sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Roteiro de um filme ruim – ou não

A protagonista desta história poderia ser qualquer uma de nós. Poderia ser inclusive você, que está lendo esta história agora. Uma pessoa com uma vida absolutamente normal.

Nossa protagonista está sozinha na cidade para onde se mudou faz pouco tempo. Todos seus (poucos) amigos da cidade estão de férias, e ela está atolada de trabalho. Claro que no fim de semana ela tem tempo de descansar, mas durante a semana, tem tanta coisa pra fazer que parece que 24 horas são poucas pra tanta coisa. Assim, chegando no sábado à noite, depois de passar o sábado dando um jeito na casa e adiantado o trabalho da semana, ela acha que merece sair e se distrair. Vai ter um show na cidade de graça, de um cantor que ela não conhece. Aqueles amigos que estão de férias já disseram a ela que é imperdível. Todos recomendam, mesmo sabendo que ela vai ter que ir sozinha, se aventurando pela cidade que ainda não conhece bem. Ainda bem que o show é perto de casa.

Para animar um pouco, ela começa a se vestir tomando uma taça de vinho enquanto conversa com amigos na internet. De alguns, ela ouve que o show é imperdível, ela não pode mesmo deixar de ir. Pra outros, ela conta que está indo a um show imperdível, tão imperdível que vale a pena ir, mesmo sozinha. E assim, animada pelo vinho e pela vontade de fazer alguma coisa diferente, ela se arruma pro show, acha que está bonita, bebe mais uma taça de vinho e sai, pronta pra desfrutar boa música e boa companhia. Afinal, uma mulher poderosa e independente como ela quer se convencer que é, é sempre boa companhia pra si mesma.

E lá vai ela, andando em direção ao lugar do show, sem ouvir nada. Nem bagunça de gente, nem a voz do cantor... Chega no lugar, e cadê? O primeiro pensamento é que está no lugar errado. Confere as placas. Está certa. Será que errou o dia e a hora? Vê um cartaz pregado no poste. É hoje mesmo. Cadê o raio do show? Que vida triste a vida de uma pessoa que se produz pra uma balada que não existe. Ela pára um casalzinho, pergunta do show. Eles falam que também estão procurando. Sensação de alívio. Doida ela não está, e se está retardada, pelo menos não está sozinha.

Quando está pensando em como vai salvar a noite, aparece um rapaz meio esquisito. “Aqui”, diz ele, “meu primo quer te conhecer”. Cheia de presença de espírito, ela pensa (e pior, diz) “Pra quem veio parar num show que não existe, nada me assusta mais. Apresenta aí”. Claro que bem no fundo, ela tem esperanças que surja de algum lugar um Richard Gere, ou mesmo um Josh Holloway que a pegue nos braços, diga que ela é tudo que ele sempre quis, e que a vida deles é um filme de amor com final feliz. Mas surge, todo acanhado, um adolescente de uns 15 anos, no máximo, parecendo o Harry Potter depois da dengue. O primeiro pensamento é: “Se fosse o Daniel Radcliffe, eu até acabava de criar”. O segundo pensamento é “Meu Deus, eu sou uma mulher poderosa, absoluta, bem sucedida, com quase 30 anos, escrevo num blog de sucesso (assumindo que ela poderia ser qualquer uma de nós, né?), decididamente não mereço passar por isso! Minha vida é uma piada de mau gosto! (ou melhor, o roteiro de um filme ruim)”. Pra não ser mal educada, se apresenta pro rapazinho e sai. Pra não perder a noite, chama um táxi, resolvida a ir se embriagar em algum outro lugar.

Entrando no táxi, comenta a frustração de ir pra uma balada que não existe. O taxista, antenadíssimo com as baladas da cidade, fala que o show está acontecendo em outro lugar, ela se anima e ele a leva pra lá.

Aí, aquilo que parecia ser o roteiro de um filme ruim teve um final feliz: o show era realmente imperdível, ela se sentiu linda vendo que vários carinhas mais velhos e mais interessantes que o Harry Potter olhavam pra ela e sim, ela estava certa – quando se é uma mulher interessante, sua companhia se basta. Melhor ainda com boa música e uma taça de vinho na mão.


Sisa, 28 anos, podia ser a protagonista desta história, assim como você, e acredita piamente que o roteiro da nossa vida, quem faz somos nós.

11 comentários:

Vivian disse...

Oi Cecilia, é isso ai!!! As vezes é difícil, mas temos mesmo que perceber que nao dependemos de niguém para fazermos a historia da nossa vida. Precisamos aprender que podemos ser a nossa propria companhia e curtir um programa em grande estilo. Parabéns!! Beijos

Paula disse...

Oi Sisa!
Concordo com você: quem faz o nosso destino somos nós e quem faz uma situação boa ou ruim também somos nós e não os outros! Temos que parar de culpar todo mundo por tudo; somos responsáveis por nossas ações e suas conseqüências!
Adorei!

Louise disse...

kkkkkkkkkkk
Sisa, tem coisas que só acontecem com vc!!!
Fico feliz com a sua presença de espírito, não desistir da balada valeu a pena!!!!

Gisele Lins disse...

Sisa, me diverti muito com o texto, muuuito bom! Certamente eu e a Milena lembramos de coisas bem parecidas que acontecem por aqui!
Um abração!

Anônimo disse...

q delícia de texto! amei!

vanandram disse...

Oi,
amiga! Saudades de você...
Texto muito bacana,Sisa!Realmente, muitas vezes, somos a melhor companhia para nós mesmas. Sair com amigos e amigas é bom demais! Sair de casalzinho é uma delícia! Mas temos que aprender tbm a desfrutar a companhia de alguém que está sempre com a gente: nós mesmas!!!E é engraçado, pq a tendência de quem tem um relacionamento é achar que td que vai fazer tem que ser com a pessoa com quem está junto e nem deve ser assim.No mais, Sisa, com uma taça, duas, três... BOM DEMAIS!!!
Beijos! Ah! Visitei seu blog e achei muito legal! Portugal é mesmo lindo!

Milena disse...

Eu ia ser feliz com o Harry Potter (antes da dengue, claro!)
E a Gi lembrou muito bem! Passamos por poucas e boas por essas bandas também!
Seria trágico, se não fosse cômico!
bjos

Bianca disse...

nóóóó.......mtu bom!! ri demaizzz...desculpa,mas esses micos foram tdu, o negócio do menino parecido com o "harry potter" com dengue foi o melhor!!haushuahsuasuh...mas o legal foi que no final tdu acabou bem...
otimo texto!!

Sisa disse...

Pelo visto, todo mundo percebeu que a historia foi veridica e que eu fui a vitima, digo, protagonista, junto com Harry Potter! Era isso que eu queria, rs.
Beijos a todas!

Laeticia disse...

Pois � Nuns momentos desses meu bom humor cr�nico aflora que � uma beleza! Acho que a capacidade de rir de si mesmo economiza muita terapia! Beijos. Estou com saudades.

Sisa disse...

Lê,
Eu tenho saudades de você todos os minutos.

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