quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Os dois lados da mesma moeda.

O que faz uma pessoa se achar melhor que outra? Somos diferentes, sem dúvidas, mas todos iguais perante as leis de Deus (“Ama ao próximo como a ti mesmo”) e as leis dos homens (“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, ...”, Artigo 5º, Constituição Federal). Então, me responda quem souber: por que uma pessoa negra deveria ser tratada como inferior? Em função de nossa colonização? Isso é desculpa, e eu a uso como argumento: nós somos um povo altamente miscigenado em função da colonização e, desta forma, grande parte dos brasileiros têm ao menos um gene da raça negra em seu DNA. Para quem não se satisfez ainda, outro argumento: esta carcaça chamada corpo vai acabar um dia e a cor da pele não importa, o que vale realmente é o conteúdo da pessoa! Eu também gostaria que me esclarecessem outra dúvida: por que em alguns lugares mulheres ainda têm salários menores que homens, exercendo a mesma função? Por que vivemos em uma sociedade dita machista ou por que as mulheres podem um dia se tornar mães e onerar as empresas? Bobagens novamente... Se as atividades executadas forem iguais, nada racional justifica remuneração menor; e, se além de desempenhar bem tarefas profissionais, a mulher consegue cumprir tudo que a divina arte de ser mãe exige, ela merece ser admirada e não desvalorizada. Mas nem por isso merece salário maior, apenas igual! O que deveria definir o salário é a competência e não o sexo da pessoa.

O preconceito é uma das atitudes que mais demonstram o atraso da humanidade. Ele ainda hoje é muito escancarado: preconceito contra raças, crenças, sexo, idade, forma física (a lista é longa...), por conta da impunidade que reina neste país. Na minha opinião, o preconceito é a arma do ignorante (mas lembrem-se, não se pode alegar ignorância como defesa de um crime), daquele que se considera melhor que os demais (coitado...), mas não tem a mínima noção de que o melhor não existe e, ao se deparar com alguém que considera diferente, acaba por considerá-lo inferior.

A verdade é que, respeitando-se as diferenças, somos todos iguais sim! Somos os dois lados da mesma moeda, yin e yang, sabe? Seres humanos, todos da mesma espécie homo sapiens, com pontos fortes e fracos, amores, alegrias, medos, tristezas, crenças, ideais... Em palavras diretas? Somos todos “farinha do mesmo saco”, por mais que alguns tenham a triste ilusão de que são mais especiais que os outros.

Não sou e jamais serei melhor que outra pessoa em função de qualquer argumento plausível (me contem, se souberem algum) e ainda mais me baseando em argumentos tão patéticos! Amo minha história de vida (apesar de querer mudar umas coisinhas ainda pela frente), escrita por todos aqueles, amigos ou não, diferentes de mim ou parecidos comigo, que passaram por ela e deixaram marcas exclusivas, que nenhum outro poderia deixar. Este é o grande segredo que vejo na vida: aceitar que TODOS são ora iguais ora completamente diferentes e, a partir daí, aprender e crescer com esta montanha-russa que é (con)viver.

Descobrir os dois lados da moeda é o que realmente importa! E conviver, nada mais é que viver estes dois lados, mas vivê-los em grande estilo, aceitando todos aqueles que estão ao nosso lado, que amaremos, com quem brigaremos, que ouviremos, que nos ouvirão, com quem daremos boas risadas, que chorarão conosco ou com quem choraremos e que sempre poderão nos ensinar algo, quando menos esperarmos! E isto, independente de qualquer preconceito!
Até a próxima!


Paula acredita na igualdade de direitos e de deveres, que as pessoas são ao mesmo tempo completamente iguais e diferentes e que elas ainda têm jeito, mas que se não fossem suas próprias ignorâncias, o mundo seria um lugar muito melhor para se viver... Escreve aqui toda quarta-feira.

7 comentários:

Sisa disse...

