sábado, 28 de junho de 2008

Professora

Professor, atualmente, deveria se chamar, oficialmente, pau-pra-toda-obra. Mesmo. Tem que consolar, aconselhar, apontar lápis, ensinar muitas coisas além do currículo escolar... Ouvir palavrão, xingamento, gritos e muito mais. Tem que fazer cafuné, abraçar e dar colo, ser mãe, amiga, enfermeira, psicóloga, conselheira... O bom é que nessas andanças por outros papéis, a gente sempre aprende várias coisas.

Aprende a ver por outros ângulos. Aprende que hip hop pode ser legal. Aprende que com cola também se faz um bom penteado. Que a gurizada ainda admira os professores, embora a maioria não admita. Que a vida realmente não é justa. Que as pessoas são muito diferentes, mas bem parecidas. Que algumas pessoas realmente não têm o que comer em casa. Que abuso sexual existe, é mais comum do que se pensa, muitas vezes é aceito até pela família, que é tão doente quanto.

Aprende que avião de papel é um dos melhores brinquedos. Que os contos de fada já não seduzem tanto. Aprende que não importa se se escreve “poblema” ou “pobrema”, algumas pessoas têm mais do que eu possa imaginar. Que gosto, cores e sabores não se discutem.
Nessa semana começamos na escola uma rodada de oficinas com os alunos. A cada semana, cada profe fica com um grupo de alunos, uns 15, em média, de dois anos ciclo diferentes. A proposta é que se trabalhe assuntos de interesse do adolescente, visando desenvolver e/ou aperfeiçoar habilidades. Não sou muito talentosa, então fui pesquisar para fazer a tal oficina. Decidi trabalhar grafitagem, com algumas técnicas de desenhar letras e contando com a criatividade dos alunos. Me surpreendi muito com a primeira turma. Eles adoraram! Não queriam ir embora! E continuam fazendo as letras e praticando o que fizemos na oficina.

Vendo a alegria de aprender uma coisa nova, a satisfação em superar dificuldades, a ansiedade em perguntar, falar e mostrar seu trabalho, me lembrei de porque sou profe.

Valeu gurizada!

Renata às vezes esquece porque escolheu ser professora... aliás, esquece de várias coisas... mas agora foi lembrada de algumas coisas boas de se trabalhar com educação e se sente mais fortalecida!

6 comentários:

Angel disse...

Trabalhar com educação é um ato de coragem que eu invejo!

Quem sabe um dia me arrisco...

Tenho certeza de que seus alunos a admiram muito.

Bjos!

Júlia disse...

Professor é tudo de bom!!

Mas tem uns que realmente...prefiro nao comentar!

Eu amo os meus, porem uns mais outros menos..é normal isso ne?


Belo texto!!! Sinta-se feliz por ser professora, vc não sabe o quanto o papel de vcs é importante pra nós.

Abraços!

Sisa disse...

Renata, meu vô da Letônia me deu no Natal do ano passado uns livros infantis, disse que era pra eu ler pros filhos que um dia tivesse. Não sei se vou ter, mas depois do estranhamento eu gostei da idéia dos livros. Isso de contar história aproxima tanto as pessoas né?

Milena disse...

Que bom que nossa vocação vai e vem em ondas, não é?
É muito bom acordar de manhã e se lembrar do porque estamos fazendo isso :)
boa sorte!

Gisele Lins disse...

Rê tenho que te dizer mais uma vez... Admiro muito, muito, muito teu trabalho e mais ainda a tua percepção sobre ele! Um beijão, querida!
PS: estarei em Porto no final de agosto, quem sabe a gente não consegue se ver? Beijão!

Rosi disse...

Lindo e inspirador esse texto.
Que bom que escolhi fazer pedagogia.
Obrigada

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