspeitas, porque é que nós não podemos pelo menos falar bobagens à vontade, regadas a algum alquinho? Sim! Porque o fato de querermos inovar não significa que perdemos a compostura. Não significa que perdemos nossos princípios ou esquecemos os ensinamentos de mamãe (devidamente peneirados pelo senso crítico que, mulheres modernas, desenvolvemos).

Então que minha amiga resolveu fazer um chá de putaria numa boate gay. Boate gay é ótimo, né, gente? A gente vai, bebe, fica chapadinha, ri horrores sem que nossos machos se sintam ameaçados. Só que fomos informadas de que na boate gay que conseguimos rolava baixaria. E a idéia não era fazer baixaria. Afinal, quem é que vai querer, além de fazer baixaria, fazer baixaria em público, com inúmeras testemunhas munidas de aparelhos celulares cdotados de câmeras?! Descartada a idéia da boate gay.

Alguém sugeriu fazer o chá de putaria numa sex shop bacanésima, finésima, no bairro de Lourdes, o mais tradicional de Belo Horizonte. A Non Santa é um lugar fino, de extremo bom gosto e, conseqüentemente, CARO!! Enfim, amiga da gente não casa todo dia e resolvemos investir SETENTA E SEIS REAIS per capta no chá de putaria da menina.
Eu estava toda empolgada e já pensando uma forma de convencer o maridão de que é ABSOLUTAMENTE NORMAL as amigas se reunirem numa sex shop finésima pra beber champagne, comer belisquetes Célia Soutto Mayor, enquanto um rapazinho cheio de saúde doa as vestimentas pro pessoal que perdeu tudo na enchente do Maranhão quando chega o e mail catastrófico.

"Meninas, algumas de nós estão meio sem grana e como a idéia é que todas participem, achamos melhor mudar o local. Nossa festinha será NA SUÍTE MASTER DO MOTEL X e o esquema é basicamente o mesmo. Só que mais barato, blá blá blá."

Alguém aí pode me explicar como é que euzinha, que sequer tinha falado pro maridão que ia ter chá de putaria e não o tradicional chá de panelas ia repentinamente dizer: olha, marido, o chá de panela da fulana, na realidade, será um chá de putaria e vai ser no motel, onde haverá um stripper pra gente ver enquanto bebemos champagne?! Detalhe: eu já havia há muito tempo me manifestado radicalmente contra este negócio de despedida de solteiro em boate de puta, porque homem, quando a cabeça de baixo começa a funcionar, a de cima já perdeu completamente a irrigação!!

Fiquei lá naquela ginástica mental, pensando como é que eu ia sair daquele rolo quando, antes de eu achar uma solução, chega o Bola, inocente.

Gatinha, o fulano me ligou. Sabe o que ele me chamou pra fazer? Disse que a despedida de solteiro do sicrano vai ser na boate de puta tal e que contava com a minha presença. Eu fui logo falando que não tinha a menor chance de eu ir. Além do mais, eu não ia fazer a besteira de abrir um precedente destes, porque eu te conheço!!

Aí, fodeu! Porque eu confesso, meninas, que eu tava afim de ir, viu? Primeiro porque eu sinceramente não consigo imaginar esta situação fora do contexto da piada. Segundo, porque eu não sou adepta do sexo casual, que dirá sexo pago (no dia que eu tiver que pagar alguém pra isso, dou um tiro no côco). Terceiro, porque até a nossa amiga mais quietinha ia, uai!!

- Bola, a festa da fulana não vai mais ser na sex shop.
- Ah, que bom! Vai ser aonde?
- Vai ser na suíte master do motel Forest Hills.
- O QUÊ?!! EU TENHO CERTEZA QUE VAI TER HOMEM PELADO NESTE NEGÓCIO!! E se é que a minha opinião vale alguma coisa, eu preferiria que você não fosse.
- Mas Bola, que bobagem, é só piada! A gente vai pra rir!
- Rir vocês podem rir em qualquer lugar, não precisa ser no motel, né? Minha opinião tá dada.
- Eu não sabia que tinha casado com um homem machista.
- Gatinha, eu sou menos machista que 99% dos homens, MAS EU AINDA SOU HOMEM!!
- Isto está me parecendo um ataque de ciúmes.
- Quer saber? ISTO É SIM UMA DEMONSTRAÇÃO TOLA DE CIÚME E TERRITORIALISMO!!!

