sábado, 16 de maio de 2009

Amadurecer

Um dos pontos em se tornar uma pessoa madura é aceitar os outros como eles são, e não como gostaríamos que fossem.

Entretanto, independentemente da nossa compreensão, a situação prossegue sendo frustrante e sempre o será, só que em níveis mais leves a medida que amadurecemos.

A grande questão é aprendermos a trabalhar com a nossa própria expectativa e não nos ressentirmos (tanto) quando não respondidos.

De fato cada um tem suas limitações. Nós temos nossas próprias. E provavelmente desapontamos inúmeras vezes sem nem termos idéia disso.

Tenho percebido uma curva crescente de desenvolvimento neste sentido na minha pessoa. Mas estou ainda tão longe do topo!

Dou muito e inconscientemente espero mais do que deveria.

Quando esses outros fazem parte do seleto grupo de pessoas a quem amo de verdade, lidar com a frustração é bem difícil.

Como perceber que pessoas vitais em nossa vida não parecem ter tanto interesse em nos deixar participar das suas?

Mais especificamente... tenho amigas de infância. Muitos anos há entre nós. Bárbaras influências na minha formação infanto-juvenil. Elos formados que outrora pareciam resistíveis ao tempo, a distância e diferenças socio-culturais.

Não estou mais de corpo presente. Mas sempre de alguma forma perto. Bem perto. Elas participam dos ganhos e perdas, das conquistas e do desenvolvimento da minha filha quase que através de uma lupa.

Recebem fotos, comentários, diários de bordo de viagens.

Não faço a mínima ideia se elas estão de bem com seus namorados, se engravidaram há três meses atrás, se o casamento será em Novembro ou em Dezembro ou se decidiram cursar uma segunda faculdade.

Mal fazem idéia de quão importante seria mostrar a foto da barriguinha crescendo ou a Igreja onde o casamento será celebrado.

E aquele telefonema inesperado com a voz embargada de felicidade quando descobriram que terão uma menina?

Muita história há entre nós e em nome dela tive expectativas de “até que a morte nos separe”, bem como teoricamente uma vez nos disseram ser o matrimônio.

Me questiono porque isso acontece mais com as mulheres do que com os homens. Por quê os homens parecem ser mais amigos quando comparados ao que se passa no mundo feminino? Seria a tal competitividade ou a egocentricidade que fazem que com estejamos tão concentradas em nós mesmas e nas nossas vidas?

Bem, infelizmente a maioria DAS MORTAIS parece achar que amizade só nos serve quando estamos a dividir a sala de aula, os namorados que são amigos ou o bairro onde moramos. Ou seja, apenas situacional .

Estou em uma semana muito irritada com as mulheres e hoje preferiria ter nascido homem!


Lil escreve aqui aos sábados e está tentando lidar com a frustração e o amadurecimento. A falta de fidelidade feminina pode ser uma regra mas ela pensou um dia que aquele era um grupo que fazia parte da exceção!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Excelentíssimo Senhor Frei Frade

Era um sábado normal como outro qualquer quatro amigos se encontraram para comer um bobó de camarão, tomar uma cervejinha e jogar conversa fora. Dois físicos, um químico e um engenheiro, diga-se de passagem.

Durante a sobremesa saiu uma conversa sobre «Frei» sabe-se lá por que. Simplesmente nenhum dos quatro consegue lembrar porque começaram a falar sobre frei. Então veio a tal questão levantada pelo químico. Mas então, qual a diferença entre frei e frade? Disse ele com cara de interrogação.

Um dos físicos metido a enciclopédia começou logo a explicar que Frei era a forma qualificativa para a pessoa do frade.

-Tem a mesma função da palavra excelentíssimo, quando usamos, por exemplo, para o presidente «excelentíssimo senhor presidente» entendeu? Disse ele.

Os outros três nem hesitaram, já aceitaram logo a idéia do físico sabichão.
Começaram então a experimentar com as palavras.

-Ah então é assim ... Excelentíssimo senhor Frei Frade Francisco de Assis.
Disse o outro físico com cara de quem tinha aprendido alguma coisa importante do amigo doutor.

Três segundos depois a ficha começou a cair. Eles começaram a se olhar com cara de desconfiança. -Heim? Caralho que coisa estranha, disse um deles... Excelentíssimo senhor Frei Frade? Pode ser?

A primeira coisa que todos eles pensaram foi: «Peraê, é só pegar o computador, a gente põe no google, ou procura na wikipedia». Mas, o computador estava desligado, e acredite se puder, ninguém teve saco de ligar o computador só pra confirmar a diferença entre frei e frade. Até que um dos físicos bateu o olho no dicionário na estante. O bom e velho pai dos burros.

-Então vamos lá procurar «frei» no dicionário, disse ele empolgado com a idéia.
A, b, c... Fr....Um minuto depois.
Risos e mais risos. 

-Vocês não vão acreditar, diz o físico que estava procurando a palavra no dicionário. E ler em alto e bom som.
-Frei: Apocopado de freire.

Alguém sabe que diabos é um apocopado? Silêncio na mesa cri cri cri,. Depois de procurar no dicionário mais vez, a surpresa.

-Apocopado: que sofreu apócope. ?????????????????????????????. 

A saga do pai dos burros continua.

-Apócope: supressão de fonema. ?????? 

Momento pensativo.... muitos neurônios sendo queimados.

-Humm então isto implica que frei é um apelido de freire? Hã ta, diz um deles.

-Mas peraê isso não responde a nossa pergunta inicial, disse o químico. (Alguém aí que lembra qual era a pergunta inicial??)

Ah sim claro diferença entre frei e frade. -Então se frei é o apocopado de freire, frade é... não, ainda não temos a resposta, concluiu o engenheiro com cara de quem não estava entendendo nada.

-É melhor continuar olhando no dicionário, vamos olhar freire então.

-Freire: frade

Heim? Freire é frade? É um sinônimo?

Depois de tanto ir pra frente e pra trás, pensar, procurar no dicionário. Não dava pra esconder a cara de decepção dos quatro na mesa depois de uma conclusão tão simples.
Mas o físico metido a enciclopédia, não estava com intenção nenhuma de abandonar sua teoria.

- Mas peraê que dicionário é esse? Melhoramentos? Ah não, lá em casa eu tenho que olhar isso em dicionário que presta... disse ele balançando a cabeça para um lado e para outro mostrando o seu descontentamento.

Os outros três na verdade já tinham esquecido a historia do frei/frade e estavam lá fuçando o dicionário.

Fradeiro: afeiçoado ao frade
-Ah sim, isto implica então que todo cruzeirense é um fradeiro? Risos e mais risos.

Fradinho:
-Humm um frade anão? Disse o químico interrompendo antes mesmo de o engenheiro terminar de ler.
- Um frade pequeninho? Disse o outro físico.

-Ah não é só um feijão mesmo! Diz o engenheiro.

A noite continuou por aí e daria pra escrever um livro com todas as idéias mirabolantes dos quatro. E se você acha que eles tinham bebido muito? Não, estavam ainda na segunda cerveja.

Liz entende agora por que físico é físico, engenheiro é engenheiro, padeiro é padeiro, pedreiro é pedreiro e professor de português é professor de português. Querido Pasquale, perdoais a loucura alheia.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Quando

Quando o inverno chegar

Quando o livro acabar

Quando o sol se por

 

Quando a semente brotar

Quando a chuva cair

Quando o arco-íris colorir

 

Quando o céu se abrir

Quando a foto desbotar

Quando a pele enrugar

 

Quando eu te encontrar

Quando você me conhecer

Será que o ciclo vai se fechar?


Milena escreve aqui às quintas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Super-PRO


Se a mulher moderna de trinta fosse uma super heroína, certamente seu nome seria super-PRO. Uma super-PRO só é super-PRO por que...

PROgrama ao mesmo tempo os compromissos do dia, a máquina de lavar roupas e a reunião da semana que vem.

PROcessa a companhia telefônica e a má notícia com a mesma cara de paisagem.

Esta sempre PROnta para subir no salto ou mudar de planos.

PROcura as chaves do carro e ser uma pessoa melhor.

