terça-feira, 14 de agosto de 2007

Quem sou eu. Um pouco sobre mim na rotina do dia a dia.

E cá estou eu, às 19:29 p.m. de uma quinta-feira em frente ao meu querido companheiro, o PC, e com minha querida companheira Laila (no colo, atrapalhando horrores minha digitação), começando a escrever meu primeiro post.

É bem verdade que o meu dia não é quinta, é terça, mas quem disse que a ansiedade depois de vários dias de preparativos pra ver o blog no ar permitiu que eu esperasse? Decidi começar a escrever hoje mesmo com a excelente desculpa de ter tempo, para o caso de me sobrevir um lapso criativo bem na véspera da minha grande estréia!

Hoje – quinta – não foi um dia como todos os outros. Tenho pensado muito na vida. Daquele jeito mesmo que a gente fica quando nos perguntam: “é o que que você tá aí quieta?” E a gente responde com ares aristotélicos, mas temores, dúvidas e anseios pueris nos corroendo a alma: “tô pensando na vida”.

Quinta é dia de plantão, então nem vejo o Bola sair de casa. Ah, Bola é meu marido, é médico, de branquinho fica mais lindo ainda. Aquela tara inexplicável que as mulheres têm por uniformes deve explicar eu achar que ele fica lindo de branquinho, mesmo sabendo que não há máquina de lavar e alvejante que deixem a roupa branquinha para todo o ever. Laila é nossa beagle. Hoje ela não pôs meu amor canino à prova. Nada quebrado, nada rasgado. Realmente, felicidade de pobre custa muito pouco 

No estacionamento do escritório, tive a grata surpresa de ver um sujeito quase batendo o carro e quebrando o pescoço para conferir minhas um tanto quanto arredondadas curvas. Embora eu ache que minhas curvas estejam deveras mais redondas do que eu gostaria, meu ego inflou de ver que aos exatos 30 ainda valho uma torcicolo. Bela forma de começar o dia. Quem sabe hoje eu não consiga tirar um tempinho pra fazer as unhas?

Doze andares acima, uma sócia, uma secretária, dois advogados recém formados que têm a inocente certeza de que eu sei tudo, dois estagiários quase desaparecidos entre livros e papéis, além de pilhas de processos e vários post its com recados em cima da minha mesa me aguardavam ansiosamente. Hoje começa um novo dia. Mais um marcado pela minha transição pessoal e profissional. Toda transição é complicada e confesso que a perspectiva de gerenciar um escritório de advocacia é assustadora. Principalmente quando se é visto como a solução de vários problemas.

Embora eu muitas vezes tenha uma tendência ao autoritarismo, na hora do vamos ver, amarelei. Mandar não é tão fácil assim. Aliás, mandar é fácil. Difícil é se fazer obedecer de forma cortês e eficaz. Porque a obediência pelo temor é vergonhosa e a obediência pelo respeito é um desafio a ser transposto. Confiança e respeito não vêm da noite para o dia. É preciso conquistar a cada palavra, a cada gesto, a cada momento.

E pra quem diz que quer fazer mestrado e dar aula, ensinar também está me parecendo mais difícil do que eu pensava. Uma palavra errada, um gesto impensado e vai-se embora o estímulo do pupilo. Acaba-se com a promissora carreira de um jovem jurista. Jovem como eu, que, apesar de estar no papel de ensinar o exercício de uma profissão, ainda tenho tanto que aprender. Achei melhor ligar o rádio.

Hora do almoço, hora de fazer unha. E dá-lhe fast food que ninguém é de ferro. Não vi a tarde passar e fui surpreendida no final do dia com uma ligação me lembrando de cuidar dos últimos detalhes do churrasco da pós. É verdade, além de tudo eu ainda faço uma pós. Estou quase morta.