Laeticia achou isto tudo muito engraçado, não foi ao chá de putaria da sua amiga, mas não se arrepende porque não acha que valha a pena brigar por causa disso e sabe que sua amiga entendeu.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Coisas a lembrar quando estou preste a explodir

Quanto tempo eu levo para pensar em alguém que está numa situação pior?

Em um lugar do passado eu quis muito estar onde estou hoje.

Como é que outras pessoas conseguem passar por isso sem se descabelar?

A língua é chicote da bunda.

Antes de falar, ter certeza de que a palavra vale mais a pena do que o silêncio.

A fúria enruga a cara, engorda e envelhece. E quem vai pagar pelos tratamentos sou eu.

O mundo não é justo e pronto.

Do quanto me sinto bem quando consigo seguir fazendo o que eu acho certo mesmo quando o que eu queria mesmo (e às vezes até poderia) era simplesmente dar o troco.

Que quando não há mais proximidade, cumplicidade, amizade, onde já existiu, a memória colorida do que foi vale mais a pena do que a mágoa do que deixou de ser.

Respirar. Fundo e devagar. Tem gente dando a vida por isso (literalmente).

Do cheiro de terra molhada no início da chuva.

Da felicidade do cão peludo apenas por estar no meu colo.

De uma noite gostosa e inesperada com amigos.

De rir até doer a barriga quando acordar no dia seguinte.

De risada de criança.

De coçar os olhos com a toalha depois do banho.

De cheiro de loção pós-barba na pele que quero na minha pele.

Que eu fico mais bonita quando estou tranqüila.

Que meus dias e noites rendem muito mais quando estou em paz.

Que amanhã é outro dia, e é melhor que ele comece leve e fresco como eu deveria estar. 
 

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Respirando fuuuundo, fuuuuundo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A semana em que eu perdi a fé na humanidade

Sério. O título é sério.

Foi um sentimento que já passou, graças a Deus. Mas que foi forte.

Como vocês sabem, dou aula em uma escola da periferia. Se eu contasse em detalhes um dia, apenas um dia, vocês também perderiam a fé.

Mas agradeço sempre por ter uma filha iluminada, uma ótima família e por trabalhar com pessoas de bem e ter alunos muito bons. Porque, sem isso, eu estaria anda sem fé na humanidade.

Em uma semana em que tudo parece dar errado, recebo o e-mail que fala da lição da terra. Fala de um cavalo que caiu dentro de um poço e o dono, não sabendo como tirá-lo, decidiu enterra-lo vivo. A cada pá de terra que jogava, o cavalo sacudia e pisava em cima. Quando o dono percebeu, o cavalo estava fora do buraco.

Vou fazer isso, sacudir e pisar em cima. Até porque meu estômago já anda reclamando, e para dentro não posso mais colocar estas coisas.

Renata espera que nenhum de vocês jamais perca a fé na humanidade, é desolador.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Três Tempos


Ontem,

Um ótimo dia com amigos,
Churrasco e cerveja,
Música do gosto da gente,
Conversa que só a gente mesmo entende.

À noite,

Arrumação para o dia seguinte,
Segunda,
Academia, médico, aulas,
Receber meu salário que não sei por que cargas d’água atrasou.

Surpresa,

Minhas aulas já estavam preparadas,
Dormi mais do que devia, e ainda assim,
Deu tempo de estudar, escrever, ler e,
Receber mensagem do meu amor.



