segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Myrtes – a gata

Anastácia ainda morava com sua família, pai, mãe, avó, irmão e a gata Myrtes. A gata malhada havia sido encontrada na rua, abandonada por alguém desalmado e invejoso, que, provavelmente, não conseguia conviver com animais independentes, como era hábito em sua terra, mas que por sua vez devia adorar passarinho em gaiola. Bom, mas isso realmente não importa.

Myrtes já estava na família a alguns oito anos, já engordará, já tinha adoecido e quase ido pro beleléu e levado toda a família junto de desgosto e tristeza, mas não, agüentou a doença e os tratamentos e melhorou. O pai de Anastácia sempre tinha gostado desses bichanos e de outros animais também, na casa de Anastácia já haviam passado coelhos, galinhas, cachorros, cágados, hamsters, e outros pequeninos que iam e vinham quando queriam como micos e esquilos, mas os gatos, ah, esses eram permanentes.

Fato é, que a Myrtes com seu humor único e às vezes mediúnico, tinha encantado a todos. Como é sabido o dono de qualquer tipo de animal compreende os sinais, os murmúrios, e pequenas peculiaridades que, por vezes, só o dono mesmo é que vê.

Um dia desses, Anastácia e seu irmão, Vladimir, estavam na sala conversando, já tinham tomado algumas cervejas, não estavam tontos, mas estavam, por assim dizer, mais alegres do que o normal, e, desta maneira, riam mais do que o normal. Não me lembro bem qual foi a piada ou o motivo, mas aconteceu de ambos explodirem em gargalhadas intermináveis e sucessivas, quanto mais riam mais cômica e ridícula era a situação, pois nem eles mesmos se lembravam mais por que estavam rindo. De repente sentiram uma energia, para ser mais exata, um par de olhos arregalados em sua direção, analisando-os, avaliando-os, era Myrtes. Estava na sala já há algum tempo e não haviam notado a presença, mas ela estava lá, com aquela cara de quem pensa – como são bobos, riem de qualquer coisa. Se ela realmente pensou isso ou não, não podemos ter certeza, mas Anastácia e Vladimir tiveram a garantia de que efetivamente estavam ridículos e riram disso também.

Gatos - sem eles como conhecê-los?

Nomes no tempo


É impressionante como nossas influências podem ser percebidas ao longo do tempo através de cada mudança no comportamento, na cultura, na moda, na música, nas artes, e até nos nomes. Infelizmente, no caso dos nomes, a atualidade herdou a sofrível herança americana adaptada às nossas circunstâncias sociais.

Se até o século XIX, no caso específico do Brasil, os nomes eram quase sempre de influência portuguesa, como Maria, Manoel, Antônio, Ana, entre outros, após o início da Era do Rádio, no século XX, as pessoas passaram a ser registradas com nomes de influência da América Espanhola, influenciadas pelas novelas cubanas, venezuelanas, etc. Assim, até os anos 60 do século passado, muitas pessoas possuíam nomes duplos, bem característicos daquelas novelas. Eram homens de nome Rodrigo Otávio, Paulo Roberto, Francisco Arnaldo, José Maurício; e mulheres como Maria Dolores, Ana Francisca, Maria Antônia, Paula Cristina. Mesmo meu nome é duplo, ainda resquícios dessa influência. Confesso que preferia que fosse um só nome seguido dos sobrenomes. Para mim, isso sim é nome próprio. Mas deixa pra lá.

De todo jeito, o pior veio depois, com a televisão e os filmes e seriados norte-americanos que invadiram a vida dos brasileiros, principalmente a partir da década de 70. Como as pessoas mais humildes mal sabiam escrever nomes na língua Portuguesa, a coisa ficou terrível. Eram nomes como Uóchinton da Silva, Welerson dos Santos, Dienifer Almeida, Jaqueline Oliveira, Wanderson Lima, entre tantos outros que entraram para nosso folclore!

A popularização dos meios de comunicação de massa, como a televisão, e a intensificação da mídia de massa, deu aos nossos brasileiros Leide Daiane de Carvalho, Bil Clinton Araújo, Jon Lenon Ribeiro, e por aí vai. Hoje quase não temos nomes únicos, comuns, latinos e lindos, como Ana, Maria, Clara, João, Antônio, José.

Por sorte, pessoas mais esclarecidas, aparentemente já perceberam isso e começam a mudar os costumes novamente. Fora das classes populares, que ainda optam por nomes semi-americanos, a classe média batiza seus filhos com nomes simples, e bem mais bonitos. Tomara que estas últimas passem logo a influenciar as camadas mais desfavorecidas economicamente, para que essa época de nomes famosos internacionais com sobrenomes tipicamente brasileiro-portugueses passe a ser somente a lembrança de um tempo ruim (em que a cultura de massa dominava as mentes populares como hipnose) que passou...


Tania é crítica demais. Também é psicótica com o tempo, e por isso escreve tanto comparando o ontem com o hoje. Ela não gosta da moda, e é tão esquisita quanto os textos que produz.


domingo, 16 de dezembro de 2007

Trintolescência

Eu sempre tive aquela idéia de que chegar aos 30 significava ser um ADULTO de verdade. Ter uma vida estável, ser segura de todos os atos e assim vai. Mas agora faltando dois meses para o meu aniversário de 29 anos eu me sinto mais como uma adolescente do que como uma adulta de verdade. Quando a gente tem entre 12-16 anos passa por aquele período de que já somos grandinhas o suficiente pra ter responsabilidades como ajudar a arrumar a casa, tirar notas boas sem a mãe ter que colocar a gente pra estudar etc. Mas ainda somos criancas para sair à noite com a turma, ou viajar com o namorado. Essa é a parte mais frustrante da adolescência. Nunca imaginei que agora, nesta altura do campeonato eu fosse sentir as mesmas frustações da adolescência. Quando vejo meu currículo de trabalho, penso: 'ok, você realmente fez um bocado de coisa na vida, deve saber muito', quando coloco minha roupa formal e meu currículo debaixo do braço, até pareco gente grande. Mas aí vem aquela insegurança. Será que estou pronta mesmo para um cargo de gente grande? Às vezes me sinto tão besta, tão menina ainda, como isso é possível?

Há uns meses atrás (antes da gravidez) deu aquela vontade de sair à noite, dançar, beber uns drinks. Saímos com uma turma de amigos, tudo estava correndo bem, a música estava boa, a bebida também, o papo estava dez! Até 'os jovens' começarem a chegar no local. Aquela galera de 19-23 anos que passou umas 2 horas em uma 'concentração' antes de sair. A maioria tinha bebido um pouquinho a mais da conta. O lugar encheu, era perto da meia noite, a hora que os 'jovens' saem. Eu fiquei lá me sentindo um E.T. , empurra-empurra na pista de dança, piadinhas sem graça na fila do banheiro, gente tentando fazer filho em um canto, gente caindo no outro. Realmente não deu... fomos embora pouco tempo depois. E eu fiquei me prometendo: 'nunca mais vou em boate!'. É nessas horas que me sinto uma trintolescente chata. Sinto que estou em cima do muro, não estou nem um pouco afim de ir para um baile dançate com os 'véi', mas ao mesmo tempo não aguento mais essas festas de universitários, regadas a muita bebida e pegação. E agora como resolver esse impasse?