Tenta a PROeza de ser esposa, filha, mãe, irmã e PROfissional.

PROgride na carreira mas nem tanto na academia.

PROtege os filhos, sua opinião e aquela bolsa vermelha com unhas e dentes.

PROvê de carinho o Sr. PRO, a PRO-dog, o baby-PRO, mas nem sempre a si mesma.

rePROva injustiça, falsidade, falsa modéstia e o preço estratosférico dos cremes para o rosto.

aPROva ser ouvida, ser surpreendida, ser mimada e se superar em qualquer coisa.

PROjeta mais do pode cumprir, por não ter outra opção.

aPROveita o transito para lixar as unhas, a espera do medico para terminar o relatório e o pouco tempo livre que não tem, mas inventa, pra curtir os que ama.

sabe PROvocar um frisson quando quer.

aprendeu a ser PRO-ativa antes de aprender a escrever.

tenta a todo custo PROmover paz em seu coração, não consegue, mas pelo menos não transparece.

PROcastinação é o seu tendão de Aquiles. Não para as coisas master, como trabalhar, acordar cedo, cuidar, mas para as pequenas grandes coisas que sempre vão ficando para trás, como a academia, a contabilidade por fazer, a dieta, aquele armário a arrumar. Tal PROcrastinação, cuja própria palavra reflete muito bem o demorado, o indesejado, o que não é difícil, mas é chato e o sempre deixado para depois (PRO---cras----ti---na---çãaaaaaaaoo) é a maior inimiga das super-PRO, aprisionando seus pensamentos e fazendo-as esquecerem de todo o resto em que conseguem ser super. 

Ainda assim, para o alto e avante, super-PROs.


Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Convida a liga feminina de super-PROs a desenvolver logo uma arma poderosíssima que acabe logo com sua maior inimiga.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Canção

Junto ao oceano profundo
Procuro o meu mundo
Procuro serenamente

E sonho sempre pro alto
Tentando meu maior salto
Tentando entender minha mente

Sigo por tantos caminhos
Entre pedras e espinhos
Não consigo mais chorar

Corro em direção ao céu
E dispo todo véu
Que meu corpo ousar tocar

Vou viver entre as estrelas
Que são pérolas serenas
Que nadam no universo

Quando morrer, serei ima sereia
E rolarei na poeira cósmica
- areia –
E choverei em forma de verso.


Renata recomenda a todos três gotas diárias de poesia, faz muito bem para a alma.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Às vezes a justiça é feita


Há um pouco mais de um ano e oito meses atrás fui roubada no aeroporto JFK em Nova York, abriram minha mala e retirararm de lá o notebook novo que havia acabado de comprar com todo o dinheiro das minhas aulas particulares que economizei por um ano. Bom, só fui perceber o assalto ao chegar am São Paulo, devidamente atrasada, pois a TAM demorou mais de uma hora para sair de Nova York e portanto, com uma brecha de 40 minutos para pegar o avião para Belo Horizonte. Eu e minha mãe, devidamente transtornadas, tentamos de tudo, fomos no balcão de reclame de bagagem, pesamos, mostramos e demonstramos o ocorrido para um beócio qualquer da TAM e não conseguimos nada, ou melhor, conseguimos dois folhetos com um email para fazer a reclamação online... Tentamos também na Polícia Federal do aeroporto de Guarulhos, nos encaminharam para o SAC do aeroporto e ainda tiveram a coragem de dizer que não podiam fazer uma ocorrência policial. No SAC, assim como nos outros locais, todos lavaram suas mãos, só faltaram dizer que havíamos sido roubadas por culpa própria. De novo no balcão da TAM, nos entregaram outro folheto com orientações sobre o que deve ou não ser colocado na mala. A essa altura nós tínhamos que decidir pegar o avião para BH ou ficar em São Paulo e tentar encontrar alguem que realmente quisesse nos ajudar; decidimos pelo primeiro e embarcamos chorando.

Uma viagem ótima de uma semana em Nova York terminou dessa maneira, por que algum FDP se sentiu no direito de fazer compras na minha mala, compras estas que ele não pagou. Até hoje.

Chegamos em casa tristes e tomamos uma decisão que talvez muitos de nós, devido à descrença na justiça e no sistema judiciário brasileiro, não tomam; processamos a companhia aérea TAM. E hoje minha amiga e também advogada me deu a notícia de que finalmente recibi o valor referente a um notebook igual com o valor reajustado para se comprar outro aqui no Brasil, afinal, eletrônicos nos EUA são muito mais em conta do que aqui. E desta vez eu posso dizer: a justiça tarda mas não falha.


Hoje eu sei que no balcão de reclame da bagagem eles são obrigados a fazer um relatório após pesagem da bagagem, assim como na Polícia Federal eles também fazem o boletim de ocorrência. Hoje eu tiro foto da minha mala no hotel, aberta e fechada, se cismar tiro tambem no aeroporto no balcão de check-in. Podem me chamar de louca, não ligo, pois hoje eu sei que eles fazem de tudo pra te enrolar e para que você não tenha provas do que aconteceu, mas nessa eles não me pegam mais.

domingo, 10 de maio de 2009

Sobre sapatos e calcinhas


Mulheres não se cansam de sapatos. Muito já se falou sobre isso aqui. Eu também adoro, com algumas particularidades. Porém, não só de sapatos vive a Angel. 

Os sapatos são, sim, objetos de consumo constantes pra mim, com o detalhe de não ser consumista. Isso mesmo! Compro somente quando o orçamento permite e essa é a explicação para não ter um armário de cinco portas só para sapatos. Quem me dera pudesse comprar um par por mês. Seria inexplicavelmente mais feliz. Não sei de onde vem essa atração feminina por sapatos, sei que sofro desse mal (ou bem) também.

Há poucos meses diagnostiquei outra mania de consumo: calcinhas. Sim minha gente, adoro comprar calcinhas. E a atração não é por aquelas calcinhas supersensuais, próprias para aquelas noites em que se quer seduzir alguém, gosto mesmo é daquelas bem basiconas e confortáveis. Depois que descobri a calcinha boxer, minha vida mudou. E pra melhor. Bendito seja o cristão que inventou esse modelo superconfortável. 

Confesso que minha tendência é comprar mais calcinhas do que sapatos, já são mais de 70. Afinal elas têm menor custo e isso alimenta a mania. Mas o fato de não ser compulsiva já me ajuda muito quando aquele furor consumista quer me dominar. Lembro de minha conta bancária, faço contas, me pergunto se aquela compra é essencial naquele momento e continuo olhando as vitrines sem nada comprar. Outra vantagem é que meu suado cartão de crédito tem moradia fixa: o criado mudo. Só sai de lá em dia de certeza de compra e retorna no mesmo dia. E a última particularidade: tenho preguiça de comprar. Mesmo para sapatos e calcinhas. Só de pensar no tempo que levo para escolher um produto, já me dá vontade de adiar esse momento. Nossa... às vezes tenho tanta vontade de ser louca, inconseqüente e cheia de disposição para o consumo. Talvez me curasse mais facilmente das “melecas” do dia-a-dia... quem sabe na próxima encarnação!


Angel definitivamente não é consumista, mas está ansiosa para junho chegar, quando comprará pelo menos um sapato e algumas calcinhas.

sábado, 9 de maio de 2009

Há 10 mil anos atrás


Não, não nascemos do mesmo pai.

Elo sangűíneo inexistente.

Porto Alegre, 1987. Um tempo em que se era comum brincar na frente de casa. De correr, de pegar, de carrinho de lomba ou de pular corda no gauchês (idioma do gaudério). Acredito que no restante do país seria respectivamente corre-corre, pega-pega, amarelinha e pular corda é pular corda em qualquer lugar do país em que se esteja. Tempo sem perigos diurnos, mesmo que nos tempo de hoje seja difícil acreditar.

Um grupo de crianças se encontravam depois do colégio para brincar. Ela passava por ali diariamente. Parecia triste e solitária e sua cachorra estava sempre a acompanhá-la.

Muitas passadas se fizeram ate abordá-la.

Uma das crianças tinha pena da guria ali sozinha e foi a solidariedade que impulsionou ao primeiro contato (ela vai me matar quando ler isso). Também era tímida (timidez é ainda algo existente entre as crianças de hoje? Duvido...).