Até hoje me surpreendo com coisas do cotidiano e com a minha própria surpresa. Usualmente acontece comigo de estar preocupada com algo e quando menos espero percebo que não havia motivo nenhum para tal preocupação. Tudo acaba se encaixando.

sábado, 16 de maio de 2009

Amadurecer

Um dos pontos em se tornar uma pessoa madura é aceitar os outros como eles são, e não como gostaríamos que fossem.

Entretanto, independentemente da nossa compreensão, a situação prossegue sendo frustrante e sempre o será, só que em níveis mais leves a medida que amadurecemos.

A grande questão é aprendermos a trabalhar com a nossa própria expectativa e não nos ressentirmos (tanto) quando não respondidos.

De fato cada um tem suas limitações. Nós temos nossas próprias. E provavelmente desapontamos inúmeras vezes sem nem termos idéia disso.

Tenho percebido uma curva crescente de desenvolvimento neste sentido na minha pessoa. Mas estou ainda tão longe do topo!

Dou muito e inconscientemente espero mais do que deveria.

Quando esses outros fazem parte do seleto grupo de pessoas a quem amo de verdade, lidar com a frustração é bem difícil.

Como perceber que pessoas vitais em nossa vida não parecem ter tanto interesse em nos deixar participar das suas?

Mais especificamente... tenho amigas de infância. Muitos anos há entre nós. Bárbaras influências na minha formação infanto-juvenil. Elos formados que outrora pareciam resistíveis ao tempo, a distância e diferenças socio-culturais.

Não estou mais de corpo presente. Mas sempre de alguma forma perto. Bem perto. Elas participam dos ganhos e perdas, das conquistas e do desenvolvimento da minha filha quase que através de uma lupa.

Recebem fotos, comentários, diários de bordo de viagens.

Não faço a mínima ideia se elas estão de bem com seus namorados, se engravidaram há três meses atrás, se o casamento será em Novembro ou em Dezembro ou se decidiram cursar uma segunda faculdade.

Mal fazem idéia de quão importante seria mostrar a foto da barriguinha crescendo ou a Igreja onde o casamento será celebrado.

E aquele telefonema inesperado com a voz embargada de felicidade quando descobriram que terão uma menina?

Muita história há entre nós e em nome dela tive expectativas de “até que a morte nos separe”, bem como teoricamente uma vez nos disseram ser o matrimônio.

Me questiono porque isso acontece mais com as mulheres do que com os homens. Por quê os homens parecem ser mais amigos quando comparados ao que se passa no mundo feminino? Seria a tal competitividade ou a egocentricidade que fazem que com estejamos tão concentradas em nós mesmas e nas nossas vidas?

Bem, infelizmente a maioria DAS MORTAIS parece achar que amizade só nos serve quando estamos a dividir a sala de aula, os namorados que são amigos ou o bairro onde moramos. Ou seja, apenas situacional .

Estou em uma semana muito irritada com as mulheres e hoje preferiria ter nascido homem!


Lil escreve aqui aos sábados e está tentando lidar com a frustração e o amadurecimento. A falta de fidelidade feminina pode ser uma regra mas ela pensou um dia que aquele era um grupo que fazia parte da exceção!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Excelentíssimo Senhor Frei Frade

Era um sábado normal como outro qualquer quatro amigos se encontraram para comer um bobó de camarão, tomar uma cervejinha e jogar conversa fora. Dois físicos, um químico e um engenheiro, diga-se de passagem.

Durante a sobremesa saiu uma conversa sobre «Frei» sabe-se lá por que. Simplesmente nenhum dos quatro consegue lembrar porque começaram a falar sobre frei. Então veio a tal questão levantada pelo químico. Mas então, qual a diferença entre frei e frade? Disse ele com cara de interrogação.

Um dos físicos metido a enciclopédia começou logo a explicar que Frei era a forma qualificativa para a pessoa do frade.

-Tem a mesma função da palavra excelentíssimo, quando usamos, por exemplo, para o presidente «excelentíssimo senhor presidente» entendeu? Disse ele.

