terça-feira, 28 de agosto de 2007

Pode até ser VIP, mas continua sendo curral.

Tenho uma verdadeira fascinação pela leitura, sabe? Leio de tudo que me cai nas mãos desde que fui alfabetizada, lá pelos meus sete anos. Naquela época eu lia em voz alta até placa de trânsito e minha irmã acabou aprendendo a ler sozinha de tanta raiva que tinha de eu ficar lendo em voz alta do lado dela. Isso é só pra vocês entenderem o por quê de eu, legítima mineirinha do vale do jequitinhonha, me indignar com uma notinha de coluna social d´O Globo a ponto de me manifestar a respeito neste blog! Sim, é verdade, eu leio ATÉ coluna social, rótulo de embalagem e bula de remédio.

Eu sempre me indignei com a tal sigla V.I.P., que só pode ter sido criada pra separar das pessoas normais aquelas outras insanas que se acham melhores que os outros. “Very Important People” sempre me pareceu muito pejorativo e um atestado de pobreza de espírito. Por esta razão, nunca participei de nada com a insígnia VIP e tratava com certo desprezo quem assim agia ou se auto intitulava. Afinal, VIP pra mim são as pessoas que eu amo e que me cercam.

Assim, apesar de ser fã de carteirinha de carnaval e baladas em geral, nunca fui em “camarote VIP”, pista “VIP”, bar “VIP” e tantos outros lugares “VIP” que lamentavelmente assolam o ramo de entretenimento neste país. Sempre me recusei a ficar horas na fila pra entrar em algum lugar sabendo que pagaria caro e seria mal atendida lá entro. Sempre houve o consolo de que não sou obrigada a freqüentar estes lugares e, assim, eu preferia celebrar a vida com os amigos.

Mas a tal notinha do jornal hoje realmente me deixou chocada. Parafraseando o colunista, “já chegou às festas de casamento o curralzinho vip, a praga das pulseirinhas coloridas que divide os convidados em categorias de mais e menos importantes”. Concordo com o colunista: é curral mesmo e também é uma praga. Só acho injusto com os porcos, pela comparação de seu lar com ambientes freqüentados pelos tais “VIP´s”.

Fico imaginando a cena: no salão, o baixo clero, com direito a salgadinhos e coquetéis; no mezzanino, o alto clero se esbaldando em um jantar nababesco, em efervescente ode a Baco! Tento me situar num ambiente assim, descaradamente segregacionista, mas não consigo. Porém, consigo me ver claramente nos momentos que antecedem uma cerimônia de casamento e penso na triste, decepcionante e revoltante surpresa que seria me deparar com tal cena.

Quando recebo um convite de casamento, fico feliz de ter sido lembrada. Saio de casa uma semana antes, escolho com carinho o presente, agendo hora no salão, escolho um belo vestido e espero pela celebração da felicidade de um casal amigo. Imagine se, chegado o grande dia, ao adentrar o salão, percebesse que há pessoas sendo literalmente etiquetadas e encaminhadas, como uma boiada, a outro recinto da festa que se inicia. “Qual o nome do casal, por gentileza?” “Laeticia e Alexandre”. Após uma rápida conferência, a recepcionista definiria a qual “boiada” pertencíamos.

E eu decidiria que era hora de ir embora, porque freqüentar um ambiente assim absolutamente não me interessa! Ora, pois! É bem capaz que eu me sujeitaria a um absurdo destes! Não importa a boiada, importa não ser tratado como boi!

Definitivamente as pessoas perderam, algumas, a noção de educação, e outras, a noção de vergonha na cara!


Laeticia é uma quase ex-baladeira que odeia coisas VIP, mas já pagou língua, ficando horas na fila pra comprar ingresso e poder assistir um show do Chico Buarque. Só que Chico Buarque não é entretenimento, é cultura.

12 comentários:

Paula disse...

