segunda-feira, 2 de junho de 2008

Palavras invisíveis

Algumas palavras deveriam ser sempre ditas. Palavras de afeto, de carinho, de consideração, pedidos de desculpas, arrependimentos. Outras deveriam ser esquecidas dentro de uma caixa bem funda, palavras amargas, complexas demais, grosserias gratuitas, palavras de auto-destruição. No entanto Anastácia sempre se perguntava por que as pessoas preferiam falar sobre a segunda categoria e não sobre a primeira. Algumas pessoas estão sempre reclamando, nada parece estar bom, nada está certo, tudo está errado. E Anastácia se sentia por vezes culpada, pois sua vida era cheia de alegrias, também de desafetos, mas ela preferia deixá-los na caixa do esquecimento e vivenciar novamente apenas os acontecimentos felizes. Não que Anastácia não reclamasse nunca, reclamava, com raiva as vezes, gritava esperneava e pronto, preferia ter um ataque uma vez por mês do que murmurar todos os dias. É Anastácia não se sentia uma vítima de suas escolhas, aliás odiava esse lugar comum onde muitas pessoas se sentiam confortáveis, o lugar da vítima, e ela relamente não entendia o por que.

Anastácia gostava de sentir a responsabilidade de suas escolhas e principalmente por suas palavras, tanto as faladas quanto as invisíveis. E sim, Anastácia sabia que por vezes as palavras invisíveis eram mais importantes do que as visíveis. É, aquelas palavras que não são ditas, e que talvez deveriam ser, mas de qualquer forma possuem tamanha força que se demonstram por si só, no comportamento das pessoas, nos gestos do corpo, nos olhares, nos sorrisos, na respiração. Anastácia entendia muito bem os sinais, talvez por pertencer à primeira categoria de pessoas, que não temem as palavras felizes, que não temem os sentimentos e nem os ressentimentos e que talvez por isso mesmo consiga perceber os sinais, de quando deve prosseguir e de quando deve parar.

É, Anastácia conseguia interpretar as palavras invisíveis, mesmo que por vezes fosse tão difiícil acreditá-las.


Silvia escreve invariavelmente às segundas e às vezes através de palavras invisíveis.

3 comentários:

Don Puzzo Forzeone disse...

TRancar as palavras ?

Nada,

O bom é ter história,
E as que parecem tristes na hora,
São cômicas num futuro próximo.

Angel disse...

As palavras invisíveis estão sempre presentes nos discursos, mas nem todos temos o poder de percebê-las, infelizmente... ou felizmente, talvez!

Como estão as coisas por aí?

Mande notícias!

Bjos!

Sisa disse...

Silvia, eu andei muito enrolada pra comentar, mas isso de não temer palavras felizes nem sentimentos foi uma coisa no seu texto que me pegou. Eu não tenho medo, mas parece que as pessoas têm medo de quem não tem medo disso né? Bjo

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