Os outros três nem hesitaram, já aceitaram logo a idéia do físico sabichão.
Começaram então a experimentar com as palavras.

-Ah então é assim ... Excelentíssimo senhor Frei Frade Francisco de Assis.
Disse o outro físico com cara de quem tinha aprendido alguma coisa importante do amigo doutor.

Três segundos depois a ficha começou a cair. Eles começaram a se olhar com cara de desconfiança. -Heim? Caralho que coisa estranha, disse um deles... Excelentíssimo senhor Frei Frade? Pode ser?

A primeira coisa que todos eles pensaram foi: «Peraê, é só pegar o computador, a gente põe no google, ou procura na wikipedia». Mas, o computador estava desligado, e acredite se puder, ninguém teve saco de ligar o computador só pra confirmar a diferença entre frei e frade. Até que um dos físicos bateu o olho no dicionário na estante. O bom e velho pai dos burros.

-Então vamos lá procurar «frei» no dicionário, disse ele empolgado com a idéia.
A, b, c... Fr....Um minuto depois.
Risos e mais risos. 

-Vocês não vão acreditar, diz o físico que estava procurando a palavra no dicionário. E ler em alto e bom som.
-Frei: Apocopado de freire.

Alguém sabe que diabos é um apocopado? Silêncio na mesa cri cri cri,. Depois de procurar no dicionário mais vez, a surpresa.

-Apocopado: que sofreu apócope. ?????????????????????????????. 

A saga do pai dos burros continua.

-Apócope: supressão de fonema. ?????? 

Momento pensativo.... muitos neurônios sendo queimados.

-Humm então isto implica que frei é um apelido de freire? Hã ta, diz um deles.

-Mas peraê isso não responde a nossa pergunta inicial, disse o químico. (Alguém aí que lembra qual era a pergunta inicial??)

Ah sim claro diferença entre frei e frade. -Então se frei é o apocopado de freire, frade é... não, ainda não temos a resposta, concluiu o engenheiro com cara de quem não estava entendendo nada.

-É melhor continuar olhando no dicionário, vamos olhar freire então.

-Freire: frade

Heim? Freire é frade? É um sinônimo?

Depois de tanto ir pra frente e pra trás, pensar, procurar no dicionário. Não dava pra esconder a cara de decepção dos quatro na mesa depois de uma conclusão tão simples.
Mas o físico metido a enciclopédia, não estava com intenção nenhuma de abandonar sua teoria.

- Mas peraê que dicionário é esse? Melhoramentos? Ah não, lá em casa eu tenho que olhar isso em dicionário que presta... disse ele balançando a cabeça para um lado e para outro mostrando o seu descontentamento.

Os outros três na verdade já tinham esquecido a historia do frei/frade e estavam lá fuçando o dicionário.

Fradeiro: afeiçoado ao frade
-Ah sim, isto implica então que todo cruzeirense é um fradeiro? Risos e mais risos.

Fradinho:
-Humm um frade anão? Disse o químico interrompendo antes mesmo de o engenheiro terminar de ler.
- Um frade pequeninho? Disse o outro físico.

-Ah não é só um feijão mesmo! Diz o engenheiro.

A noite continuou por aí e daria pra escrever um livro com todas as idéias mirabolantes dos quatro. E se você acha que eles tinham bebido muito? Não, estavam ainda na segunda cerveja.

Liz entende agora por que físico é físico, engenheiro é engenheiro, padeiro é padeiro, pedreiro é pedreiro e professor de português é professor de português. Querido Pasquale, perdoais a loucura alheia.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Quando

Quando o inverno chegar

Quando o livro acabar

Quando o sol se por

 

Quando a semente brotar

Quando a chuva cair

Quando o arco-íris colorir

 

Quando o céu se abrir

Quando a foto desbotar

Quando a pele enrugar

 

Quando eu te encontrar

Quando você me conhecer

Será que o ciclo vai se fechar?