Hoje eu queria mesmo era voltar pra barriga da minha mãe e passar esta noite lá, mas como não dá mesmo, vim pra casa, que também não deixa de ser um lugar seguro, quentinho e aconchegante. Ao abrir a porta, tive a impressão que a Laila ia sair voando de cima do sofá, de tanto que rodava o rabo! Pulou em cima de mim com aquela alegria contagiante e me olhou como quem pergunta: “e ele? Hoje é dia de plantão?” É sim, Laila, hoje é dia de plantão. Agora vou tomar um merecido banho, preparar um lanche e sentar juntinho com a Laila no sofá pra esperar o Bola chegar. Daqui a pouco ele chega. Só que agora ele vai chegar é marronzinho.


Laeticia é uma advogada de 30 anos sonhadora, independente, que ama cachorros e cumpre a sina bendita por Fernando Sabino: é uma mulher esperando pelo homem.


9 comentários:

Milena disse...

Também quero voltar pra barriga da minha mãe...
Não que eu me lembre como era lá, mas tem dias que até um lugar molhado e apertado é melhor que o mundo aqui fora.
Lindo texto Lê.
Me deu vontade de ter um cão =)

Silvia disse...

Estava ansiosa para ler o seu texto, aliás estou adorando esse nosso jornal, cada dia uma história diferente e o melhor foi imaginar o Bola chegando marronzinho, cômico! Adorei, beijos, Silvia.

Sisa disse...

Vamos ver se agora as cólicas dela passam ou pelo menos amenizam, rs... Essa semana o blog está realmente me convencendo de que existe e que veio pra ficar!

Vivian disse...

Olá!! Gostei muito do seu texto e confesso que me deu uma pontinha de inveja... a parte do "vou fazer um lanchinho e esperar meu marido chegar"... rsrsrs. Nao te conheço pessoalmente, mas já sei tantas histórias suas através da Sisa...rsrs. Bjs.

Paula disse...

Oi Letícia!
Agora entendi porque a Sisa me falou que você estava querendo muito que o blog saísse! Tinha cartinhas guardadas na manga! Um texto muito bacana, que como bom mineiro chegou de mansinho, já cativou e me fez criar uma imagem muito legal de você, mesmo sem conhecê-la. Adorei!
Eu também comecei a escrever antes, pelas mesmas desculpas e razões rsrsrs!

Aline Bahiense disse...

Ótimo texto! Pra dizer a verdade, nunca esperei menos de você. Parabéns pela estréia em tão grande estilo. bjs

Andréa disse...

Comentário:

Que legal, Laeticia, você também é advogada. Eu sou engenheira, mas minha irmã e meu pai também são advogados. E seu nome é lindo! Minha filhinha de um ano e 3 meses também se chama Letícia, mas já na forma aportuguesada. Eu ia colocar na forma do latim, como o seu, mas aí desisti, porque ia ser um nome a mais pra ela soletrar! rsrsrs Ela é mestiça e se chama Letícia Yumi (que é o nome japonês dela). Os sobrenomes são um italiano e outro japonês, ou seja, ela já vai ter que soletrar 3 nomes! Já pensou se ela tivesse ainda que soletrar “Laeticia”? Eu iria apanhar dela... rsrsrsrs

Gostei muito do seu texto e fiquei imaginando Laina no seu colo te “ajudando” a digitar o post.
Em casa, quem gosta de me ajudar quando estou no micro é a Yumi (filhos japoneses são sempre tratados pelo nome japonês dentro de casa). Ela vem do meu lado, pega o mouse, bate no teclado, aperta o “reset” do micro, uma loucura!!!!! Tem vezes que fico com medo de ela apagar tudo sem querer... Mas é uma criança adorável! Depois que ela nasceu, descobri que eu podia ser muito mais feliz!

Postei uma música em homenagem a ela no meu blog. Se quiser visitar, é http://zdezebra.blogspot.com/2007/07/little-star.html

Abraço.

Débora disse...

Seu texto revela bem o perfil da atual mulher de 30, independente, atarefada e batalhadora! Parabéns!

vanandram disse...

Ei, Laetícia,
achou que eu não ia dar o ar da graça, é?! Li seu post no dia da estréia, como todos aliás, mas hoje, a essa hora, que eu estou deixando um oizinho!
Ri ao ler seu texto, Laeticia, um texto leve, engraçado, verdadeiro!
E uma dica: usa vanish resolv que vc salva a sua tara!
BJS!!!Vanessa.

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