terça-feira, 11 de setembro de 2007

Filhos, por que tê-los?

Mesmo com as transformações femininas, principalmente no assunto Sexo, as mulheres ainda são vistas, pela sociedade, como reprodutoras. E essa sociedade vincula nossa felicidade ao fato de sermos mães. Se ainda não tivemos filhos, não somos completas, realizadas. E quem escolhe não ser mãe, como eu, é desacreditada. Todos crêem que, um dia, essa idéia vai mudar.

Já assisti dois partos, dos meus sobrinhos: Beatriz e Gustavo. A gatinha (Be), vi nascer por traz de um vidro. Já o gatinho (Gu), acompanhei tudo, desde a chegada na maternidade. Até vesti aquelas roupas verdes para entrar na sala de parto. Foi uma experiência inesquecível. Vi aquele bebezinho tão indefeso e, ao mesmo tempo, enorme, saindo da barriga da mãe e chorando ao se deparar com tanta luz...Foi no meu colo que ele saiu da sala de parto (o pediatra nos acompanhava, é claro!). Aí pensei: não preciso parir, já sei como é.

Eu gosto de crianças, de verdade! Mas não tenho a paciência que uma boa mãe precisa ter. Não sonharia em ser uma mãe perfeita, apenas boa. E sei que não serei.
Além da falta de paciência, sou distraída, lerdinha mesmo... Já pensou se eu esqueço a criança no carro, no parquinho ou na escola e só lembro no dia seguinte!? Qualquer juiz me dispensaria de ser mãe, não é Laeticia!?

E ainda há a liberdade. As mães a perdem quando os filhos nascem. O objetivo da vida torna-se o(s) filho(s). Nada mais natural!

Pra mim, a liberdade é o bem maior. Não me imagino meio livre, se é que isso existe, muito menos limitada a fazer o que quero e o que gosto só quando o meu filho estiver dormindo. Suponho que seria infeliz e meu filho também.

Todos esses motivos estão ligados, sim, ao egoísmo que não consigo reprimir.

Mães têm uma divindade que estou longe de alcançar, um desprendimento que não se explica, se sente.

Todo o amor que dedicaria a um filho é de Beatriz e Gustavo. Os vejo crescer, mudar o rostinho, me emociono e piro por causa deles. Pra mim basta! Se já sou tia de duas crianças lindas, por que ter filhos!?

Não sei o que me faria mudar de idéia, talvez o efeito de algum pedido (sei lá de quem) feito ao gênio da lâmpada. Ou, quem sabe, quando eu me casar com o Gianechini...


Angélica não contesta a divindade das mães. E as admira por isso e tudo mais. Porém não quer ser uma delas. Tem o sonho burro da perfeição, e, no momento, tenta sonhar com o palpável, o Gianechini.



11 comentários:

Anônimo disse...

Além da falta de paciência, sou distraída, lerdinha mesmo... Já pensou se eu esqueço a criança no carro, no parquinho ou na escola e só lembro no dia seguinte!? Qualquer juiz me dispensaria de ser mãe, não é Laeticia!?


Você é daquelas que de certeza vai ter filho, e de certeza que vai virar mãe galinha.... :-) totalmente diferente do que diz na frase de cima........

Fafá disse...

Oi Angel!

Conheci também um casal que não queria ter filhos de jeito nenhum! Até que depois de 15 anos de casados, veio uma princesinha que amoleceu o coração deles! :)

Como a Liz disse num post, a vida é mesmo uma caixinha de surpresa!

POr outro lado, também conheci um filósofo que não quis ter filhos, e gasta toda a energia que seria dispendida a ele (ou eles) em trabalho voluntário! :)

Beijinhos!

Sisa disse...

Penso igualzinho! Mas no meu caso, acho que nem sobrinho vou ter... De qualquer forma, não vou dizer nunca, porque sempre que eu cuspo pra cima, cai na minha testa... Quanto ao Gianechini... ai Angel... pára de sonhar com o impossível... você não sabe que ele gosta é de baranga (vide Marília Gabriela - feia porém interessante - e Preta Gil - feia e vazia)? Mulher bonita que nem você não chama a atenção dele não!!! rs... Beijinhos!

queila disse...