Mal faziam idéia de que aquele momento mudaria o curso de suas vidas.

Estava ali o momento em que se fazia um encontro de almas.

Não dizem que se pode ter mais de uma alma gêmea e que esta pode ser mulher, homem, velho, criança, encarnado ou desencarnado?

De personalidades distintas, estilos bem diversos, uma apresenta a outra o seu universo e no meio disso fazem sua própria história.

A sintonia é profunda e silenciosa e permite a comunicação sem palavras. Por vezes até mesmo adivinhando desejos e ações.

De triste a guria solitária de nada tem. Era só figuração.

Aos 30 anos mulher sorridente, cozinheira fantástica, carinhosa, cuidadora e prendada com os afazeres da costura e do crochet. Talentosa escritora.

Aos 8 anos solitária porque havia acabado de mudar de cidade. A solidão durou pouco tempo.

Faz amigos rapidamente e mudar de cidade não é um problema.

Mora do outro lado do meu mundo e é como se aqui vivesse.

Essencial. Propicia o vínculo com a filosofia, a psicologia, a história, a astrologia e a amizade verdadeira.

Longe dos olhos, perto do coração.

Esperta, complexa e vívida.

Auxilia a entender as questões da vida e ensina que pode-se ter a família que nos foi escolhida mas também podemos construir aquela que escolhermos.

Com amor a minha irmã, aquela que não nasceu de minha mãe.


Lil escreve aqui esporadicamente e vem por meio deste homenagear a responsável pela entrada dela no blog e por fazê-la acreditar que irmã por escolha é igualzinha a irmã sangűínea, só que no final do dia cada uma vai pra sua casa. Ufa!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Wolverine Returns


Não dava, meninas, pra deixar passar batido a vinda do Wolverine, digo, do Hugh Jackman, ao Brasil pra divulgar o novo filme. Foi mais forte que eu, não pude mesmo evitar. É Wolverine na veia! Quem resiste?

Sábado passado fomos (sim! Eu arrastei meu marido comigo!) ao cinema assistir X-Man Origens: Wolverine. Jé-sus! Que espetáculo de homem!! Meldeos, como diria minha irmã! Que bundinha! Que braços! Que pernas! Que cara de MACHO!! Com um homem daqueles na cama, que mulher vai se importar de trocar lençol rasgado?! As moças que estavam no banco de trás estavam mais animadas que eu. “Vem comigo que te dou casa, comida e roupa lavada!” eram os murmúrios das meninas.

Meldeos, meldeos, meldeos!!! E aquela cara de bravo? Aquele jeito de mau? E que garras! Ô, lá em casa!! Falando nisso, adorei aquela propaganda de cerveja em que a mulherada fala pros homens coisas que certamente todas nós já ouvimos na rua diversas vezes.

Acho que eu não estava conseguindo disfarçar muito meu, digamos, entusiasmo, diante das cenas do Wolverine peladinho porque o Bola ficava só me cutucando. Achei que meu rim ia arrebentar, de tanta cotovelada que eu levei! Mas nem senti, menina?! A vista estava ótima!! E sabem que o Victor também não era de se jogar fora? Só que ele é mau demais até pra meninas como eu que assumidamente acham homens (aparentemente) maus um tesão. Mas que o Victor dá um caldo com bastante sustança, ah! Isso dá!!

E o Wolverine corre, e sua, e beija, e abraça e faz miséria com aquela mutante invejável (quem não seria invejável nos braços do Wolverine, cheinho de amor pra dar?). E corre, e apanha, e bate, e pula, e mata, e deixa de matar! Ah, que delícia um Wolverine que pode matar e não mata! Ah, que delícia o Wolverine naquela moto!!

É, eu não tava mesmo conseguindo disfarçar minha, digamos, admiração pelo personagem do Marvel! Acabei ouvindo: Gatinha, calma, viu? Gatinha, calma, viu? Gatinha, calma, viu? Lá pela milésima vez em que ouvi Gatinha, calma, viu? Não me contive.

Ô Bola! Quando você ta vendo a Playboy lá em casa eu fico falando pra você ter calma? Então me deixa ficar nervosa à vontade, oras!!!


Laeticia continua achando o Wolverine simplesmente um tesão!!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

«Estagnamento» no sofá

Sete e meia da noite, esta é a hora que eu começo o meu «estagnamento*» no sofá. Me jogo no sofá e o dia acaba. Há uns meses atras eu conseguia com um pouco de estimulo sair do sofá e fazer alguma coisa. Mas gradativamente fui inventando boas desculpas pra me esquivar de ter uma vida depois do trabalho, tenho que admitir que algumas das desculpas realmente são muito boas:

É inverno, então é normal de ficar com mais preguiça.
O neném acordou muito cedo hoje, estou com sono e com motivo.
Não estou gorda, não preciso de me mexer.
Tenho que me dar o «direito» de não querer fazer nada de vez em quando.
Tá chovendo.
Trabalho, filho e casa. Cansa demais preciso de tempo pra relaxar e nao fazer nada
Ler um livro? blaah, passei o dia todo lendo no trabalho
Ver um filme? Nossa, ver fime implica em pensar. Prefiro a TV que não preciso pensar em nada, só «relaxar»...
Etc, etc etc
 
O tempo foi passando e cada vez mais eu fui me dando «o direito» de não treinar, de não ler um livro, de não sair pra visitar uma amiga, de não sair pra ir numa loja. Nada. Quando minha filha vai pra cama às sete da noite, pronto acabou.  

Os ultimos meses foram assim, estagnada no sofá. E o pior é que sinto que não tenho tempo para nada. Escrever um texto pro blog? Nossa não, to na correria. Escrever um e-mail pra uma amiga? Não, tô cheia de coisas pra fazer, deixa pra um dia mais tranquilo. Treinar? Que é isso com essa correria toda? Bom, com toda essa correria para começar o estagnamento do sofá, só se for. 

E enquanto eu escrevo o texto, eu começo a entrar no meu modus de «ei peraê, será que minhas desculpas realmente não são verdadeiras? Todas as mulheres modernas que trabalham, têm filho e cuidam da casa (e que não têm empregada) não andam reclamando da mesma coisa? Será que estou sendo contaminada pela «sociedade das mulheres maravilhas», que querem fazer tudo ao mesmo tempo? Ou será que estou com estagnamento de sofá crônico? 
Estou neste dilema... sem saber como fazer pra sair do meu estagnamento do sofá, ou sei lá quem sabe num é melhor admitir que a vida é assim mesmo depois que a gente tem filho? Humm será que essa foi mais uma desculpa pra minha lista de desculpas? Ou apenas mais uma realidade que  está sendo dificil de aceitar? 
 

Liz vai continuar a noite estagnada no sofá. De qualquer maneira foi um grande progresso que sentou e escreveu o texto no meio do estagnamento. Vai continuar pensando no assunto. Mas acho que vai ser mpossivel de saber que bicho que vai dar essa historia. 

*Minha gente, a palavra não existe, eu que gosto de brincar com o português.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Tempestade

Quando o vento me carrega
E pelo ar eu velejo
Vôo, danço, fico cega
E ouço o rumor do teu desejo

Me rebelo, me solto e, furiosa
Me rolo, enrolo, trovejo!

Caem raios e trovões
Eu transbordo, não gotejo
Enquanto abraço, escrevo, amo
Danço, durmo, beijo
Sou eu mesma, não te engano
Despenco no mar e ondejo
E ondejando eu vejo o céu

Hoje
Na via Láctea tem festejo.