Me sinto numa corda bamba. Em cima do muro. Em uma encruzilhada sem saber qual dos caminhos seguir. Essa transição é complicada de vez em quando, tem que existir um meio termo mas as vezes é difícil de encontrá-lo...


Liz acha que a trintolescência é quase tão complicada quanto à adolescência. Anda a procura de um bar com entrada proibida para menores de 27 anos e maiores de 43, quem souber de um, favor avisá-la.



Por quê? – Parte II

Acabo de começar a vivenciar uma outra faceta dos porquês infantis.... Uma coisa são os porquês infindáveis de uma linda garotinha de dois anos. Outra são os porquês de um rapazinho de quase cinco que está tentando entender o mundo a sua volta.

A minha pergunta é: como não acabar com a inocência? Tem muita coisa, e estou falando dos atos humanos, que simplesmente não tem explicação, não se justificam... E agora ele já começa a ver.

Como mãe tenho obrigação de ensiná-lo e alertá-lo para tudo que o cerca, prepará-lo para o que o espera. Mas realmente dói o coração dizer algumas verdades. Sinto vergonha de também estar na condição de ser humano e saber de tantos males que vivemos e que simplesmente poderíamos muito bem evitar. Tanta coisa que se não existisse fariam a vida melhor.

E vejo meu pequeno, crescendo.... E tenho que fazê-lo forte para encarar o mundo.

Só que a nossa existência não é tão simples assim. Acho até que poderia ser. Mas tantos gostam de complicar!

Então eu lembro de uma frase que vira e mexe meu pai solta quando percebe a eminência de uma confusão desnecessária: “Não complica... não complica!”.


Aline: Professora de educação física e mãe em tempo integral, veterinária não atuante... Fiz trinta anos em 2006. Casada, dois filhos lindos (claro!!!! rsrs). Adoro contemplar o mundo e perceber que existe esperança, beleza, alegrias.



sábado, 15 de dezembro de 2007

A minha primeira vez

Há como ela foi esperada! Um marco entre duas fases muito distintas da minha vida: antes e depois da minha primeira vez.

Como ele seria? Radiante e caliente ou calmo e meio mormacento? Frio e tempestuoso? Será que ele ia ser rápido ou ia levar uma vida para terminar? Passei muito tempo sentindo antecipado aquele friozinho na barriga, que vem subindo pela espinha e que eu sabia que ele iria intensificar absurdamente algo parecido com isso.

Eu sabia que era inevitável para qualquer mulher. Para umas acontecia mais cedo, para outras como eu, não. Independente do tempo de espera eu acho que a intensidade da ansiedade para todas nós é a mesma! Ficar imaginando as cenas, todas as possibilidades, mas sem ter certeza nenhuma de como seria a hora H de fato.

Ficar conversando com as amigas e trocando anseios, receios e dúvidas a respeito. Há foi muito bom. E depois, as que já tinham passado por ela, vinham em polvorosa contar como foi. As mais tímidas, é claro, queriam omitir os detalhes sórdidos, mas não há mulher que consiga esconder alguma coisa de um bando de outras mulheres curiosas...

Eu sei que eu teria novas responsabilidades depois dela (e antes também, á claro), mas eu estava preparada para elas, fui muito instruída a respeito e sou uma pessoa muito organizada para estas coisas.

Eu sabia que o que eu ia perder ia me tornar uma pessoa diferente, uma mulher mais interessante também, e ficava imaginando como eu me sentiria praticamente sendo uma nova pessoa. Será que as pessoas saberiam que já tinha acontecido? Será que só de me olhar daria pra perceber? E a minha mãe? UI!

Depois dela, eu sabia que ia ficar em ânsias pela próxima e pela outra e pela outra. Pelo menos todas esperam que seja assim, não é? Eu sei que poderia ser traumática. As coisas podem dar errado nesta hora e eu sei que eu levaria muito tempo para esquecer (acho que pelo menos um ano). Mas eu sou uma pessoa persistente e sei que tentaria de novo, é inevitável.

Enfim, ela chegou: minhas primeiras férias. Ele tem sido maravilhoso, o meu primeiro dia, quente, ensolarado, mas com um ventinho delicioso soprando. Ele está demorando pra passar, pois tenho muitas coisas pra fazer, mas estou curtindo muito ficar de cantinho, aproveitando o “fazer nada” de uma mulher madura, nas suas primeiras férias de verdade, e muito merecidas. Espero também ter muito que contar para as amigas na volta e não pretendo omitir nenhum detalhe. As novas responsabilidades já estão quase cumpridas, detalhes do vôo, organizar as coisas que ficam e a casa que vai ter que sobreviver um mês sem mim. Certamente já estou diferente, o peso do estresse, que estava me deixando até amargurada se dissipou nesse dia maravilhoso. As outras pessoas percebem com certeza. Três delas inclusive me disseram que eu estou muito bonita hoje e perguntaram o que aconteceu! A minha mãe adorou a idéia e está em ânsias para encontrar comigo de novo.

Espero que a cada ano, cada uma das que vier daqui pra frente seja assim, como está sendo a minha primeira vez.


Gisele Lins em êxtase com suas primeiras férias. Escreve aqui aos sábados e espera ter muito que contar pro aqui nas próximas semanas.



Ano novo, vida nova?

Apesar de ser um ditado tão charmoso e inocente, repetido por muitos há muito tempo, eu não desejo isso para ninguém!

Calma, não estou de mal com a vida querendo que todo mundo tenha um horrível 2008, nada disso. Também não estou lançando uma campanha contra o sistema de organização do tempo, anos cristãos, calendários, nada disso.

Mas eu não desejo vida nova exceto para quem está nascendo agora. Porque isso seria negar e querer esquecer tudo o que já fomos, tudo o que sentimos, os erros e os acertos... Cada milésimo de segundo de nossa vida nos trouxe para onde estamos e fazem parte de nós mesmas. Obviamente todo mundo (especialmente nós, mulheres) adora novidades, mas só atribuímos significado à elas pelo que somos.

Desta forma, neste final de 2007, desejo a todos vocês um 2008 pleno de vocês mesmos, com sua vida todinha, desde o momento em que você pintou neste planeta, mas que ela esteja aberta a novidades e ao crescimento espiritual, mental, físico e profissional!


Renata, que acha que não é necessário esperar a chegada de um determinado dia para lembrar que a vida é constância, apesar dos altos e baixos... só há um começo e um final, o meio é o que fazemos agora. Desejo que seus meios sejam bem recheados de coisas boas!



sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A história sem fim, de Michael Ende.


Eu era bem pequena quando descobri a biblioteca da escola. Fascinada, passei a frequentar o lugar com assiduidade. Uma assiduidade de deixar orgulhosa a mãe mais exigente.
Um parênteses para a minha mãe:
Ela não é nada exigente.
É orgulhosa de mim por natureza.
Ela me acha o ser mais inteligente do planeta. Bem mais do que Bach e Eisntein.
Sempre me diz que eu estou magra e linda.
Ou seja, além de exigir pouco ela também mente bastante.

Mas onde estávamos?
Ah, a biblioteca.
Eu estava lá, devorando palavras, que formavam frases, que formavam histórias maravilhosas, que me encantavam a cada virada de página.
Me deliciando com a coleção Vaga-Lume de cabo a rabo. Lendo Agatha Christie desde "O misterioso caso de Styles" até "Cai o Pano".
Lendo "O menino do dedo verde", "Pollyanna", "A marca de uma lágrima", "Ladeira da Saudade" e "O pequeno príncipe".

