quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Lágrimas no Metrô

Estava eu, oito e pouco da manhã, indo para o trabalho de metrô como milhares de brasileiros. Mas hoje algo me tocou nesse cotidiano trajeto. Ao entrar no metrô, sentei de frente pra uma moça, que aparentava ter a nossa faixa etária. Ela permanecia sempre de olhos baixos. Ao observá-la reparei que ela chorava. E muito. Com classe e descrição, mas chorava. Provavelmente eu era a única dentro do vagão que percebi, pois ela não parecia chorar. Só prestei atenção, pois sou muito observadora, e gosto de observar detalhes. E lá estavam as lágrimas a escorrer loucamente pela face da moça.

O banco ao lado dela estava vazio. Num impulso pensei em sentar ao seu lado e abordá-la. Mas antes de fazer merda, tentei me colocar no lugar dela e percebi que às vezes a única coisa que queremos é chorar sozinha. Mas às vezes a única coisa que queremos é um silencioso e confortante abraço (talvez até de uma estranha, como eu). Então achei melhor não me aproximar.

Chegando na estação central, ela enxugou o rosto, levantou a cabeça firmemente e foi para mais um dia de trabalho, como se nada tivesse acontecido, forte como a maioria de nós somos (ou deveríamos ser).


Mariana é uma piscina atípica no quesito lágrimas. Não chora em filmes, novela, nem tão pouco em comercial de margarina. Mas se emociona com a vida real e escreve aqui só de vez em quando...

3 comentários:

Paula disse...

É Mariana, chorar com filmes e comerciais é moleza; foram feitos para despertar este sentimento em nós...
O difícil é ter a percepção de que existe um mundo a nossa volta e que nele há pessoas que sofrem e sofrem muito, mesmo sem fazer estardalhaço...
Que bom que você é daquelas que se preocupam com o que realmente importa!
Parabéns pelo texto!

carolina disse...

é verdade Mariana, a gente deveria ser forte...
quantas vezes chorei sem derramar lágrimas, aquele choro contido, escondido, por não poder chorar...
muito bonito seu texto.
parabéns!

Sisa disse...

Eu sou toda lágrimas. Choro até com propaganda de margarina. No começo do ano, presenciei uma cena que me quebrou no meio. Era um rapaz, aparentemente pedindo perdão pra uma menina, e ela chorava copiosamente, no meio da rua, e falava que fazia oito anos que ele a fazia chorar. Que ele por favor respeitasse a decisão dela de não sofrer mais. Só não abracei a desconhecida no meio da rua porque eles ainda estavam conversando... Ai ai... Choro mesmo à toa. E ver alguém chorando não é à toa, né? Choro mais ainda!

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