Renata anda ressuscitando lembranças de outras épocas, e acabou encontrando um poeminha despretensioso e gostosinho. Espera que vocês gostem também!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Silêncio das Palavras


Acordou e não queria dizer, abriu a boca mas seus olhos continuaram fechados. Procurou se lembrar do que havia acontecido enquanto tentava ao mesmo tempo esquecer. Tinha vontade de dormir por anos a fio, com o intuito de que o tempo levasse tudo embora, tudo mesmo. Recompunha tudo que havia sido dito, acreditava que dessa vez não fora ela quem começara a discussão, mas é sempre tão difícil saber ao certo. Por mais que Anastácia tentasse, sua opinião já estava estabelecida e, infelizmente, não era das melhores impressões. E a falta de conversa sobre o assunto a fazia acreditar cada vez mais que não se enganara, mas no fundo, gostaria de o estar. Por que não conversavam? Não o sabia e já estava cansada de ser sempre a pessoa a tentar. Não mais. Estava resolvido, tinham resolvido por si só. Falaria apenas de coisas boas, fingiria que as ruims não os atingia, não perguntaria o que não estivesse preparada para saber e mais, deixairia que o tempo, mais uma vez mostrasse as caras, das pessoas.


Esse texto foi escrito há alguns dias atrás, fiquei pensando sobre ele por muito tempo, na dúvida se publicava ou não. Contudo, ainda hoje, escrevi, outro mais sombrio, e percebi que o melhor era deixar como está, pois algumas dúvidas só tempo é capaz de tirar.

domingo, 3 de maio de 2009

A manhã nada habitual


Não tenho uma rotina fixa. Acho isso ótimo! Tenho horários flexíveis que vez ou outra se transformam em horários malucos. Porém quarta-feira é sempre um dia que trabalho até muito tarde da noite e na quinta-feira só volto ao trabalho depois do almoço. Portanto, quinta-feira na parte da manhã é o único dia na semana que eu me dou ao luxo de dormir ate acordar, sabe? Sem ser com barulho de despertador, tomo lentamente café da manhã enquanto passo os olhos no jornal e lentamente preparo o ritual “ir pra natação”. Mas nesse dia foi diferente. No meio do meu sono matutino profundo o telefone fixo da casa toca. Minha mãe estava pra chegar de viagem e só me levantei da cama pra atender pois poderia ter acontecido algo. Enquanto trombava pela casa ainda dormindo ao caminho do telefone passei os olhos no relógio. Ao mesmo tempo que disse alô vi que era algo em torno de sete e meia da manhã. Do outro lado da ligação era uma amiga da minha mãe, ligou só pra bater papo! Achei aquilo o fim da picada! Não se liga nem pro melhor amigo numa quinta-feira as sete e pouco da manhã!! Ok, melhor voltar pra cama, tenho uma facilidade enorme de voltar a dormir. Uns dez minutos depois chega a outra de viagem. Fiquei imóvel na cama, fingindo que estava dormindo. Mas ela chega falante (falava com o Pacote, o cão da casa) e dando mil ordens sabe-se lá pra quem! Até que me rendi e levantei com um inevitável mau humor. Pensei com meus botões “tomo café com ela apenas concordando com tudo pra ela ficar feliz e volto pra cama”. E assim fiz... Porém assim que fechei os olhos toca a campanhia. Era o pedreiro que veio consertar a infiltração pós chuva que deu em duas paredes. E adivinhem onde era uma das paredes? Claro que era no meu quarto né! Mas como assim... o trabalho começa agora? Isso significa que tenho dez minutos pra guardar todas as coisas do meu quarto ou elas ficarão com aquele pó fino e branco por muitas semana? Eu só queria dormir em paz. O mau humor foi só piorando, era inevitável. Minha única saída foi guardar tudo que pude e desaparecer daquela casa! Caí mais cedo na água e lá pude enfim encontrar o silêncio habitual das manhãs de quinta. Mas mesmo assim fui trabalhar com sono e mau humor.


Mariana escreve esporadicamente e nesse dia foi trabalhar com um atípico humor, que certamente foi entendido pelos colegas como TPM mas ela jura: não era.

sábado, 2 de maio de 2009

Vovó sabe tudo!

Todos nós temos figuras pitorescas em nossa família que beiram a caricatura. São surreais. Senão na família, pelo menos nas nossas relações, em algum grau.

Relendo meu último texto me dei conta de que esqueci de mencionar a contribuição da criatura mais hilária que já conheci.

Ela pode ter significado uma grande influência em meus devaneios juvenis e provavelmente no que sou e faço hoje, e onde moro.

Minha avó é a tal.

Na infância se tornou muito popular entre as minhas amigas e mais ainda durante a adolescência por acreditar que previa o futuro e sentia o que ia acontecer.

Não posso deixar de salientar que a abundante quantidade de bolo, sorvete e chocolate na casa dela também era um fator bem atraente.

Algumas vezes ela olhava para a menina e dizia que via isso ou aquilo, na maioria das vezes o assunto era relacionado ao sexo oposto. Outras, tínhamos longas sessões de leitura de cartas que nos deixavam super ouriçadas e esperançosas do que estava por vir nos nossos caminhos.

Foram poucas as situações que ela acertou na mosca. A maioria passou longe, bem longe... hahahaha, mas a diversão era garantida.

Surpreendentemente, grande parte das que ela acertou parecem ter se concentrado na minha pessoa.

Aos 9 anos ela me disse que eu trabalharia na área da saude, moraria fora do Brasil e que meu marido seria estrangeiro, loiro e de olhos azuis.

BINGO!

Pensando em não perder tempo, já que isso faria parte do meu destino, aos 10 anos comecei a cursar inglês. Aos 16 entrei na faculdade de Fonoaudiologia, mas a essa altura já havia esquecido das profecias da vovó sabida.

Quando bem mais tarde nos demos (eu e a vovó) conta das “coincidências”, ela mesma se orgulhou de seus super poderes e fez questão de espalhar para todo mundo ouvir que ela era vidente MESMO!!!!

Minha irmã mais velha está grávida, minha prima também. Ela prossegue “adivinhando” e errando a torto e a direito o sexo dos pimpolhos que estão por vir.

Mas é claro, o que vale são os louros colhidos pelos feitos, mesmo que raros.

Realmente acredito que foram minha força mental e vontade que fizeram que as coisas acontecessem da forma que ela previu. Aos 9 eu era muito suscetível às opiniões alheias e portanto deixei que aquelas frases se entranhassem em mim e fizessem parte do meu subconsciente, vindo então a fazer parte do meu futuro.

Mesmo assim, ainda surpreendente.

Óbvio que eu nunca vou dizer isso a ela pois afinal de contas: “Vovó sabe tudo!”


Lil escreve aqui esporadicamente e morre de orgulho de ter uma avó que, aos 82 anos, além de vidente é também a mais linda e vaidosa.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Véspera de Aniversário ou Como o Inferno Astral Não me Pegou este Ano

Todo dia dois de abril é uma caquinha. Impressionante como o início do inferno astral é marcante. Sempre acontece alguma meleca, o humor fica péssimo, parece que tudo dá errado todos os dias, o dia inteiro. Fico me sentindo como se estivesse numa eterna TPM, daquelas bem bravas. Só que este ano foi diferente. Talvez porque eu tenha vivido um 2008 IN-TEI-RI-NHO no inferno astral, parece que ganhei uma trégua neste mês de abril. Nem me lembrei do
meu inferno anual, quando assustei, já era maio.

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Ontem finalmente peguei meu álbum de casamento. Um vexame, concordo. Afinal, vão-se mais de três anos de casada. Mas, fazer o quê, né? Prova pra vocês que tardo, mas não falho até com a lembrança de um momento tão importante! E não será agora, quase aos TRINTA E DOIS anos (estou nos 45 do segundo tempo) que isto vai mudar!!

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Inevitável! Hoje acordei pensando “amanhã é meu aniversário; vou fazer TRINTA E DOIS anos”. Virei pro meu marido e fiz aquela perguntinha clássica, já cutucando o coitado “tá dormindo?” Assim que ele abriu os olhos, eu soltei “credo, amanhã vou fazer TRINTA E DOIS anos... sabe o que isto significa?” Os olhos se abriram novamente, me mirando “o quê?!!” “Que VOCÊ tá mais pra QUARENTA DO QUE PRA TRINTA!!!”

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TRINTA E DOIS anos. P*t* m*r*a!! Como o tempo passa rápido. Outro dia mesmo eu estava pensando que em 1992 eu faria 15 anos. Depois eu fiquei pensando em qual curso faria quando entrasse na faculdade no longínquo 1995 e aí fui parar do outro lado do mundo. Meu vestibular ficou pra 1997. E D REPENTE – momento merchandising – eu conheci meu marido, ainda em 1999. No finalzinho, mas ainda em 1999. Vocês estão entendendo que isto tudo foi no SÉCULO PASSADO?!!!