E então, no meu 10º aniversário, o presente que ganhei da minha mãe foi um livro.
Assim, sem pedir - nunca tive o hábito de escolher presentes.
O livro era "A história sem Fim". De Michael Ende.
Um livro inteiro só meu. Com fontes rosa e verde. Com capa marrom. Com cheiro de livro novo. Com folhas branquinhas.
O impasse entre pegar aquele presente imaculado, colocar numa redoma de vidro e guardar para toda a eternidade ou me atirar de bruços na cama lendo desenfreadamente deve ter durado uns 2 segundos.
Li. Li. Li. Desesperadamente.
Reli e reli. Com mais calma, mas com a mesma emoção.
Chorei com Bastian chorando com Atreiú quando seu cavalo sucumbe no pântano da tristeza.
Inventei nomes para a imperatriz Criança.
Senti o nada me apertando o coração e me sugando toda a vida.
E mais do que qualquer coisa, confiei na força de Aurin, o amuleto.

O amuleto e eu temos uma relação muito estreita. Trago-o comigo até hoje.
Como símbolo de força. Como símbolo de dualidade.
Naquela época, pensei pela primeira vez na dualidade de tudo.
Que o bem não existe sem o mal. O Branco só existe quando comparado ao Preto.

Não posso dizer muito mais, pois acredito que a leitura de cada livro é um processo individual.
Milhares de pessoas lendo a mesma história e somando a ela suas experiências pessoais transformam a perspectiva de uma forma única.

"A história sem fim" me transformou.
E é por isso que até hoje, muito tempo depois, quando penso em escrever, contar histórias e buscar o conhecimento, a primeira coisa que me vem a mente é sempre plágio descarado daquilo que já foi eternizado brilhantemente por Ende.


Milena detesta a adaptação RIDÍCULA que fizeram para o cinema de seu livro preferido até hoje. Pede desculpas pelo rodapé amargo, mas já sabendo que alguns lerão e pensarão - baseados no filme - que o livro é uma bela porcaria, não poderia fazer diferente.


Se eu pudesse

Se eu pudesse te ensinar alguma coisa na vida, a primeira delas seria que só se tem 16 anos uma vez na vida, e se você não aproveitar este momento agora, não vai aproveitar mais. Eu te ensinaria que estudar é importante demais, porque o mundo é muito cruel com quem está bem preparado, e mais cruel ainda com quem não está. Ensinaria também que não gostar de uma coisa não faz dela menos importante pra vida, e que por isso um dia você vai agradecer ter tido a oportunidade de estudar inglês desde muito novinho. Eu te ensinaria que embora suas obrigações pareçam muitas e muito pesadas, elas são mínimas se compararmos com sua capacidade, e que com disciplina e força de vontade você pode tirar todas elas de letra.

Se eu pudesse te dar um conselho neste minuto, diria pra você colocar sua roupa mais estilosa, seu perfume mais cheiroso, passar numa floricultura e levar uma flor praquela menina por quem você tem uma quedinha desde criança. Diria pra você roubar um beijo dela, mas se isso for demais pra sua timidez, pra você pelo menos pedir esse beijo, e prestar atenção na resposta: se ela disser “não”, ela quer dizer “talvez”; se ela disser “talvez”, ela quer dizer “sim”, e se ela disser “sim”, não espere nem um segundo e corra pro beijo! Mas diria também que isso só funciona pra beijo, e se algum dia você pedir algo mais pra uma menina, se ela disser “sim”, você aproveita com responsabilidade, se ela disser “talvez”, você precisa respeitar o ritmo dela, e se ela disser “não”, não insista. Diria pra você lembrar que uma menina com quem você se envolva é provavelmente irmã de alguém (ou pelo menos muito importante pra alguém), e não fazer nada com ela que você não gostaria que fizessem com suas irmãs. Diria pra você beijar muito. Beijar por amor, por farra, por curiosidade. Beijo apaixonado, beijo de carnaval, beijo sem graça, beijo de amigo que se beija.

Se eu pudesse abrir seus olhos pra alguma coisa, seria pro fato de que o tempo não volta. Se você não passar tempo e não se dedicar às pessoas que você ama, quando elas se forem não haverá mais tempo. Não vai adiantar chorar. O vazio vai te consumir, e a vida inteira você vai se perguntar como teria sido se tivesse sido mais atencioso e presente. Por isso eu diria pra você gastar menos tempo no computador e mais tempo com pessoas. Mas diria também pra você reservar um tempinho pro computador, porque fazer as coisas que a gente gosta na vida também é muito importante. Portanto, eu abriria seus olhos pra tentar fazer você estar mais presente na vida dos que você ama e reservar um tempo fazendo o que você gosta. E se o que você gosta também é aquilo em que você é muito bom, gaste muito tempo. Por isso eu te diria pra nunca abandonar o papel e o lápis, porque os contornos do que você desenha provavelmente vão delinear seus sonhos.

E se finalmente eu pudesse, faria você perder a visão adolescente que você tem do mundo, porque com maturidade você veria que suas irmãs não brigam com você nem implicam com sua vida de graça. No fundo elas têm maturidade suficiente pra saber as conseqüências de vários dos seus passos errados, e tudo que elas querem é evitar que você fique frustrado, que você bata com a cabeça na parede, que você sofra, que sinta dor. Elas preferem puxar sua orelha do que esperar o mundo te dar uma rasteira, porque elas te amam demais e seu sofrimento sempre vai ser o sofrimento delas.

Mas isso tudo seria se eu pudesse, mas eu não posso. A vida é sua, e quem deve percorrer o caminho é você. Eu não posso viver por você, não posso evitar seu sofrimento, porque através dele que você vai crescer e se transformar numa pessoa melhor. Eu não posso querer evitar de você dar suas cabeçadas, da mesma forma que mamãe não conseguiu evitar que eu desse as minhas. A única coisa que eu posso fazer é pedir pra você nunca duvidar que por trás de tudo que suas irmãs fazem não tem nada além de amor. Muito amor.


Sisa fica apavorada vendo seu irmãozinho (que agora já não é mais tão “inho”, já tem idade pra votar) fazendo besteira, mas ela sabe que o que ele vai aprender com as conseqüências vai ser o mais importante que ele vai carregar pela vida. Então ela tenta relaxar um pouco, mas nunca consegue e briga muito com ele, na esperança que ele entenda aos 16 anos o que ela levou quase 30 pra aprender.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Computador travado!

Concordo que o computador é uma das maiores invenções da humanidade, mas tem dias em que temos que contar até 1000 para não dar um chute nele e ficar só observando ele voando e em seguida se espatifando no chão!!

Geralmente ele decide dar pau nos momentos em que mais precisamos e que geralmente nos encontramos transtornados pelo estress e cansaço. Então damos um click e o negócio trava, apertamos ctrl+alt+del e aparece aquela ampulheta e nada!Tentamos de novo e de novo e nada, daí já desligamos tudo e nos acalmamos, ligamos novamente e ele ainda está travado, quando percebemos já estamos clicando sem parar e sem obter nenhuma resposta e certamente com uma cara de louco, quase babando e os olhos vermelhos de tanta raiva! A raiva é tanta que mal conseguimos raciocinar, nem enxergamos mais a tela, só pensamos: funcionada f.d.p!

