domingo, 2 de setembro de 2007

Ser Radical

Lembro como era importante para mim tomar uma posição. Eu devia ter bem definido quem eu era, do que gostava, a que era a favor e, principalmente, a que era contra.

Com o tempo meus conceitos foram mudando. Não exatamente porque eu queria. Mas não dá para ser radical e conseguir viver bem, em sociedade.

A primeira grande mudança que eu me lembro foi a respeito do meu gosto musical. Adorava Rock e Punk. Odiava pagode, sertanejo e funk.

Bem, um belo dia me apaixonei por alguém que, de cara, me mostrou-se fã de rock também. Até que no primeiro churrasco da turma, o felizardo, de posse de um atabaque, tocou e cantou pagode (“de raiz”, lógico!), mostrou sua verdadeira paixão e me fez mudar de opinião: eu já não tive a reação de sair correndo como se aquilo fosse uma sessão de tortura. Hoje até arrisco acompanhá-lo de vez em quando.

Quanto às músicas sertanejas: não imaginava que tinha tanta beleza. Acostumada a ouvir tanta porcaria nas rádios, quando ouvi o sertanejo original (principalmente o de Minas), fiquei fascinada. Lindo! Mudei de novo.

Em relação ao funk, depois de ouvir muita baixaria, descobri o outro lado da moeda. Fernanda Abreu, Funk como le gusta....

Desde então foram vários PRÉ-conceitos, da adolescência, quebrados.

E agora tento ser imparcial nas minhas apreciações, busco conhecer melhor, ter mais informação. Assim fica mais difícil errar ou ser injusta e mais fácil aproveitar tanta coisa boa que tem por aí, tanta gente legal.


por Aline: Professora de educação física e mãe em tempo integral, veterinária não atuante... Casada, dois filhos lindos (claro!!!! rsrs). Adoro contemplar o mundo e perceber que existe esperança, beleza, alegrias.

4 comentários:

Milena disse...

Nossa Aline.
Você não tem idéia de como eu me vi nesse texto.
Não, ainda não gosto de pagode. Nem o de raíz.
Mas o sertanejo de Almir Sater e Renato Teixeira me agrada muito.
E o funk original, do Black Rio e do FCLG é excelente!

Essa semana mesmo estava comentando com a Gi que minha opinião é de que não é necessário ter opinião sobre tudo. Hoje acho que é impossível fazer isso. E sabe? Sou bem mais leve.

Muito bom o texto!

Laeticia disse...

Ah, mas funk como le gusta é tudo de bom! Experimenta Monobloco e Gotham Project que vc vai ver como a diversidade faz bem hehe

Mas realmente, tem algumas coisas que ainda fazem meus tímpanos sofrerem e o bom humor sumir:-)

Bom, no fim das contas, a conclusão que eu já tirei de todas estas mudanças pelas quais a gente passa ao longo do tempo é a mesma de Lavoisier: nada se cria, tudo se transforma.

E no final das contas não deixa de ser uma reciclagem!

Paula disse...

É assim, mesmo. Quando menos esperamos, somos pegas de surpresa apreciando algo de que não gostávamos.
Acho isto muito saudável, tem a ver com rever conceitos, com o presente que nos é dado a cada dia de poder voltar atrás, mesmo que a linha do tempo vá sempre para a frente.
Acredito que ao reavaliar nossas opções, pensamentos, posições sociais, econômicas, políticas, musicais... estamos crescendo e nos conhecendo melhor. E isto é o bom da vida!

Sisa disse...

Eu ainda sou muito radical com muita coisa, mas tenho que admitir que tenho revisto vários conceitos... Agora, por exemplo, sou uma pessoa que ouve fado, toma água com gás e gosta de azeite. Por que eu não fazia isso tudo 6 meses atrás? Porque tinha preconceito e não gostava mesmo sem ter provado! Vai saber quantas coisas eu já perdi... rs...

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