Laeticia achava que nunca mais ia querer comemorar seu aniversário. Mas a alegria já voltou e amanhã vai ser dia de festa. Como todo ano.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Para que serve um irmão

Irmão serve pra gente não se sentir nem tão só, nem tão sufocado pelos pais quando chega neste mundo. Irmão serve pra gente admirar desde pequenininho. Serve pra ter o brinquedo que sonhamos que ele nos empreste, ou melhor, que sonhamos que ele brinque conosco. 

Irmão serve para nos dedurar para os pais quando a gente fez ou deixou de fazer alguma coisa, quando comemos o que não devíamos, chegamos na hora errada, andamos com quem não podíamos e ainda tivemos a ilusão de que conseguiríamos esconder tudo isso. Mas, incrivelmente, também serve para acobertar todos os mesmos pequenos crimes, quando estiver em boa lua conosco. Nestas horas, jura até pela morte da mãe sobre algo que nem é tão verdade assim. 

Irmão serve pra ser o primeiro a nos mostrar que no mundo, opa, tem gente que veio antes em qualquer situação, e que terá direitos em função disso, legítimos ou não, mesmo que consideremos isso injusto, às vezes. Mas tem o outro lado também, pois possivelmente eles sofreram mais do que nós em muitas coisas que nossos pais já estavam mais amaciados quando chegou nossa vez. Então, irmão também serve pra gente aprender a dar valor para os pioneiros que abriram alas em qualquer situação. 

Irmão serve para nos ensinar a andar de bicicleta e a nos esconder ou correr mais rápido (geralmente aprendemos isso quando fugimos dele, mas acaba servindo para muitas outras coisas). Irmão serve pra fazer cabana na sala e acampamento no quintal. Também nos ensina como fazer chantagem emocional e porque o que funciona com os pais não funciona na rua. 

Irmão serve pra nos mostrar que a gente está ridícula com aquela roupa (melhor ouvir a gozação em casa do que dos amigos, não?). Ou pra nos dizer que a gente está linda, quando não está, só porque sabe que vai deixar a gente feliz. 

Irmão serve para nos levar pela primeira vez na reunião dançante, na balada, ou para fazer algo bem proibido, escondido dos pais, obviamente. 

Irmão serve para nos defender até o fim fora de casa, com unhas, dentes e porrada, se for preciso, mesmo que estejamos de mal há duas semanas dentro de casa. Se souber bastante palavrão então, ou arrota bem alto, estamos feitos. 

Irmão serve para desabafar, pra ser alguém que podemos xingar e pedir desculpas com facilidade. Serve para dar colo quando nos sentimos sós, para encher a cara com a gente, quando queremos esquecer de alguma coisa, ou para ficar em silêncio, vendo as estrelas e ouvindo o barulho do mundo quando o coração precisa ficar mais leve. 

Irmão serve para nos dizer, sem firulas, que um namorado é um babaca, ou que um outro é um cara legal, e que, já que não podemos fugir de experimentar o que existe neste mundo, porque não tentar? 

Irmão serve pra entrar na igreja com a gente, quando o pai já se foi. Serve pra rir quando a gente tropeça, ou faz uma cagada, fazendo a gente ver que nada é tão grave nesse mundo. Serve pra se emocionar quando a gente consegue andar de bicicleta, se formar ou conseguir um emprego legal, mesmo sabendo que, em todos os casos, estamos indo embora. 

Irmão serve pra gente começar a aprender de um jeito mais fácil como é o tal esquema de amar e ser amado. Irmão serve pra nos dar sobrinhos que amaremos como nós amamos a ele, e a quem defenderemos como ele nos defendeu, por toda a vida. 

Para os que  egoisticamente foram os únicos que nasceram de uma barriga, muita calma. IRMÃO deve ser entendido não só como aquele de sangue, e que merece esta definição, mas sim, como aquele que cuidadosa, e raramente escolhemos chamar de nosso irmão, seja de sangue ou não. Abençoados aqueles que, como eu, podem chamar com orgulho de IRMÃO os que vieram dos mesmos pais. 

E desculpando-me pela delonga, mas já sem resistir, segue uma música das mais simples, e mais lindas, que eu já ouvi. 

Corpo e Alma - Kleiton e Kledir

 

Quando eu era assim
Bem menor
Não tive afim, sei lá
De pensar em nós
Agora eu sei e entendo melhor
Vidente eu li no céu
Vai por mim, somos corpo e alma
Meu irmão, meu par

Quando a solidão
Se enredar em ti
E o coração dançar
Conta comigo
Eu quero estar, viu
A teu lado
E haja o que houver
Junto a ti, feito corpo e alma
Meu irmão, meu par

Sei que a vida vai aprontar
E o que vier, azar
A dois é fácil segurar
Se Deus deixar, viu
Meu amigo
Vou sempre estar aqui
Junto a ti, feito corpo e alma
Meu irmão, meu par

 

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Nesta, muita saudosa de seus irmãos de barriga. Dequinho, parabéns pelo teu dia, mesmo quando longe, estamos sempre contigo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Natal

Semana passada escrevi em um rascunho, de lápis, de pé um texto detonando uma operadora de celular que me atendeu mal pela enésima e última vez.
Por causa de zilhões de afazeres urgentes, não consegui digitar o tal texto e acabei dando espaço para uma estreante: bem vinda!
Tudo bem, pensei, semana que vem escrevo. Mas acontece que, novamente, será impossível.
Acontece que estou escrevendo de um hotel à beira da piscina e à beira mar em NATAL!
Estou a trabalho, mas consegui conhecer algumas coisas e fazer o famoso passeio nas dunas de Genipabu, que vale toda a fama que tem.
E vocês têm que concordar comigo que é impossível se indignar com qualquer coisa numa situação dessas...

Renata deseja a todos muito sol, muito mar e muiota água de côco!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cuma?

Conversa de gente doida:

_ Bom dia o senhor saberia me informar como é que eu faço pra chegar na Av. Álvarez Maciel?
_ Ihhh! Num sei não.
_ O senhor saberia me dizer pelo menos o nome desta rua que estamos?
_ Ih moça, num sei também não.
_ ....O senhor não sabe nem o nome dessa rua!
_ O moça num sei não, mas de uma coisa eu sei; sei que não tô perdido.

****
Em um estabelecimento:
_ O garçom vocês tem vinho?
_ Não, vinho não tem não, mas tem Pepsi.
_ ....
Casos e acasos, vividos, ouvidos, contados.

domingo, 26 de abril de 2009

A Culpa é da Maçã

É impressionante a perseguição à maçã na história. Na versão bíblica, era o fruto proibido. Prová-la significou a expulsão do Paraíso. Na história infantil da Branca de Neve, olha a vilã aí de novo! A madrasta oferece a maçã à Branca de Neve, que, ao comê-la, cai em sono profundo. Ou seja, praticamente tornaram a maçã a personificação do mal!

Com o filme tão queimado, a gente começa a pensar que, se fosse oferecida à Branca de Neve uma torta de chocolate, ela não cairia no sono mortal. Poderia ficar mais gordinha, poderia ter diabetes quando mais velha, mais ficaria viva por um bom tempo! Se fosse oferecida uma boa fatia de picanha, A Branca de Neve poderia ter problemas com colesterol alto, ou, no piro dos casos, desenvolver o mal da "Vaca Louca"! Mas não, ofereceu-se à Branca de Neve justo uma maçã! Ninguém ofereceu à ela cigarro, ou bebida, que também matam, mas aos poucos. A menina não teve a chance nem de ficar viciada, comeu a maçã e caiu no sono.