Pior ainda, quando ele trava no meio de um trabalho que levamos horas elaborando e por distração ou burrice ainda não salvamos, além de todos os pontos apresentados acima a vontade de chorar vem de súbito, como um nó na garganta que chega a sufocar (culpa também do stress).

Às vezes descontamos tudo no pobre do mouse, já vi gente no trabalho perder a razão e arremessar, com tanta força, o mouse sobre a mesa que até a bolinha de dentro dele saiu voando!rs

Tenho certeza que ao ler este texto, você certamente se identificou com ele, porque até o momento não conheço ninguém que nunca perdeu a razão diante de um computador travado!


Débora adora o computador e não se imagina vivendo sem ele, mas não tem a mínima paciência quando ele resolve dar “piti”, o que foi o caso ontem quando ela foi escrever o texto para o blog, ficou tão irritada que até acabou escrevendo esse pra se desabafar!



quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A vaidade e eu

Andei pensando em qual seria o ponto em que ser vaidosa deixa de ser um atributo e passa a representar um problema (defeito, pecado, distúrbio, ..., como queiram). Até onde compensa passar por mil cirurgias plásticas e se tornar uma assinatura ambulante do cirurgião? Será que vale a pena ser refém de cosméticos e tratamentos estéticos? Por que tentar se ajustar a um padrão de beleza que nem sempre é atingível?

Eu sempre fui um pouco sem paciência com pessoas excessivamente vaidosas; considerava-as vazias, sem conteúdo. Mas em tempos de exercer a tolerância, não penso mais assim... Era fácil dizer que uma pessoa vaidosa não tem problema de verdade e por isso pode “perder” tanto tempo com futilidade, porque eu nunca me considerei vaidosa e sempre me achei uma pessoa de conteúdo (quanta besteira, meu Deus). Mas será que esta questão deve ser levada tão a ferro e fogo?

Hoje, eu entendo a vaidade como um reflexo de nosso interior: os valores; a forma como nos vemos; a maneira como fomos criadas; e o que almejamos. Assim, o espelho deve refletir a felicidade e a satisfação da pessoa consigo mesma. E, na busca delas, cada qual escolhe seu caminho, o ponto limite de arriscar: cremes, tratamentos, cirurgias, remédios malucos... Eu não tenho autoridade para julgar ninguém e apenas posso concordar ou discordar de certas maneiras como as pessoas guiam suas vidas, nada mais.

Continuo não concordando com os excessos cometidos em nome da estética porque acho que a beleza verdadeira não aparece à primeira vista. Para mim, esta beleza verdadeira se apresenta em uma atitude, em um ideal, em um jeito espirituoso de lidar com encrencas, em um lindo sorriso, em uma lágrima que rola por conta de uma forte emoção. Esta beleza sim, ano após ano, com ou sem a busca desmedida pelo belo estético, vai conosco até o último suspiro e ficará eternizada na memória daqueles que realmente nos amam e nos conhecem.

No entanto, percebo que encontrei um equilíbrio: se eu não cuidar do meu corpo (saúde, aparência, proporções), minha cabeça não ficará sã e não conseguirei externar a beleza verdadeira. Se antes eu dizia sem titubear que não era vaidosa, hoje já não é bem assim... Eu me dou ao luxo de momentos de vaidade, como domar minha juba, fazer as unhas, me preocupar com os quilinhos a mais (e lutar para eliminá-los), fazer aulas de abdominal para ver se dão efeito e usar roupas bonitas. Mas não sou escrava de nada e tenho meus instantes de pura preguiça (haja paciência para usar cremes e aparecer na academia segunda de manhã rsrs). E sabe o resultado? Hoje estou mais feliz e mais de bem comigo mesma!

Até a próxima!


Paula já se achou a intelectual e que apenas o cérebro importava. Hoje vive um pouco mais em equilíbrio e está feliz com isso. Tem pontos que a incomodam, claro, mas se depender de cirurgia plástica, provavelmente conviverá com eles para sempre, porque tem pavor de anestesia!



terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Será Que Eu Sou?

Caiu no vestibular de 1995. Eu tinha dezessete anos, não sabia onde estava meu nariz; que dirá o que eu iria fazer para o resto da vida. Covardia ter que fazer vestibular aos dezessete anos. Pelo menos o livro era o mesmo pras duas universidades, já que a matéria eu teria que me virar com força pra estudar, pois me inscrevera pra Direito e Veterinária depois de passar os últimos três anos numa escola técnica. Consegui a proeza de tirar mais de 90% no geral de um vestibular, mas menos de 30% em química!! Fui reprovada pra Direito. Pra Veterinária, fiquei em segundo excedente, mas aí meu intercâmbio já tinha saído e, mesmo que me chamassem, eu não sei se iria, porque o din din que meu estágio estava rendendo já estava direcionado pro intercâmbio.

Fato é que O Triste Fim de Policarpo Quaresma deixou marcas. Acabei levando comigo o livro pra Tailândia e o deixei por lá, após várias releituras, na biblioteca do AFS com uma dedicatória pro brasileiro que resolvesse se aventurar pelas páginas de Lima Barreto. De volta ao Brasil, reli a "estória" várias vezes e, quanto mais eu relia, mais eu achava a "estória" tinha muito de história.

Vários anos se passaram e nem me lembro mais quando foi a última vez que reli o romance. Mas a vida me tem feito me achar muito Policarpo Quaresma. Não que eu ache que devemos adotar o Tupi como idioma nacional, pelo contrário, acho que nossa língua merece mais respeito do que lhe tem sido destinado.

Durante minha vida profissional, tenho visto flagrantes aberrações. A Justiça, ouço dizer, que Deus a tenha. Ou ainda, melhor contar com a Justiça de Deus, porque com a dos homens não se pode contar. Sou obrigada a me calar diante de tais manifestações. Vejo ações alimentares se arrastando por anos a fio nos tribunais e agradeço aos céus por ter uma mãe capaz de cuidar da família sem que a pensão alimentícia que nos era, por Direito, devida, fizesse falta. Vejo mulheres e crianças espancadas, violentadas, sem uma efetiva proteção daqueles que tomaram o poder sob argumento de gerenciar as relações sociais. Minorias massacradas diariamente. Ou minorias defendidas como instrumento de defesa de interesses escusos. Teoria política na qual sinto que a única pessoa que acreditou fui eu. Contrato social de meia tigela...

A vida me levou por caminhos pelos quais nunca pensei trilhar. O Direito Penal sempre me fascinou e continua fascinando. Mais que meio de defesa de vagabundos, como a maioria pensa, o Direito Penal é instrumento de defesa de garantias individuais de nós, cidadãos. Só que estas garantias, que tanta falta fizeram nos idos da ditadura militar, têm de valer para todos, inclusive pro ladrão que entrou na nossa casa à noite, na surdina, e roubou algo adquirido com muito suor.

