quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Perdão

Esta talvez seja a palavra mais complexa que existe, pelo menos para mim. Está associada aos dissabores, às decepções, aos confrontos com os ideais e, acima de tudo, à maneira como se lidará com eles, o que envolve superação ou abdicação. Eu não sou uma pessoa que perdoa fácil e sei bem o quanto isto é ruim...

Será que perdão significa simplesmente apagar algo ruim da memória e do coração? Ou será que significa aprender com os erros, meus e dos outros também? Bem, eu não consigo conceber apagar algo que aconteceu na minha vida; soa tão estranho... Afinal, todos os eventos, isolados ou associados, não interferem nela e, de certa forma, não me modificam? Então, por isso acho a segunda opção mais plausível.

Hoje, para mim, perdoar é aceitar que não existe pessoa perfeita, nem eu nem qualquer outro ser humano. Todos estão sujeitos a errar e a magoar, vai de quem sofreu o impacto aprender com o erro, avaliar se compensa passar por todo este processo árduo de aprendizagem, se o que foi perdido na relação pode ou vale a pena ser resgatado. Ou abdicar do outro e excluí-lo (na medida do possível) de sua vida, porque algumas ações são imperdoáveis, de acordo com a escala de valores de cada um. Eu, por exemplo, abomino a ação intencional, sabe? Errar todos erram, mas fazer algo sabendo que fere uma pessoa que se preza e ainda assim fazê-lo, pedindo descaradamente perdão depois, eu não consigo aceitar.

Nos dois caminhos haverá perda e sofrimento. Se perdoar é uma atitude que enobrece o ser humano, isto se dá pelo longo e penoso processo de provação a que se está sujeito ao aceitar perdoar. No entanto, não perdoar pode originar uma sobrecarga desnecessária na vida (uma amargura, uma tristeza, uma dor, um pensamento que atormenta...), com a qual certamente também será difícil viver.

Entre aumentar a sobrecarga e tentar melhorar, tornando-me uma pessoa menos intolerante, optei por exercer a tolerância. É importante entender que cada pessoa tem seu limite, suas fraquezas e que pode errar e acertar, ciclicamente, a vida toda. E eu sou uma pessoa como outra qualquer, sujeita às mesmas condições. Assim, perdoar é, antes de qualquer coisa, aceitar que não farei tudo que planejei da maneira como pensei e que, nem por isso, serei uma pessoa pior.

Perdoar me permite viver a vida de forma mais leve!

Até a próxima!


Paula sabe que perdoar é um dom e que, apesar de não ter nascido com ele, pode aprendê-lo e viver uma vida mais feliz!


7 comentários:

Angel disse...

Oi Paula!
Se desculpar alguém e esquecer o fato fazem pate do pacote "Perdoar", considero difícil conciliar os dois. Por vezes desculpo mas não esqueço ou demoro muito a esquecer.

Mas também acredito que Perdoar é exercício, quanto mais tentarmos, mais especialistas ficaremos.

Adorei sua foto nova!
Bjos!

Vivian disse...

Oi Paula,

Eu tb acho que perdoar é importante e nos sentimos melhor com isso. Realmente as vezes é dificil, muito dificil... mas nos faz pessoas melhores. Bjs

Débora disse...

Paula,

Perdoar realmente não é fácil, mas com um esforço nós conseguimos. Posso dizer que passei por momentos graves que exigiam perdão somente 02 vezes na minha vida e consegui perdoar, depois que fiz isso minha vida ficou bem melhor pois não tinha mais nada que me sufocava...Mas para perdoar de verdade leva um tempo para refletir, não é nada de um dia para o outro. Parabéns pelo texto!

bjs

Roberta disse...

Oi Paulinha, adorei o texto. Acredito realmente que saber perdoar de coração é um dom de Deus. É dar mais uma chance para sermos felizes... mesmo pq a vida é curta para ficarmos remoendo o passado. Perdoar é nos permitir reescrever uma nova história, só que sem tantos erros! Beijinhos

Patrícia H. disse...

Vixe Paula, que coincidência! Pensei muito sobre esse assunto hj e depois, despretensiosamente, venho no blog e vejo seu texto tocando no mesmo assunto, nas minhas feridas...
Considero-me até rancorosa diante da dificuldade que tenho de perdoar - não bobagens, mas coisas realmente sérias que mudam o curso de uma vida. Tenho pelo menos duas questões dessa em aberto e hj, infelizmente, não me vejo apertando sequer a mão de uma dessas pessoas, nem amanhã nem daqui a muito tempo. Sei que a vida é mais difícil e pesada assim, mas acho que vou carregar por mais um bom tempo esse fardo que me confere, pelo menos, a certeza de que sou humana e não preciso ser perfeita.
Bjão!

Andréa disse...

Paula,

Que texto lindo, sensível e profundo este que você escreveu! Você tem uma intimidade tão grande com as palavras, que fico encantada com tudo o que você escreve.

Perdoar faz parte do jogo da vida, né? A gente tem que perdoar todo dia, toda hora, e a muita gente. Ainda bem que temos esta capacidade, né? E ainda bem que podemos aprimorá-la e que a própria vida nos molda, nos ensina a ser mais tolerantes, a saber perdoar. Se não, seria tudo um verdadeiro caos...

Obrigada pelas visitas e os elogios sempre carinhosos que você deixa no meu blog. Você me dá ânimo a escrever mais!

Beijão da sua amiga,

Andréa

Sisa disse...

Oi Paula,
Eu costumo dizer que me esforço ao máximo pra perdoar (nem sempre consigo, mas quase sempre). Mas esquecer JAMAIS. Não esqueço e nem quero esquecer. Acho que é dar chance praquilo se repetir. Portanto, perdoar sim, esquecer, nunca.

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