Tudo bem, estou pegando pesado com a maçã. Os religiosos iriam me criticar por tanta blasfêmia, e ainda por cima porque a maçã é simbólica. O mesmo me diriam pedagogos e pais em geral, que diriam que a história infantil é só uma metáfora para as crianças não aceitarem nada de estranhos. Estão certos. Mas, então, por que pegar no pé só da maçã?! A bruxa, fantasiada de velhinha, poderia ter oferecido um doce à Branca de Neve. O doce estaria envenenado, e a Branca de Neve cairia no golpe do "Boa Noite Cinderela"! Olha aí a confusão! Mas foi isso o que aconteceu, só que com a maçã no lugar do doce. Atualizando a história, as crianças de hoje não aceitariam mesmo a maçã. Nossa sociedade é glutona mesmo, e uma criança iria preferir um bolo de chocolate!

Já no caso de Eva, não creio que ela ficasse tentada com a maçã, e sei que, segundo os textos sagrados, ela queria ter o conhecimento do bem e do mal, e o fruto vinha dessa árvore. Mas poderia ser outra fruta, como a manga, por exemplo. Até Isaac Newton descobriu a gravidade por causa da maçã, segundo alguns humoristas! A maça lhe caiu na cabeça, e ele percebeu a força de atração da gravidade. Meu Deus! Mas será que maçã é a fruta mais comum do universo!?! Não dava pra ser mais criativo?!

Bom, depois de tanta viagem na maionese (maionese com maçã, por favor), vou continuar comendo maçã, mas tenho a impressão que ela pode ser prejudicial à minha saúde!

Tânia gosta de frutas, principalmente de maçã. Mas acha que há um complô histórico mundial que as discrimina!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Rotina de Mulher Moderna


06:11 – Ser acordada na marra pelo marido pra correr na Av. Silva Lobo
07:40 – Chegar em casa bufando e suando e correr (de novo) para o chuveiro porque você já está atrasada
09:00 – Levar os documentos na concessionária porque você está trocando um carro quitado por um financiado (crise é foda)
10:00h – Correr (de novo) pro escritório porque você está uma hora atrasada!!
10:45h – Após ouvir muita música no trânsito, finalmente chegar ao trabalho
11:00h – Cobrar do contador incessantemente sua declaração de renda que até hoje não está pronta
11:20h – Finalmente começar a ligar pra todos os seus clientes
12:00h – Almoçar correndo (again!) e voltar pra escrever o post porque a Carla já lançou a aposta no grupo
12:30h – Engolir a comida porque um cliente ligou querendo ir ver uma cobertura de 400 mil reais que pode te render quatro mil de comissão
15:00h – Chegar do atendimento exausta, suada e sem a proposta na mão, porque o cara tem que ver com a mulher dele primeiro (e tá certo o cara, cá entre nós)
15:15h – Ligar de novo pro contador pra cobrar sua declaração de renda.
15:30h – Ir pra reunião de última hora da equipe porque é raro conseguir juntar todo mundo
16:30h – Correr (alguma surpresa?!) pra uma empresa pra ouvir a proposta de trabalho que querem te fazer
17:00h – Gentilmente declinar a proposta e conseguir o que só uma mulher moderna consegue: dizer não e manter as portas abertas
18:00h – Lembrar que o trânsito está uma bosta, seu notebook está no escritório e você ainda nem escreveu o post
18:30h – Conferir o blog desesperadamente pra ver se postaram algum texto esporádico
18:31h – Escrever freneticamente um post que não era o que você pretendia e rezar pra ninguém postar um esporádico
19:17h – Explicar pro marido que é melhor ele ir tomar uma cerveja enquanto você acaba o post, porque depois você vai sim ao centro espírita
19:18h – Terminar o post e publicar no blog: NÃO TEM PREÇO!!!

Laeticia tarda, mas não falha, é furona, mas nem tanto, e a piadinha da Carla está fazendo ela ficar craque em escrever posts em questão de minutos!!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Receita para um lar

Se alguém me perguntasse na semana passada como se faz um lar, admito que eu teria que pensar muito na resposta.

Em grande parte, porque a vida que eu levo atualmente não me deixa tempo para me dedicar à função.

Sim, porque um lar é algo que exige, em primeiro lugar, dedicação.

Tive várias casas durante a minha vida - a casa da minha avó, a casa da minha mãe, as amazonas, as casas em SJC e agora a casa em Itapira - mas e o lar?

A casa da minha mãe é um lindo lar. Com a cara e o jeito dela. Porque é assim que um lar tem que ser.

E porque é que eu me peguei pensando nisso quando comecei a escrever esse texto? Porque nesse último feriado eu tive a agradável surpresa de visitar um lar.

Um lar que ainda está nascendo, mas que já tem a cara da dona.

Um lar que nasceu primeiro dentro das idéias, e que toma forma a cada dia.

Um lar onde ainda não se habita, mas que já acolhe quem por ali passa.

Esse lar é a casa da Carol e do Rodrigo, e esse texto é um desejo de que lá eles sejam muito, muito felizes.

Milena escreve aqui às quintas.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Arrepio na nuca

Quer coisa melhor que arrepio na nuca? 

Daqueles de quando imaginamos a cena de algo que queremos muito e ainda não aconteceu. 

De quando encontramos o caminho na estrada, depois de termos nos perdermos. 

De quando, após espera, vemos o rosto da amiga, do amado, do irmão que partiu e agora retorna. 

De quando temos um pressentimento e resolvemos não atravessar a rua, não sair agora, escutando nosso anjo e economizando seu trabalho. 

Daqueles na hora de tomar coragem pra dizer algo muito importante para alguém. 

Daqueles de resultado de prova, de resultado de exame, de resultado qualquer, que tenha sido positivo. 

Daqueles na hora que chega aquele e-mail, em que cada minuto de espera serviu pelo infinito. 

Daqueles da notícia boa que chega de surpresa, do amigo que arrumou um emprego, do que vai ter um bebê ou do bebê que acabou de nascer. 

Daqueles de quando alguém que te abraça no meio da noite, ou de alguém que pegamos nos observando sem querer. 

Arrepio na nuca de beijo no pescoço, respiração afobada, coração acelerado, tesão. 

Quer coisa melhor? 

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Deseja e quer muitos arrepios, para hoje e sempre, para ela e para você.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Abril 2009

Faz tempo que lido com os mesmos questionamentos.

Há uns 15 anos atrás eu parecia ter uma visão bem detalhada de como a minha vida seria quando eu tivesse uns 30 anos.

Assumo que sou (ou era) uma romântica incorrigível, alguém que acredita (va) no lado lindo da vida, no amor incondicional e nos contos de fadas.

E a droga é que nem posso culpar minha mãe por tal feito, visto que a mesma é uma pessoa bem realista e que jamais alimentou essa minha ideia fantasiosa da vida.

Por que cargas d’água então sou (era) assim?

Quando paro pra pensar nisso prefiro culpar o zodíaco por ter nascido no dia 26 de fevereiro de 1979 e, portanto, sob o signo de Peixes, sol em Peixes e ascendente em Gêmeos, o que em teoria, deveria balancear essa minha visao extra rosa da vida mundana. Engano seu (ou meu!).

Imaginava eu ser proprietária de uma escola fundamental bilíngue (sim, o pioneirismo tambem fazia parte das minhas características), trabalhar como hobby apenas e não por necessidade financeira, ter um casal de filhos lindos e maravilhosos e casar com meu primeiro namorado que, por ter muito sucesso profissional, me daria uma vida de princesa e com todas as atenções que uma pisciana exige. Obviamente que nunca passou pela minha cabeça que sucesso profissional custaria o tempo dele e portanto, o nosso.

Nesta vida fantástica eu faria ginástica diariamente, depilação todos os meses, manicure e pedicure uma vez por semana, cabelereiro a cada 20 dias, massagens frequentes e viagens internacionais incessantes.

Óbvio que eu teria uma empregada que cozinharia, limparia, passaria e também faria as compras do supermercado.

Ai como tudo era tão bom lá, onde meus neurônios se encontravam.

Paaaaaaaaara tudo!

De que serviu o movimento feminista? A longa luta que as mulheres de gerações anteriores passaram para conquistar um nível de relativa igualdade nesta nossa sociedade machista?

Dane-se tudo isso. Eu nasci foi na década errada.

15 anos depois não, meu trabalho não é um hobby. Sou uma audiologista que trabalha 40hs por semana e que tem sua carreira como um dos focos de sua vida (mas onde foi que isso mudou?).