Enfim, mais tempo se passou, e acabei me vendo defendendo políticos. Sempre acreditei que no meio da canalha haveria alguém bem intencionado, haveria alguém decente, honesto. Embora meus amigos usassem termos pejorativos para indicar parte de minha clientela, os políticos, sempre ignorei. O papel de juiz não me cabe, não foi este o caminho que escolhi. Porém, com o passar do tempo, fui percebendo que no meio da canalha, há somente mais canalha. Pessoas que não vêem que tirar do dinheiro público um centavo que seja em benefício privado é tirar o pão da boca de quem tem fome. Não vêem ou não se importam de pagar seu luxo à custa da miséria alheia. Exagero meu? Sinceramente acho que não. Há quem não acredite, mas ainda há fome no Brasil. Não é necessário ir aos grotões do país, sequer ao Vale do Jequitinhonha para constatar o que digo. Vá a Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, eleita uma das melhores cidades pra se viver a algum tempo atrás. O povo lá é carente de tudo: atenção básica, educação, saúde, comida. E não me venham com conversa de que programa Fome Zero é bom por causa disso. Fome Zero é paliativo, é hipocrisia de quem dá comida como quem faz favor. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Lima Barreto e Titãs no mesmo texto?! Sim, porque quando se tira do público em benefício privado, não se tira simplesmente comida; rouba-se o futuro de gerações.

Começo a achar que estou enlouquecendo ou o estão todos em minha volta. Será que só eu não acho normal pagar e receber propina? Será que só eu vejo com indignação o tráfico descarado de influência nos altos escalões da sociedade? Será que só eu vejo que a clientela do Direito Penal (o preto, o pobre e a puta) só vem aumentando e que os ditadores do poder só enriquecem mais a cada dia à custa da miséria do povo? Mais uma vez eu digo: não me venham com esta de que estou discriminando os três P`s!! Ou alguém aí acredita que a cadeia, que o Direito Penal, efetivamente se destina a nós, classe média educada, nata da intelectualidade do país? Ou alguém aí deixou de tirar xerox na íntegra de um livro com medo de ser pego pelo Direito Penal?

Começo a achar que terei o mesmo triste fim que Policarpo Quaresma. Serei tida como louca e ainda bem (para mim, a louca) que não mais há os manicômios! Pobre da minha família que, ou conviverá com uma doida varrida, ou a abandonará, como costumam fazer os familiares de pacientes psiquiátricos depois que os manicômios foram hipócrita e simplesmente abolidos, sem que fossem dadas alternativas como hospitais dia, medicamento e orientação às famílias. Uma despesa grande a menos pro governo. E viva a luta antimanicomial!! O dinheiro do povo é uma farra mesmo!!

Penso tudo isso, mas olho novamente ao meu redor, depois deste desabafo, e acredito que o fim não precisa ser como o de Quaresma. Vejo muitas pessoas que verdadeiramente também se sentem Policarpo e isso me dá um alento. Quero crer que a epígrafe de O Triste Fim (*) não necessariamente exprime uma verdade. Estamos conscientes. Estamos lúcidos. Vamos fazer alguma coisa. Não basta dar o circo. A gente quer inteiro e não pela metade.

(*) “O grande inconveniente da vida real e que a torna insuportável para o homem superior é que, se para ela são transportados os princípios do ideal, as qualidades se tornam defeitos, tanto que muito freqüentemente aquele homem superior realiza e consegue bem menos do que aqueles movidos pelo egoísmo e pela rotina vulgar.”


Laeticia é uma advogada de 30 anos, ainda sonhadora, muito idealista, que vem pensando numa forma de permanecer na tribuna sem que sua essência se deteriore. Enquanto pensa, senta no próprio rabo e come chocolate suíço.


Com os Pés Fora do Chão (Minha Primeira Vez)

Parte 1 – O Sonho

Desde criança sonhava em voar. Sonhava mesmo, dormindo. E eu voava sozinha, como o Super-Homem. E isso me encantava tanto que quando o sonho terminava por qualquer motivo eu tentava dormir outra vez na esperança de continuar voando. E, claro, não dava certo. Cresci e continuei sonhando que eu voava. E de sonho passou a desejo. Eu queria, realmente, ser pássaro, talvez uma gaivota. Sentir-me livre, vento no rosto, longe dos congestionamentos diários de uma grande capital. Sabia que não chegaria a ser uma versão caipira-mineira do Super-Homem, mas de um jeito ou de outro eu queria muuuuuuito voar.

Parte 2 – A possibilidade real de voar

Viajei de avião em 2001. Adorei. É muito bom o tal de avião. Mas não proporcionou a sensação de liberdade que eu sempre sonhei ao voar. Para isso eu teria que voar fora do avião, entendem!?
Até pouco tempo atrás trabalhava comigo a Paulinha, mulher de 30, linda, simpática e muito divertida, enfim, ótima companhia. Ficamos amigas e descobrimos muitas coisas em comum. Eu descobri que Paula era amante do Pára-quedismo e do Mergulho. Pára-quedismo, como assim!? Já havia cogitado essa possibilidade para realizar o meu desejo de voar e me caiu do céu Paulinha. Amém! Lógico que ela me deu todos os detalhes dos dois saltos que fez e os contatos também. Aí, sim, pensei: Eu vou voar!

Parte 3 – Tudo Pronto

Com os contatos em mãos, fiz minha parte. Liguei para o Vinícius (Vinição), pára-quedista conhecido da Paulinha, conversamos e eu fiquei de retornar a ligação para marcarmos uma data para o salto duplo (que se faz com o instrutor). Queria que a Paulinha fosse comigo, afinal eu não conhecia a galera... Nesse meio tempo, contei para alguns amigos e conhecidos que eu ia saltar de pára-quedas. As reações foram as mais diversas possíveis desde “Você é louca!?” até “Que coincidência, é meu sonho!”. Depois de concluir que a agenda da Paulinha estava tão cheia quanto a do Lula, resolvi ir sozinha mesmo, no dia 08/12. Os saltos são feitos em Divinópolis, então teria que ir de carro. Dirigindo? Nem pensar! Nunca dirigi na estrada, preciso de ajuda. Convidei meu amigo-vizinho, Otávio, que sempre socorre minha mãe e eu nos casos de necessidades automotivas. E ele, prestativo, aceitou prontamente ir comigo, dirigindo. Uma semana antes comecei a investigar a previsão do tempo para Divinópolis. Quando chegou sexta-feira, véspera do salto, a previsão era de chuva para todo o sábado. Pirei! Se chover mesmo, melou meu salto... Ao mesmo tempo já vinha conversando com meu anjo da guarda durante a semana para que usasse de sua influência com São Pedro pedindo pra ele pegar leve no sábado. Sexta-feira, celular programado para despertar 6h15, figurino escolhido, ansiedade, enfim, tudo pronto.

Parte 4 – A espera

E o celular tocou. Abri os olhos e arregalei os ouvidos tentando escutar algum barulho de chuva e nada, que bom! Mas isso não diz que Divinópolis está seca. Que pena! Bem, no caminho eu rezo também. Tomei meu café, vesti minha fantasia de Super-Homem (uma blusa azul super-homem com o símbolo do bendito) perfeita para a ocasião, separei o tênis, mais uns badulaques na mochila e pé na estrada. Duas horas depois estávamos no Aeroporto de Divinópolis. Sem chuva. Encontrei, logo de cara, Vinição, o que tornou mais leve a minha chegada. Também já estava lá Sérgio (Zuza), que saltaria comigo mais tarde. Fomos até o hangar e lá começaram os preparativos para o salto. O tempo passou rápido entre esclarecimentos, brincadeiras e piadas. Chegaram também Marcelo e Marcelo. E eles saltariam também, sozinhos. Quem demorou chegar foi Eduardo (Patrão), o piloto. Sem ele, ninguém sairia do lugar. Todos a postos, caracterizados e instruídos, enfim eu voaria...