Oi Paula!
Eu nem gosto muito de discutir esse assunto, porque ele realmente me irrita até que eu perco a paciência, a razão e me estresso até ficar vermelha. Eu luto muito contra os preconceitos que ainda tenho embora eu já tenha conseguido deixar vários pra trás. Uma vez eu li num desses consultórios em revistas uma moça perguntando o que estava acontecendo com o mundo que pessoas "inferiores" a ela (no caso ela estava reclamando de faxineiros e auxiliares de enfermagem do hospital caro onde algum ente querido estava internado) se achavam no direito de tratá-la como um igual. Quando li a pergunta me deu até falta de ar. A falta de ar passou quando li a resposta do profissional, que dizia que a pergunta era onde o mundo ia parar enquanto algumas pessoas se achavam melhores do que as outras só por terem dinheiro e melhores condições? Acredito sim que algumas pessoas são melhores que as outras, mas isso no que toca as pessoas sensíveis e as cruéis, as boas e as egoístas, etc (vide post da Carla). Mas isso na maioria das vezes não é preconceito né? É conceito mesmo...
Excelente texto. Beijinhos. Adorei saber que nosso blog está te fazendo bem!

Louise disse...

Oi Paula!
O texto que você escreveu tem tudo a ver com o que eu prometi mandar pra Sisa mas ainda não consegui colocar no papel...rs
Concordo com tudo!!!! Também fico muito estressada com esse tipo de atitude, parabéns pelo texto!

Andréa disse...

Paula,

Gostei muito das suas colocações, bem sensatas e ponderadas. Também luto pela igualdade de direitos e deveres, e tento aplicar isto dentro da minha casa. E acho que podemos escrever uma história melhor de igualdade entre todos, se ensinarmos a nossos filhos desde pequenos que as diferenças devem ser não somente respeitadas, mas sobretudo, comemoradas!

Ah, gostei muito do novo visual do blog. Vamos ver qual vai ganhar a votação, né?

Beijo.
Andréa

Aline Bahiense disse...

Pois é Paula, é uma vergonha! O que dizer de um país em que na constituição está escrito "todos iguais perante a lei" e na hora de julgar criminosos parlamentares, promotores ou juízes se dá toda a regalia? Que igualdade é essa, onde existe imunidade, foro privilegiado, etc?
ECA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Milena disse...

Oi Paula. Acho que isso é uma das coisas que mais nos definem: a forma como lidamos com nossos preconceitos.
Eu tenho preconceito com gente que se acha, e um preconceito maior ainda com gente que se tem certeza.
Será que um dia nos livraremos desse estigma?

Paula disse...

Sisa, realmente é complicado falar neste assunto. Acredita que depois de ler, notei que mesmo tentando evitar, acho que fui um pouco preconceituosa no texto? Não sei se acho algumas pessoas melhores, mas as do texto da Carla, considero espiritualmente evoluídas, já passaram do limbo rs. O blog está me fazendo um bem enorme mesmo!

Obrigada, Louise. Este texto dá pano pra manga mesmo! Mande o seu (está na hora de estrear rs), serão duas visões sobre o mesmo assunto e poderemos até trocar figurinhas rs.

Andréa, querida, obrigada pelos elogios. Você nem precisava me dizer o quanto luta, pois eu vejo isso em cada ação sua. Sua família linda é um exemplo desta igualdade! Beijos.

Aline... Quando peguei a Constituição para confirmar certinho as palavras, fiquei pensando nisso. A minha indignação foi tanta que eu quase mudei meu texto e resolvi falar desta baderna toda que acontece em nossso país. Mas achei melhor deixar para uma outra vez.

Milena, sem dúvida a forma como lidamos com nossos preconceitos nos define! Eu tenho os meus, porque sou humana, mas luto todos os dias para me livrar deles. Eu, por exemplo, tenho preconceito contra quem simplesmente não se esforça para melhorar e só reclama. Tenho que entender que a opção de uma pessoa não me diz respeito, mas ainda não consigo completamente...

Laeticia disse...

Eu tento expurgar todo dia o que ainda existe de preconceito em mim e infelizmente sei que alguma coisa acaba ficando e muitas vezes a gente nem percebe que é preconceito. Descobri que se colocar no lugar do outro ajuda bem a detectar estas coisas e ajuda a gente a ver o que está acontecendo e a mudar. Ainda bem!

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