Não, não casei com meu primeiro namorado. Na verdade tive uns 6 namoros sérios até achar que tinha encontrado o “the one”. Casei, descasei e “me ajuntei” de novo . O tal do amor incondicional revelou-se uma balela. Enquanto o relacionamento estiver funcionando segue adiante. Se não estiver bom pra ele, pra mim, ou ambos é melhor mesmo deixar a energia circular e encostar o caminhão em outro posto de gasolina.

Sim, meu marido tem sucesso profissional mas quem garante que o sucesso dele é o meu? Bom pra ele mas melhor pra mim se eu mesma encontrar meu lugar ao sol, e não na sombra de alguém.

Vida de cinderela? Alguém ja ouviu dizer que na Austrália empregada existe? O máximo dos luxos disponíveis é uma faxineira semanalmente que limpa o chão, a cozinha e os banheiros. E ai de ti se tu quiseres que ela limpe o forno. A resposta será um respeitosamente: “No sorry”.

E os cuidados comigo? Com muita sorte consigo marcar cabelereiros e afins nos finais de semana quando o o Seu Fritz não decide que o vento ta pegando e que temos que debandar pra praia senão o mundo vai acabar. A ginástica rola em casa mesmo, com os aparelhos que o mesmo Fritz adquiriu para ter a garantia que a mulher nao vai embarangar, mesmo com a falta de tempo.

Ao invés de repetidas visitas à clinica estética, a rotina na verdade se resume a passar, lavar, limpar, escrever, organizar, telefonar, cozinhar, cuidar, trocar, sorrir, gargalhar, comprar, pular, abraçar, beijar, empacotar, embrulhar, dirigir, distrair, brincar, arrumar e, é claro, além disso: trabalhar.

Sim, tenho uma filha linda e maravilhosa , esta foi a única parte do “plano” atingida com sucesso. O segundo filho? Bem, quem sabe daqui a alguns anos, quando eu passar a aceitar de uma vez por todas que meus neurônios pensantes e sonhadores me pregaram uma peça do caramba!

Lil escreve aqui esporadicamente e de lá, bem longe, do outro lado do mundo chegou até a esquecer que no meio de tudo isso ela fez sim incessantes viagens internacionais.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Do outro lado da rua


Esteve sempre no mesmo lugar, bom nem sempre, mas desde que ela se lembrava, lá estava, a casa. No meio de um jardim, um tanto quanto tumultuado, por gramas, ervas, matos, árvores, se via ao longe uma casa. Pequena, com varanda, chamando para entrar, no entanto, abandonada. Por muitos anos estava assim, sozinha, no meio de outras casas habitadas, mas ela, sozinha. Vez ou outra, um mendigo se aventurava e por lá permanecia por alguns dias, depois, estes, também sumiam. 

Em suas caminhadas Anastácia um dia reparou, mais do que já havia olhado e começou a sonhar, mais do que já sonhava. Com a casinha, o jardim, as flores que irá plantar, mensageiros do vento, um cão, quem sabe dois, gatos, o varal com roupas de cama estendidas, a sala, a varanda, uma rede, a cozinha, comidinhas, o quarto, seus amigos, sua família, e com ela mesma. Anastácia passou dias a sonhar, tudo nos máximos detalhes. Seu companheiro sempre presente. A casa agora tinha cheiro de bolo, gosto de gente feliz, som de uma música que Anastácia gosta muito. Em fim a casa agora tinha vida, a vida de Anastácia.


Sonhando e acreditando Anastácia vivia, pois sabia que a casinha estava só e somente só a sua espera.

sábado, 18 de abril de 2009

Aventuras em Série - 3º Aventura - Março de 1999


Outro feriado, Anastácia apenas queria descançar, não queria pensar em nada, em mais nada. Viajaram, ela e a pessoa que agora a fazia mais feliz. Foram novamente para uma cidade que era, por ambos, adorada, pois já continha muitas estórias, causos e acasos, mas pela primeira vez alugaram uma casinha, um tanto quanto, interessante.

Tarde, logo na chegada, resolveram, uma carninha, sim, vamos lá. Como tinham muito em comum, não era difícil tomarem decisões sobre o que iriam comer ou beber, o acordo estava por si só, préviamente estabelecido. Sim, uma carninha e uma cerva sempre desciam bem.

Contudo a tal calne estava congelada,portanto um solzinho caía bem. Lá se foi, seu bem amado, com a melhor das intenções, colocou a bandeja na varanda, pois lá, e somente lá, havia sol. Mas esqueceu do infeliz detalhe, o lindo e amoroso cachorrinho do vizinho, que perambulava por todos os jardins, e por lá também estava, e a despeito de Anastácia ter demonstrado carinho pelo canino, o mesmo, assim que farejou a bandejola congelada ao léu não pensou duas vezes e LAPU!

Após alguns minutos tomando a bendita cervejinha, ambos foram em busca da carne desconjelada, mas nada encontraram. Perceberam de imediato o que havia acontecido, foram em busca do cão, agora, inimigo consumado, e o encontraram, no maior bem bom, no meio do mato com cara de égua que acabou de participar de um belo banquete.


Ocorrido numa Semana Santa, episódio cômico, do qual riem até hoje.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Desespero

Foi depois do almoço que meu corpo começou a ficar mole. Parecia que eu havia tomado uma surra. Daí a pouco a cabeça começou a doer. Quer dizer, começou a doer mais, porque já estava incomodando desde cedo. Aquela dorzinha chata, nem muito forte, nem muito fraca, que não te deixa esquecer dela. Fica ali doendo o dia todo. E o pior é que eu nem posso pensar em ir pra casa porque o trabalho me espera, a conta bancária está indo de rosa pra vermelha e eu preciso correr atrás do prejuízo. Olhos ardendo em frente ao notebook? Imaginação!! Cabeça parecendo que vai arrebentar quando o telefone toca? Bobagem! E quando tocam dois, três telefones simultaneamente? Ai, que vontade de evaporar!! Tô doida pra juntar tudo e ir embora tomar um banho gostoso, tomar um chá quentinho e me enfiar debaixo das cobertas. O desespero já está me dominando. Que falatório!! Parece que todos os sons estão amplificados. Até o ar condicionado que eu amo está me incomodando. Quero ir embora. “E.T., telefone, minha casa!!” Mas o trânsito deve estar tão ruim ainda que é melhor esperar. Mesmo que eu já não esteja conseguindo pensar. É melhor esperar aqui no geladinho do que no trânsito congestionado. Acho que é falta de sertralina! O médico mudou o horário de tomar. Não... não é falta de sertralina. Ele me explicou que não ia fazer diferença. É. Não tem jeito. É gripe mesmo!!

Laeticia acordou mal humorada com o Bola apelando pra ela ir correr com ele, achou ótimo ter ido, mas o vírus a dominou completamente ao longo do dia.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Expectativa é tudo

Há muito tempo que O Fantasma da Ópera é o meu musical preferido. Sei de cor todas as músicas e todas as cenas. Acho lindo mesmo e sempre que começo a ouvir acabo repetindo continuamente minhas partes preferidas. 

Posto isso, era de se esperar que O Fantasma fosse o primeiro musical que eu assistiria na Broadway, certo? Certo. 

Ingressos na mão lá fui eu para o Majestic. 

Sim, o espetáculo é um espetáculo. O cenário é de cair o queixo. O figurino é sensacional. 

Mas não me emocionou. Pra falar a verdade teve uma hora que me deu até um pouco de sono. Triste, mas verdadeiro. 

Saí de lá bem desiludida com os musicais em geral e passei pela Broadway quase todos os dias sem ter vontade de assistir nenhum dos outros. 

Até que, dois dias antes de voltar para casa, resolvi dar uma nova chance à famosa rua. Fui para a TKTS naquele esquema: 

- Qual é o espetáculo mais barato que você está vendendo? 

- É a matinê da pequena sereia para amanhã. 

- Serve. 

E foi assim que eu voltei à Broadway para assistir A Pequena Sereia. 