Parte 5 – O salto

O avião (PT-Key) é pequeno como todo avião usado para esse fim. Éramos seis, contando com Patrão (o único que tinha lugar marcado, rs). Sentamos (Zuza, Marcelo, Marcelo, eu e Vinição) e lá fomos nós. Saltaríamos a 10.000’ (pés) e fiquei de olho nos altímetros que os rapazes usavam pra vigiar a chegada dos pés que precisávamos. E a hora chegou! Vinição abriu a porta do avião, saiu primeiro e esperou que eu e Zuza saíssemos, afinal ele iria filmar e fotografar o salto a meu pedido. Leitores, a queda livre é inexplicável, o vento é forte e não parece uma queda, foi como plainar por alguns segundos. Segundos de liberdade, de sonho, de paz, enfim, com meus pés fora do chão. Já com o pára-quedas aberto a emoção não foi menor. A cada comando de Zuza para esquerda, direita ou frear, descobri que voar era divino, de todas as formas. Não quis que esse momento terminasse, mas... não sou super-homem nem gaivota e tinha que retornar à terra firme. Porém, minha alma agora é mais pássaro que antes, agora que sentiu o céu, o vento, a liberdade, agora que voou. Certamente voltarei ao céu, num pára-quedas, com Zuza ou Vinição, e, quem sabe, futuramente, em vôo solo. É o que quero e desejo e é o que será.

Parte 6 – Extras

Todo capítulo de novela tem bastidores interessantes, aí vão momentos impagáveis:
• Assim que entramos na cidade de Divinópolis, pedimos informação, em um posto de gasolina, de como chegar ao Aeroporto. Um frentista nos respondeu: “tem um caminho pelo Centro, mas se o sr. quiser ataiá....” custei a entender o significado de “ataiá”, afinal não freqüento cidades do interior rsrsrs.
• Logo que saí do avião, em queda livre, pirei, ri até no canto, abri a boca (involuntariamente) e... babei. Nem percebi o mico e o gentil do Vinição tentou me avisar, mas eu estava tão “dominada” que nem percebi. Espero que isso não saia nas fotos. Primeira vez é assim mesmo, sempre se derrapa em alguma curva rsrsrs.
• Perto do momento de decolarmos o sol apareceu, de leve, pra me lembrar que “meu santo é forte”.


Angélica tirou os pés do chão e saltou de pára-quedas. Fará isso mais vezes porque, lá em cima, se sentiu em casa. Agradece todos que participaram desse momento e declara: “Já sei o caminho do céu e vou voltar. Alguém se candidata a me acompanhar?”



segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Medo de baratas: questão de sobrevivência

Há um elemento de grande poder destrutivo capaz de unir toda a classe feminina: a barata! Na ideologia de dominação totalitária, a presença de um grande inimigo, comum a todos, ajuda a fortalecer as classes no poder. Ah, se Hitler ou Stálin soubessem do pânico que a barata causa nas mulheres, ela seria a escolhida como o grande inimigo a combater. Assim, todas as mulheres desviariam suas atenções para a eliminação das baratas, e os poderosos ditadores poderiam continuar suas crueldades e guerras por poder na maior tranqüilidade. Além do mais, as mulheres empregariam os homens como exterminadores de “inimigos”, já que as mesmas não teriam coragem de combatê-las em campo aberto.

Na verdade, há uma explicação científica para o medo que sentimos desses seres. As baratas são realmente os seres mais resistentes do planeta. Qualquer um teria medo de uma criatura que não morre após um ataque nuclear. O argumento masculino seria que ela morre ao pisarmos nela, ou seja, a barata é um ser insignificante, fraco. Oras, se um indivíduo com a proporção de mais de cem vezes o seu tamanho e peso pisar em você, é lógico que você morre. A barata não é mais fraca por isso. Agora, se nós, simples mortais, fomos expostos a energia nuclear, gases tóxicos, ou um simples vírus, como o da gripe aviária, estaremos mortos em pouquíssimo tempo! Então, quem é mais fraco?

A barata habita a Terra desde milênios antes do homem, e com certeza habitará por muito tempo após o fim de humanidade. Ela não sente dor! Isso é um absurdo! Ela vive nos esgotos, está exposta a bactérias, a todo tipo de doença fatal ao ser humano, mas não morre! Dizem que há cerce de 500 baratas para cada pessoa no planeta. Eu abro mão das minhas. Ela invade qualquer lugar, resiste a tentados terroristas, e não há bomba H capaz de eliminá-la. Até os dinossauros foram extintos, mas olha elas aí....

Logo, se as explicações acima não são suficientes para convencer aos homens que quem manda neste planeta são as baratas, e que temos medo delas por fortíssimas razões, então eu não sei se devemos sentir medo de mais nada.


Tânia é pão-dura, louca e não toma remédio para não gastar dinheiro! Adora ler, ver filmes e escutar música. Adora animais, menos baratas, mesmo sendo “baratas”!


Desabafo

Acordei no domingo de manhã não me sentindo muito bem, na verdade nem sei se acordei mesmo porque mal dormi. O sábado não foi muito produtivo, aliás, posso dizer que foi mesmo é improdutivo, bebi demais, de novo. Não gosto quando faço isso, não me sinto bem, não acho mais graça em ficar tonta, sinto vergonha de mim, dos meus pais, dos meus amigos, já sofri acidentes de percurso por causa disso e de quando em quando continuo fazendo. Sempre sofri de ressaca moral, e sábado não foi diferente, mas tenho sentido que estou ficando pior comigo mesma, pois passar a tarde bebendo não é o que eu quero pra mim, não é o que eu acredito e, principalmente, só me diverte até certo ponto. Fico me perguntando por que não consigo dizer a hora de parar, tomar uma cerveja de leve comer alguma coisa e pronto, mas não, parece que uma outra Silvia se apodera de mim, mas quando chego em casa sou eu de novo e aí eu é que tenho que recolher os cacos.

Já conversei sobre isso com amigos, alguns sinceramente nem pensam nisso, acham ótimo, que alegria, me dizem pra não esquentar a cabeça, mas eu esquento, provavelmente por que não gosto mais quando fico assim. Talvez eu esteja sendo repetitiva, me desculpem; o que eu quero dizer mesmo, mas nem sempre é fácil ser objetiva com assuntos importantes, é que tenho medo, de perder o controle, se é que já não o perdi, de não conseguir segurar as rédeas das minhas ações, me pergunto constantemente como saber se você já ultrapassou os limites do que é socialmente aceitável, será que já não estou do lado de lá, não sei, sinceramente não sei.

Fato é que novamente vou me propor o autocontrole, vou me mostrar tudo o que eu quero pra mim, uma vida saudável, leve e, sobretudo, equilibrada. Adoro sair com meus amigos, conversar e conhecer pessoas e acredito que não preciso do álcool para isso, me proponho mais uma vez, beber mais água, suco e sprite e ser mais feliz, por que do jeito que está, não está bom. Não estou dizendo que vou abolir todas as bebidinhas da minha vida, mas pretendo bebê-las só quando conseguir dizer não.


Silvia: Espero que essa ressaca moral seja a última e que os meus amigos me compreendam e me ajudem tendo sempre um sprite na geladeira pra mim.



domingo, 9 de dezembro de 2007

As muitas faces de uma mesma pessoa

Geralmente temos pessoas em nossas vidas que representam cada uma um papel diferente, mas há também aquelas que representam vários papéis ao mesmo tempo, e por isso tem uma importância muito maior em nossas vidas.

