sábado, 14 de junho de 2008

Um sonho interrompido

Nunca havia pensado em ter filhos, muito menos conseguia me imaginar grávida, porém, após o casamento meu marido começou a me familiarizar com a idéia de ser mãe.

Foram 3 anos de espera pelo momento certo, então decidimos que entraríamos 2008 grávidos. E foi exatamente isso que aconteceu! Nossa que felicidade, nunca tinha me sentido assim antes, como era bom estar grávida, ainda mais com uma gestação igual a minha, nunca senti um enjôo, meu peso estava super controlado e minha barriga só apontou aos 4,5 meses, lembro como meu marido comemorava a cada dia que a barriga crescia um pouquinho. Eu era paparicada por todos à minha volta.

Posso sentir a emoção do dia em que conseguimos ver o sexo, era uma menina! Seria a minha Beatriz!

O medo de ser mãe e o receio de não ter vocação, foram superados por um instinto maternal que brotava dentro de mim a cada dia que passava, não via a hora de ver o rostinho dela e senti-la quentinha em meus braços, meu marido então curtiu cada momento com uma alegria contagiante e o que nunca havia feito parte dos meus pensamentos passou a ser um sonho, que coloriu minha vida de rosa por alguns meses.

Naquele dia eu tinha acordado bem disposta, estava me sentindo super bem e feliz, já era final da tarde e fui até à médica para minha consulta de rotina do pré-natal, estava de 21 semanas (início do sexto mês), após me examinar a médica notou que havia algo errado e me levou pra sala de ultrassom, chegando lá, todo meu sonho foi interrompido
ao ouvir: “seu bebê foi a óbito, sinto muito”, eu podia vê-la na tela, inerte, sem aquelas cambalhotas ou chupando o dedinho e sem nenhum sinal daquele coraçãozinho que antes pulsava bem forte dentro de mim. Naquele momento senti que o chão se abriu, tudo ficou escuro e entrei em desespero.

Fui internada logo em seguida para a retirada daquela que um dia fez minha vida ficar cor de rosa. Foram 48h de indução de parto normal (com muita dor e sofrimento) sem êxito, com o sofrimento culminando em uma cezárea e com a possibilidade de nunca mais poder gerar outro filho. Graças a Deus, que pelo jeito não havia me ignorado totalmente, deu tudo certo na cezárea e vou poder tentar novamente daqui a 1,5 ano.

Agora, tento superar mais essa perda em minha vida. Acredito que o tempo cure tudo e que tudo na vida tem um motivo, só fica difícil entender o motivo pelo qual Deus privou meu marido e eu da convivência da nossa Beatriz.


Débora encerra esse texto aos prantos, sabe que tem que colocar a bola pra frente, mas tem vontade de sentar em cima da bola e continuar chorando de soluçar.

7 comentários:

Angel disse...

Como já havia declarado por e-mail, estamos com você em todos os momentos com pensamentos positivos, mesmo que distantes.

Que Deus abençoe você e seu marido!

Beijos!

Júlia disse...

NEm sei o que dizer...engoli seco na medida que fui lendo seu texto!!

JA aconteceu o mesmo com minha mae.
PEnse que se nao nasceu, é pq Deus acho melhor assim..

Beijos.fica em paz...tudo vai se ajeitar!!!

Renata disse...

Débora, acho que nada se iguala à dor de uma mãe pela perda de um filho...Mas com o tempo as coisas encontram seu lugar nas nossas vidas. Não que sejam esquecidas, mas pelo menos dóem menos.
Conte com todo o pensamento positivo e orações das mulheres de 30, e que bom que vc está bem de saúde.
Fica com Deus!
Beijão!

vanandram disse...

Débora,
a vida tem desses caminhos tortos que a gente não entende. Pense na Beatriz, "aquela que faz os outros felizes", como um anjinho que está a olhar por vocês a cada dia, a cada hora. Sabe, Deus não tirou-a de você, não pense dessa maneira, Ele também não queria jamais que fosse assim. Pense em Deus presente nessa força, misteriosa, incompreensível, que mesmo depois de uma perda tão grande, faz você se levantar a cada dia e ainda escrever um texto tão sincero e com tanta sensibilidade.
Mais do que nunca, um grande abraço.
Vanessa.

Sisa disse...

Débora, como eu te disse no mail, nunca encontro palavras pra dizer. Mas mando um abraço forte pra vc e pro Mário. Beijo.

Ingrid disse...

não chore não .... sua Beatriz agora é um anjinho que cuida de vc e de seu esposo!
Fique bem!!!
Bjos

Laeticia disse...

Débora, eu realmente não sei o que dizer num momento destes... fiquei muda por uns dias, pensando em palavras pra te consolar. E a conclusão a que cheguei é que não existe consolo pra determinadas coisas. Mas existem ombros amigos, abraços carinhosos e aquele calor gostoso da amizade e do amor que nos cerca. Sua Beatriz estará sempre com você porque vocês foram uma só por tempo suficiente pro amor brotar. Chore, grite, se isto te aliviar a dor. Mas guarde a saudade, porque saudade também pode ser um sentimento gostoso.

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