Milena escreve aqui às quintas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Super-PRO


Se a mulher moderna de trinta fosse uma super heroína, certamente seu nome seria super-PRO. Uma super-PRO só é super-PRO por que...

PROgrama ao mesmo tempo os compromissos do dia, a máquina de lavar roupas e a reunião da semana que vem.

PROcessa a companhia telefônica e a má notícia com a mesma cara de paisagem.

Esta sempre PROnta para subir no salto ou mudar de planos.

PROcura as chaves do carro e ser uma pessoa melhor.

Tenta a PROeza de ser esposa, filha, mãe, irmã e PROfissional.

PROgride na carreira mas nem tanto na academia.

PROtege os filhos, sua opinião e aquela bolsa vermelha com unhas e dentes.

PROvê de carinho o Sr. PRO, a PRO-dog, o baby-PRO, mas nem sempre a si mesma.

rePROva injustiça, falsidade, falsa modéstia e o preço estratosférico dos cremes para o rosto.

aPROva ser ouvida, ser surpreendida, ser mimada e se superar em qualquer coisa.

PROjeta mais do pode cumprir, por não ter outra opção.

aPROveita o transito para lixar as unhas, a espera do medico para terminar o relatório e o pouco tempo livre que não tem, mas inventa, pra curtir os que ama.

sabe PROvocar um frisson quando quer.

aprendeu a ser PRO-ativa antes de aprender a escrever.

tenta a todo custo PROmover paz em seu coração, não consegue, mas pelo menos não transparece.

PROcastinação é o seu tendão de Aquiles. Não para as coisas master, como trabalhar, acordar cedo, cuidar, mas para as pequenas grandes coisas que sempre vão ficando para trás, como a academia, a contabilidade por fazer, a dieta, aquele armário a arrumar. Tal PROcrastinação, cuja própria palavra reflete muito bem o demorado, o indesejado, o que não é difícil, mas é chato e o sempre deixado para depois (PRO---cras----ti---na---çãaaaaaaaoo) é a maior inimiga das super-PRO, aprisionando seus pensamentos e fazendo-as esquecerem de todo o resto em que conseguem ser super. 

Ainda assim, para o alto e avante, super-PROs.


Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Convida a liga feminina de super-PROs a desenvolver logo uma arma poderosíssima que acabe logo com sua maior inimiga.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Canção

Junto ao oceano profundo
Procuro o meu mundo
Procuro serenamente

E sonho sempre pro alto
Tentando meu maior salto
Tentando entender minha mente

Sigo por tantos caminhos
Entre pedras e espinhos
Não consigo mais chorar

Corro em direção ao céu
E dispo todo véu
Que meu corpo ousar tocar

Vou viver entre as estrelas
Que são pérolas serenas
Que nadam no universo

Quando morrer, serei ima sereia
E rolarei na poeira cósmica
- areia –
E choverei em forma de verso.


Renata recomenda a todos três gotas diárias de poesia, faz muito bem para a alma.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Às vezes a justiça é feita


Há um pouco mais de um ano e oito meses atrás fui roubada no aeroporto JFK em Nova York, abriram minha mala e retirararm de lá o notebook novo que havia acabado de comprar com todo o dinheiro das minhas aulas particulares que economizei por um ano. Bom, só fui perceber o assalto ao chegar am São Paulo, devidamente atrasada, pois a TAM demorou mais de uma hora para sair de Nova York e portanto, com uma brecha de 40 minutos para pegar o avião para Belo Horizonte. Eu e minha mãe, devidamente transtornadas, tentamos de tudo, fomos no balcão de reclame de bagagem, pesamos, mostramos e demonstramos o ocorrido para um beócio qualquer da TAM e não conseguimos nada, ou melhor, conseguimos dois folhetos com um email para fazer a reclamação online... Tentamos também na Polícia Federal do aeroporto de Guarulhos, nos encaminharam para o SAC do aeroporto e ainda tiveram a coragem de dizer que não podiam fazer uma ocorrência policial. No SAC, assim como nos outros locais, todos lavaram suas mãos, só faltaram dizer que havíamos sido roubadas por culpa própria. De novo no balcão da TAM, nos entregaram outro folheto com orientações sobre o que deve ou não ser colocado na mala. A essa altura nós tínhamos que decidir pegar o avião para BH ou ficar em São Paulo e tentar encontrar alguem que realmente quisesse nos ajudar; decidimos pelo primeiro e embarcamos chorando.