E é assim com uma pessoa que faz parte da minha vida há muito tempo... Ela atua na minha vida como um grande amigo, como meu companheiro para os bons momentos, como meu saco de pancadas para os maus momentos, como meu consultor financeiro, como meu analista, como meu conselheiro profissional, entre outras coisas.

É a pessoa mais generosa que já conheci, está sempre disposta a ajudar alguém, mesmo aqueles que definitivamente não mereceriam sequer serem lembrados. É uma pessoa doce e terna, que por muitos anos tem sido meu porto seguro, talvez pelo fato de representar tantos papéis na minha vida.

A idéia de ficar longe dela sempre me apavorou um pouco, porque cada um desses papéis se complementa e é isso que faz essa relação ser tão especial, ser tão única. A gente não precisa mais de palavras para se comunicar, para saber o que o outro pensa ou o que o outro precisa, virou uma coisa tão intensa que é difícil definir.

Mas agora está chegando um momento que eu sempre tive medo de chegar... o momento de me afastar dessa pessoa, de não tê-la mais ao alcance das minhas mãos, de não ter mais o colo no momento que eu precisar, de não ter mais o abraço no momento de carência ou de felicidade, de não mais estar a poucos metros de distância...

Cada um vai seguir um rumo e com certeza a distância vai acabar com alguns dos papéis que ela representa na minha vida, outros vão continuar para sempre, mas fica a certeza de que cada um deles será eterno na nossa memória e no nosso coração.


Vivian sabe que tudo nessa vida vem e vai, mas que tudo pode ser eternizado em nossos corações, pra sempre...


O Natal nunca mais será o mesmo...

Eu tinha o maior orgulho da minha família. Tinha do verbo não tenho mais. Os Natais na casa da minha avó eram tão especiais!!! Não me refiro só à minha infância, mas nos outros anos também. Tinham brincadeiras tradicionais, como o velho conhecido “ Amigo Oculto” mas tinha também o “ Inimigo Oculto”. Não era um simples inimigo oculto: todos os familiares se observavam durante o decorrer do ano e ao menor deslize... Podia esperar o inimigo oculto no dia 25 de dezembro, relembrando o fato ocorrido e oferecendo um produto “revolucionário”! E a carta? A melhor parte: “ Caro inimigo oculto... ou Prezado inimigo oculto..”

Teve um ano que meu pai propôs um prêmio ao melhor inimigo tecnológico! Foi uma graça, isso porque ele tinha preparado pro meu irmão mais velho um super despertador contra o baixo astral, que vinha até com manual de instruções! Com manual de instruções também vinha a mulher ( uma manequim chiquerésima) que meu irmão (do meio) ganhou de inimigo oculto, no auge dos seus 14 anos, quando não arranjava namorada de jeito nenhum, por mais que procurasse..

Confesso que nunca fui muito inspirada para preparar meus inimigos ocultos, mas já ganhei vários interessantes! O melhor, na minha opinião, foi a “Boquinha nervosa” ! Era um sorriso de papel que eu colocava na boca, de forma a manter o sorriso sem comer nada, mantendo a forma! :)

Enfim, os anos se passarm, as pessoas da minha família se tornaram menos tolerantes. Agora tá todo mundo de mau um com o outro. Não existe mais aquela expectativa para o Natal, não existe nem mais a troca de papeizinhos nomeados. Este ano não teremos nem mais “ Amigo Oculto”. ( O “inimigo já acabou faz tempo...)


“Fabiana assistia com saudade as fitas de Natal e relembrava com alegria os inimigos ocultos. Sente saudade dos bons momentos e sente tristeza de ver a família se desunindo a olhos vistos...”



sábado, 8 de dezembro de 2007

Sofisticated

Outro dia me disseram que a mulher, a partir dos trinta anos, tende a ser mais sofisticada. Concordo e logo pensei nas marcas mais chiquérrimas de shopping centers, restaurantes requintados e convites Vips. Mas não passa somente por isso. Refere-se, antes de mais nada, a uma inclinação para o bom gosto, para a qualidade, em todos os sentidos, em todas as categorias.

A sofisticação da mulher de trinta está relacionada às suas atitudes, ao seu comportamento, às suas escolhas. Ela tende a ser mais polida nos gestos e nos dizeres. Os lugares que ela quer freqüentar são selecionados. Companhia? Só mesmo se valer a pena, sem com isso fazer acepção de pessoas. Falar? Só mesmo se tiver algo de relevante a dizer ou a acrescentar.

Definitivamente ela não é mais aquele papagaio purpurinado adolescente que fala, fala e não tem nada a dizer. Mulher de trinta é mulher antenada!

É uma idade boa para ter filhos, pois sabe a importância de sobrepor a qualidade à quantidade. Os filhos, poucos, é que saem ganhando com isso.

Por outro lado percebo que a mulher, nessa fase da vida, possui uma leve (?) inclinação para a intolerância. Eu, pelo menos, tenho sido intolerante com relação a algumas atitudes alheias. É claro que não brigo, não saio batendo boca por aí, (sou polida!!!), mas tenho questionado algumas coisas com relação a desperdício, gastos exagerados, falta de gentileza. Principalmente a última, pois acredito que a vida pode ser mais leve, além de “chique”.


Vanessa gosta e valoriza muitas coisas na vida, principalmente a possibilidade de mudanças. Ela é geminiana. Não é inconstante como os astrólogos gostam de defini-la, mas gosta de renovar. Na infância dançava ballet e hoje pratica dança do ventre.

Os meus silêncios

Sou uma pessoa esquisita. Encosto a língua no nariz, sei fechar perfeitamente a pálpebra de um olho só sem fazer careta ou colocar a língua para fora, consigo mexer as orelhas e morro de rir no dentista, de tantas cócegas que eu sinto na gengiva. Um dos sintomas mais fortes de um esquisito é que ele gosta de ser esquisito, ou de suas esquisitices. Uma das minhas esquisitices maiores é a minha relação com o Silêncio, e o tanto que eu gosto e aprendo desta relação. O tipo de silêncio que tenho com uma pessoa define muito da relação que existe entre eu e ela.

Tem o Silêncio Ausente, ou seja, o que não vem com aquelas pessoas que acham que nosso ouvido é pinico. Deste existem três tipos: o Silêncio Ausente dos que falam demais por quererem agradar, o dos que falam demais por não saberem escutar e o dos que falam demais achando que assim nos impedem de ver através de suas máscaras. Família chata essa, viu?

Tem o Silêncio Irritante, daquelas pessoas que juram que é óbvio o que se passa na cabeça delas e que acham que se você não adivinhou ainda, não merece saber.

Já o Silêncio Intrigante vem no instante seguinte ao despejarmos uma matraca de besteiras homéricas que só nos prejudicam. Ele nos é presenteado por aqueles que nos querem bem e sabem que este silêncio nos fará perceber o quanto estamos sendo tolos, de forma muito mais eficaz do que meia hora de “não, não é assim, querida”.

É claro que tem o Silêncio Nervoso, antes de uma entrevista, de apresentar um projeto, de saber o resultado de um exame, de esperar um telefonema, mas esse é só nosso e não representa uma relação. Serve apenas para tornar eterno um segundo muito chato.

Tem os Silêncio-Killers por aí, os piás, que falam como se fossem dois e mesmo de boca fechada fazem um barulho enorme. Mas estes valem a pena, há se valem.