Gente, meu queixo caiu e durante mais de duas horas não voltou ao lugar. Eu não consigo nem contar a quantidade de superlativos que surgiram na minha mente enquanto Ariel – que é a mais perfeita sereia que eu já vi – cantava, dançava e patinava pelo palco. Úrsula, a bruxa marinha mais má de todos os tempos também é perfeita. Daquelas que dão pesadelo em criancinhas. Quase me fez chorar cantando Poor Unfortunate Souls.  Sebastian, o crustáceo é hilário e o menininho que interpreta o Linguado é a coisa mais fofa do universo. 

Não dá pra relatar porque não existem palavras suficientemente boas, mas fica aqui o meu conselho: se tiverem oportunidade, não percam. Levem seus filhos e avós e observe o que os novaiorquinos chamam de “efeito-a-pequena-sereia”. 

Milena se reencontrou com os musicais quando não havia nenhuma expectativa de que isso fosse acontecer. Voltou feliz, mas queria ter assistido O Rei Leão, Mary Poppins, Chicago, Shrek, Hair, Cats...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Oração para uma menininha aos dois

Que aos dois anos tua maior preocupação seja convencer a mamãe a te deixar vestir o que tu queres, mesmo que o resultado seja um susto para os outros. 

Que aos dois tu já saibas do que tu gostas e tenhas tua cor preferida, tua fruta preferida e teu jeito preferido de dormir, mas que continues muito curiosa e aberta para tudo o que é novo e se apresente a ti. 

Que tu já saibas conquistar o que tu queres, ainda mais se for com um sorriso, uma carinha sapeca, ou fazendo ombrinho, mas não com um chorinho. 

Que tu caibas inteirinha deitada na barriga do papai, e que ele tenha horas infinitas pra te deixar lá. 

Que tu aches que a mamãe é a mulher mais linda do mundo, e rezes para que tu sejas igualzinha a ela quando cresceres, só bem depois de estar cansada de andar dependurada nas pernas dela. 

Que o teu maior sonho seja que a tua fantasia de fada não se estrague nunca e que a mamãe te deixe ir para a escolinha com ela sempre que tu quiseres. 

Que tu já conheças o mar e a neve, o trenó e o papai-noel, as conchas, uma fogueira, os filhotes, as pantufas e as abóboras. 

Que tu saibas de cor a música que tu mais ama, e que a mamãe e o papai tenham muita paciência para deixar-te ouvi-la pelo menos mais umas setecentas vezes. 

Que tu te surpreendas a cada dia, a cada instante, e te permita rir muito, ficar atônita, com os olhos arregalados e a boca aberta, sempre que isso acontecer, sem se preocupar com o que os outros pensem de ti. 

Que tu sempre vejas coelhinhos e dragões nas nuvens e que tenhas muita pena dos que não vêem. 

Que aos dois você seja às vezes uma mocinha comportada como uma princesa, outras vezes endiabrada como uma espoleta e que já entendas que na vida terás que ser às vezes uma, outras a outra. 

Que aos dois tu já tenhas mordido a bochecha da melhor amiguinha, e já tenhas tido o pé mordido por ela também. 

Que tu já tenhas dormido em uma barraca, visto uma estrela cadente, lambido uma lágrima para ver que gosto tem, lambido um sorvete que depois caiu no chão e abraçado alguém de surpresa, tornando maravilhoso o seu dia. 

Que tu ainda sintas com prazer os raios de sol ou o vento batendo no rosto e ainda aches muito divertido perseguir as borboletas, interromper o caminho das formigas ou girar no mesmo lugar de vestido rodado até cair tonta no chão. 

Que tu adores os cães, a chuva, o trovão, o avião e o escuro, mas morras de medo de demorar muito para ver a dinda de novo. 

Que os anjos te protejam, neste e em todos os outros anos de tua vida, e que Deus te faça tão feliz quanto tu já fazes aos que te amam e te tem sempre, sempre no coração, mesmo que em pensamentos, mesmo que do outro lado do mundo. 

Gisele Lins escreve aqui às quartas-feiras. Parabéns Isadora, não cresça tão rápido, não, fique pequenininha na minha oração.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Elas


Hoje falarei de algumas mulheres que há um tempo entraram na minha vida, cada uma do seu jeito, e conquistaram um lugar muito especial no meu coração:

A Tai é a amiga de toda e qualquer hora, com risadas garantidas. É a amiga que deixa a vida mais divertida.

A Fran é a amiga racional, que tem conselhos e sempre tem uma história sobre qualquer assunto que seja. É a amiga que deixa tudo mais claro.

A Cami é a amiga calma, comedida, mas por dentro um turbilhão de ideias, sentimentos, vontades. Sabe ouvir e tem muito a dizer. É a amiga que adoça a vida.

A Fer é a amiga gringa, que faz a gente rolar de rir. É parceira pra bagunça sempre. É a amiga que acredita no amor.

A Laura é a amiga terapeuta, que ouve e tenta dar conselhos. Que entende minhas aflições sem nem eu precisar explicar. É a amiga aquariana.

Renata manda um abraço para todas, e deseja que todos tenham amigas assim!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Receita de Páscoa

Acorde depois de dez da manhã e tome um bom banho.

Ligue pra Fany Bombons e confira se há a melhor torta de chocolate do mundo e da Paraíba inteirinha!

Vá buscar a torta de chocolate e, no meio do caminho, depois do seu pneu furar e você ligar pro seu marido pedindo socorro, sinta-se o máximo quando TRÊS cavalheiros se oferecem pra trocar seu pneu enquanto o maridão não chega.

Ligue pra sua mãe e conte pra ela do pneu furado, do atraso e do almoço que você ainda não fez. Sua mãe compreenderá e não te matará por atrasar em um dia a entrega da torta de chocolate que você prometeu pra ela.

Imprima a receita da melhor torta de bacalhau do mundo e da Paraíba.

De receita em punho, faça de conta que você domina a arte da culinária, ao invés de admitir pra você mesma que panelas lhe causam verdadeiro pânico.

Esqueça-se momentaneamente que sua sogra vai almoçar na sua casa e que o almoço é a torta de bacalhau que VOCÊ ainda não fez.

Agradeça a Deus pela existência do Verde Mar, do Super Nosso Gourmet e da Boníssima, que vendem bacalhau limpo, dessalgado e desfiado.

Respire fundo e encare a receita, os ingredientes e as panelas.

Tente manter seu controle emocional quando a campainha tocar e a família do seu marido chegar.

Relaxe ao ganhar abraços, beijos e ovo de Páscoa da Ferrero Rocher.

Abra um vinho pra descontrair enquanto chora picando cebolas com as mãos lambrecadas de óleo pra não ficar cheirando cebola por uma semana. Não vai adiantar muito, mas vale a tentativa.

Vá tomando vinho e seguindo a receita religiosamente, afinal, Semana Santa é um momento religioso e a gente tem que ter muita fé para que dê tudo certo!! Quando você assustar, a torta de bacalhau já estará pronta pra ir pro forno.

Bata um papo gostoso e descontraído enquanto sua torta de bacalhau espalha um delicioso aroma no ar, fazendo com que todos os presentes declarem estar com água na boca.

Tome mais um pouco de vinho, afinal, vinho faz bem à saúde, além de ser o sangue de Cristo.

Sirva a torta de bacalhau usando sua louça especial e seu faqueiro lindo, que fazem tudo ficar mais gostoso.

Ouça elogios e finja que não sofreu com medo da receita desandar. Agradeça, afinal, você é uma mulher educada.

Morra de orgulho quando as pessoas repetirem uma, duas, três vezes o prato.

Sirva a melhor torta de chocolate do mundo e da Paraíba e vibre com a cara de felicidade dos presentes.

Tome um coca zero pra economizar calorias e ajudar na digestão, afinal, tudo que você serviu, também comeu. E muito!!

Ouça feliz as pessoas dizerem que adoraram passar um tarde super agradável na sua casa.

Fique mais feliz ainda quando seu marido disser que a cozinha está arrumada e você verificar que ela está REALMENTE arrumada.

Tome um bom banho, coloque sua camisolinha mais gostosa, durma de colherzinha com seu marido e sonhe com os anjos.

Laeticia não está nem aí pra Semana Santa, não vê sacrifício algum em comer bacalhau, mas aproveita sempre a oportunidade de se divertir.
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