Oi Laeticia!
Concordo com você e com cada linha de seu texto! Não existe um fator sequer que possa fazer uma pessoa se julgar melhor que outra, a não ser insanidade mesmo...
Eu me sinto indignada com acontecimentos deste tipo e fico muito triste em saber que muitas pessoas dão valor a estas bobagens ao invés de valorizarem amor, respeito, amizade, cultura e outros tantos realmente importantes.
Excelente texto!

Gra disse...

Lê, to lendo todos os seus textos..... e gostando de cada um deles... beijão

Gisele Lins disse...

Laeticia, concordo 100% com o seu texto. Um dos sintomas de "De repente, 30" eu acho que é sentir-se ficando "velho", às vezes. Eu tb me considero uma quase ex-baladeira, mas neste caso, não acho mesmo que discordar com este tipo de absurdo seja estar ficando velha. Pior é pensar que isso só existe porque tem gente que valoriza. Ai, ai, ai...
Um abração!

Milena disse...

É realmente deprimente.
Em casamentos então é o cúmulo da falta de educação.
Tô contigo e não abro! rs

Angel disse...

Maria,
Adoro seu jeito inflamado de viver e ver as coisas. Adorei o texto e assino em baixo.
Estaremos sempre próximas sim, de blog e coração.
Bjos
Angel

Carla disse...

Ontem comentei aqui, mas pelo visto não saiu....

VIP é o cara@#$%¨ho... hehehheeh

Se importam com isso pessoas que dependem de uma pulseirinha ou seja lá o que for para se sentirem especiais por pelo menos o tempo de um evento... Uma babaquisse sem tamanho.

Como vc disse VIP são as pessoas que amamos!!!!

Eu como boa anti-social que me tornei desprezo cada um desses eventos e cada uma dessas pessoas que adoram dizer que fazem parte do mundo VIP!!!!

Beijos

Débora disse...

Concordo plenamente com vc! Fico tão indignada com isso quanto vc!Mais ainda com a segregação em casamentos, acho um absurdo e muita falta de consideração, acho que se é para ser assim é preférível nem convidar!
bj

Louise disse...

Amei o seu texto, tb não suporto o tipo de pessoa que se acha muito importante pra se misturar com os seres normais!!!

marcela ildefonsina disse...

Acabei de ler, tb, depois de uma intimação desta:"mas olha o meu primeiro q é bem mais bacana kkkk ", não tinha como passar batido..Ah, a Laetícia...meados de 199..nao vou completar nao, por favor, não me obrigue a isso, pq cada vez q eu me recordo q faz mais ou menos uns 11 anos q a conheço, a idade pesa, se pesa...mas, pesa com todo o orgulho do mundo...orgulho de uma amizade q surgiu num cursinho pré vestibular(ai, acho q me entreguei agora) com ideiais parecidos, carreiras idênticas, um tempo longe, é verdade,mas estamos aí de novo, almoçando toda semana e, claro, pq ngm é de ferro, tortas e doces na Boca do Forno...cada dúvida, é um sinal no messenger...e a gente se ajuda bastante...Lelê, admiro muito sua força de vontade, se bom gosto(somos parecidas em muita coisa), seu espírito esportista(manda o árbitro e nao o juiz para aquele lugar é com a gente mesmo,rsrs...e, GALOOOOOOOOO!!!!)nossos planos de estudar, se tivermos tempo,claro...olha, me enobrece ser sua amiga....bj e boa sorte e muito sucesso, sempre...Marcela

Sisa disse...

Acho que se eu chegar num casamento e for empurrada pra essa ou praquela boiada, eu dou as costas e vou embora. Eu hein?

Anônimo disse...

Concordo com texto. Mas às vezes fico pensando o quanto é mais fácil "só falar" do que realmente "fazer acontecer".

Isaac Reis disse...

Meninas, adorei o blog. Até coloquei o texto da Laeticia como link de um texto meu.
A propósito, apareçam por lá: http://ireis-ir.blogspot.com
Beijos
IR

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