Uma viagem ótima de uma semana em Nova York terminou dessa maneira, por que algum FDP se sentiu no direito de fazer compras na minha mala, compras estas que ele não pagou. Até hoje.

Chegamos em casa tristes e tomamos uma decisão que talvez muitos de nós, devido à descrença na justiça e no sistema judiciário brasileiro, não tomam; processamos a companhia aérea TAM. E hoje minha amiga e também advogada me deu a notícia de que finalmente recibi o valor referente a um notebook igual com o valor reajustado para se comprar outro aqui no Brasil, afinal, eletrônicos nos EUA são muito mais em conta do que aqui. E desta vez eu posso dizer: a justiça tarda mas não falha.


Hoje eu sei que no balcão de reclame da bagagem eles são obrigados a fazer um relatório após pesagem da bagagem, assim como na Polícia Federal eles também fazem o boletim de ocorrência. Hoje eu tiro foto da minha mala no hotel, aberta e fechada, se cismar tiro tambem no aeroporto no balcão de check-in. Podem me chamar de louca, não ligo, pois hoje eu sei que eles fazem de tudo pra te enrolar e para que você não tenha provas do que aconteceu, mas nessa eles não me pegam mais.

domingo, 10 de maio de 2009

Sobre sapatos e calcinhas


Mulheres não se cansam de sapatos. Muito já se falou sobre isso aqui. Eu também adoro, com algumas particularidades. Porém, não só de sapatos vive a Angel. 

Os sapatos são, sim, objetos de consumo constantes pra mim, com o detalhe de não ser consumista. Isso mesmo! Compro somente quando o orçamento permite e essa é a explicação para não ter um armário de cinco portas só para sapatos. Quem me dera pudesse comprar um par por mês. Seria inexplicavelmente mais feliz. Não sei de onde vem essa atração feminina por sapatos, sei que sofro desse mal (ou bem) também.

Há poucos meses diagnostiquei outra mania de consumo: calcinhas. Sim minha gente, adoro comprar calcinhas. E a atração não é por aquelas calcinhas supersensuais, próprias para aquelas noites em que se quer seduzir alguém, gosto mesmo é daquelas bem basiconas e confortáveis. Depois que descobri a calcinha boxer, minha vida mudou. E pra melhor. Bendito seja o cristão que inventou esse modelo superconfortável. 

Confesso que minha tendência é comprar mais calcinhas do que sapatos, já são mais de 70. Afinal elas têm menor custo e isso alimenta a mania. Mas o fato de não ser compulsiva já me ajuda muito quando aquele furor consumista quer me dominar. Lembro de minha conta bancária, faço contas, me pergunto se aquela compra é essencial naquele momento e continuo olhando as vitrines sem nada comprar. Outra vantagem é que meu suado cartão de crédito tem moradia fixa: o criado mudo. Só sai de lá em dia de certeza de compra e retorna no mesmo dia. E a última particularidade: tenho preguiça de comprar. Mesmo para sapatos e calcinhas. Só de pensar no tempo que levo para escolher um produto, já me dá vontade de adiar esse momento. Nossa... às vezes tenho tanta vontade de ser louca, inconseqüente e cheia de disposição para o consumo. Talvez me curasse mais facilmente das “melecas” do dia-a-dia... quem sabe na próxima encarnação!


Angel definitivamente não é consumista, mas está ansiosa para junho chegar, quando comprará pelo menos um sapato e algumas calcinhas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...