Quando tive minha primeira filha aos 24 anos, levava ela comigo pra todo canto... barzinho, viagens.. lá íamos nós duas. Ela era minha companheirona. Nem queria ter mais filhos, já tava de bom tamanho. 10 anos depois veio a Bibi e depois o meu lindo gatinho e depois minha princesa de olhos azuis. Minha liberdade está no fato de que eu os tenho comigo e os levo comigo onde vou. Claro que hoje nada é igual... Mas eu também não sou igual. Os conceitos mudam, os desejos também. Como diz a Sisa, cuspir pra cima sempre cai na testa.
Ser feliz com a gente mesmo é o que importa: sem filhos ou com filhos. SEJA FELIZ!

Paula disse...

Oi Angel!
Você parece bastante decidida rs! Contanto que, ao olhar para trás, seja feliz com as escolhas que fez, acredito que tenha acertado!
Eu estou no limbo, rs. Não sei se quero ou não ser mãe, mas conheço pessoas (como a Queila e a Andréa) que continuaram com a vida normalmente, pois as mudanças que aconteceram foram acomodações naturais à nova situação. São elas que me confundem rs.
Bjs.

Anônimo disse...

angel, concordo mto com vc... e ainda bem q tenho uma sobrinha que colore minha vida como os seus! amei o texto! beijos...

vanandram disse...

Gostei do texto, Angel! Acho naturalíssimo que algumas mulheres queiram ser mães e outras não.Tudo o que você escreveu é verdade absoluta e eu falo por experiência, por isso a maternidade tem realmente que ser muito bem pensada, planejada e acima de tudo desejada. Tenho um bebê de 8 meses, que apesar de não ter sido planejado, sempre foi muito, muito desejado. A Sisa me conhece e sabe que eu sempre quis ser mãe e, como eu já disse, não sei como consegui viver há tanto tempo sem a Maria Fernanda colorindo a minha vida!

Andréa disse...

Oi, Angélica

Eu sou a Andréa, uma das que deixa a Paula confusa, como ela comentou mais acima (risos).

Seu texto me inspirou muito. Tanto que resolvi publicar a minha resposta à sua pergunta.

Quer conferir? Acesse:
http://zdezebra.blogspot.com/2007/09/filhos-o-meu-porque-t-los.html

Ah, ia adorar se vc deixasse seu comentário lá! :)

Super abraço.

Laeticia disse...

Ei, Angel! Adorei seu texto, mas concordo com as meninas aí em cima: ainda acho que vc vai ser uma mãezona. Obviamente, não acho que esta contradição se aplique à minha pessoa! Mas tenho certeza que não faltarão comentários a respeito de que eu tb serei uma mãezona. Costumo sorrir e dar de ombros. As pessoas ainda não estão preparadas pra aceitar a idéia de que uma mulher pode não querer ter filhos simplesmente por ter vontade. No meu caso, eu simplesmente nunca sequer me imaginei mãe. E não é por falta de ser palpável. SImplesmente eu sou assim.

Samantha Shiraishi disse...

Angélica
cheguei aqui pelo texto da Andréa, do Z de Zebra. Vou te contar uma coisa: eu sempre tive certeza de que queria ter filhos e quando os tive notei que não era meu talento não. Falei sobre isto num post chamado Maternidade em que cito a pensadora francesa Badinter
http://samanthashiraishi.wordpress.com/2007/02/08/maternidade/
Lá falo o que penso de verdade: é preciso coragem para tê-los e mais ainda para assumir não ter.

Gra disse...

Agélica,
Eu costumo escutar sempre que uma hora eu vou mudar de idéia, que isso acontece com o tempo... Nem discuto mais, meu marido, que já tem o Ale e também não quer outros filhos, diz pra eu simplesmente dizer que não é a hora, pra não render esse assunto e evitar polêmicas. É engraçado essa obrigação que nos é colocada, eu vou preferir cuidar de mim, das pessoas que já fazem parte da minha vida. Essa responsabilidade eu deixo pra quem tem esse sonho e está disposta a se doar por completo.

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