Tem o Silêncio Doído, que machuca fundo e devagar. É aquele que surge quando há algo que não queremos de forma alguma ouvir de alguém, mas que sabemos que não temos como evitar. Ele pode durar muito tempo, andando ao nosso lado por toda a antecipação, a espera, da confirmação de uma dor. E pode durar mais tempo ainda depois que ela se confirma.

Tem o Silêncio Tapar-O-Sol-Com-A-Peneira, dos que escolhem não falar o que pensam, ou sentem, quando acham que é errado e acreditam que assim deixarão de ser responsáveis por pensar ou sentir o erro.

Tem o Silêncio Dúvida, que nos abraça tão forte quando já sabemos nossa escolha em uma decisão difícil de tomar, que não nos deixa fazer nada.

Há, tem o Silêncio Cúmplice. Esse é muito bom, e só os verdadeiros amigos podem nos dar. Ele pode chegar ao meio da tarde, quando fazemos as unhas enquanto uma amiga não faz nada, ou dorme na rede ao lado. Pode vir depois que um amigo nos defendeu arduamente, mesmo sabendo que estávamos errados em uma situação, ou pode vir quando alguém querido fecha os olhos para uma burrada que a gente fez.

Agora o supra-sumo, o que eu busco, desejo, almejo, quero, ensejo é o Silêncio Supremo. O único onde pessoas que se amam, quando em silêncio, estão à vontade, íntegras e sendo elas mesmas. Onde jamais existirá o desconforto do que o outro está pensando. É com ele que podemos passar uma tarde ao lado de alguém, embaixo de uma árvore lendo. Ele está conosco quando percebemos que “o” alguém não precisa estar olhando para nós, mas sim para o mesmo lugar que a gente. Este silêncio é a “terceira pessoa” que queremos na nossa cama e é o que vai sussurrar em nosso ouvido o nome do nosso filho. Ele será a trilha sonora dos nosso melhores momentos, que têm que acontecer atônitos, sem palavras, em Silêncio.


Gisele Lins, como não poderia deixar de ser, acaba sempre gostando de gente esquisita (afinal, Deus cria, o diabo separa e eles por si sós se juntam). Este texto é para todos os silêncios que seus queridos esquisitos a proporcionam. Escreve aqui aos sábados.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Lei de Talião

Sabe, muitas vezes eu me sinto mal por motivos que nem sei ao certo o que são.

Me sinto mal por ter tanto da vida e não ser capaz de retribuir ainda.

Me sinto mal por ter momentos de felicidade e paz interior e ainda assim reclamar.

Me sinto mal por não me achar merecedora das dádivas que tenho.

E é nessas horas que paro, penso, reflito...

Será que é verdade que todos nós temos aquilo que merecemos?

Será que no fim, tudo isso faz parte da grande conspiração cósmica que nos diz que cada um carrega em seus ombros somente o que aguenta? Que cada um planta o que colhe? Que aqui se faz, aqui se paga?

Hoje acordei com muitas dúvidas.

Mas no fundo, acordei feliz.

Acordei agradecendo por tudo que tive, tenho e terei.

E pensando que quando chegar a hora, quero estar pronta para retribuir à vida tudo que ela me deu.


Milena tem muitas dúvidas, e escreve sobre elas aqui, toda sexta-feira.


Eu quero é alguém que me faça rir

Eu nasci azeda. Era mal humorada desde criança, e lembro da minha mãe falando, quando eu era adolescente, que não conhecia ninguém da minha idade que fosse tão estressado. Pra piorar minha situação, nasci irmã de uma pessoa que sempre foi uma palhaça que ria por tudo e por nada, e a comparação era inevitável. Embora o bom humor crônico de Laeticia não seja tão infalível quanto ela acha que é, o fato é que a maior parte do tempo ela está muitíssimo bem humorada e eu sempre fiquei ainda mais mal humorada só de olhar pra ela rindo enquanto eu, com minha natureza azeda, estava sempre à beira de um ataque de nervos.

Mas o tempo foi passando e eu fui cansando de estar sempre estressada, e fui me abrindo aos poucos pras coisas engraçadas que acontecem na vida da gente. Claro que nem sempre eu consigo manter o humor nas alturas, mas nos últimos tempos venho sendo razoavelmente bem sucedida muitas vezes, inclusive conseguindo a proeza de rir de mim mesma muitas vezes. E tem sido bem mais legal e leve dessa forma.

Uns dias atrás fiz duas viagens. Primeiro fui pra Suíça encontrar com a Mônica, uma grande amiga que eu não via fazia tempo. Entre beijos e abraços, matamos muitas saudades e falamos do tempo que moramos juntas em Viçosa, lembramos dos casos, e em pouco tempo eu já estava dando muita risada. As bobeiras que a gente faz e as coisas que acontecem com a gente nesta fase da vida são realmente muito divertidas de se lembrar, mesmo que na hora tudo aquilo pareça muito trágico. Depois de uns dias encontrei com uma pessoa que conheci na adolescência, e fazia uns bons anos também que não via. Foram dois dias às gargalhadas, dessa vez não só lembrando as histórias, mas também rindo das menores coisas, fazendo e ouvindo piadinhas, fazendo desses dois dias alguns dos mais leves e divertidos que já passei.

Depois voltei pra Portugal e nem saí do aeroporto: já embarquei com As Moçoilas, a Tuna Feminina da UBI, para os Açores, onde elas iam se apresentar num concurso de tunas. Conhecia mesmo só três das meninas, e as outras de vista, de um dia que fui ao ensaio justamente para elas me conhecerem antes da viagem. Foram três dias nos Açores de muita, muita risada mesmo. Adorei todas as meninas, adorei os dias que passamos lá e realmente valeu muito a pena.

Eu já tinha chegado a uma conclusão e esses dias divertidos e leves só serviram pra confirmar: Eu quero mesmo ao meu lado alguém que me faça rir. Uma companhia divertida faz a vida da gente ficar mais leve e gostosa de ser vivida. Já que o rosto da gente sempre leva as marcas do que a gente viveu, quero que o meu leve mais marca de sorriso do que de azedume, e se é pra juntar o útil ao agradável, quero passar a vida dando gargalhadas ao lado de um grande amor.


Sisa está pensando seriamente em lançar a campanha “Apresente-me um cara divertido”. Caso lance, as inscrições serão abertas neste blog, rs...



quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Gente sem noção

Acredito que depois do trabalho, só um edifício residencial consegue ser o maior reduto de gente sem noção. Moro no 5º andar de um prédio de 7 andares, no ap exatamente em cima de mim, mora uma família com crianças que andam de patinete dentro do apartamento e onde o homem da casa toca bateria, no andar de baixo moram mulheres em uma rep´s.

Outro dia, eu e meu marido estávamos almoçando quando o interfone tocou, uma mulher muito brava se identificou como uma das moradoras da rep’s e começou a falar para o meu marido: “Olha, eu já estou de saco cheio, ando cansada precisando dormir, vocês metem demais, quase todo dia é muito barulho, ontem a noite foi a gota d’água, pra quê fazer tanto barulho? Não agüento mais!” Meu marido começou a rir e respondeu:”Deve estar havendo algum engano, eu até gosto de fazer isso aí que a sra falou só que sem barulho, mas ontem a noite não éramos nós, porque eu extraí um dente do ciso e passei a noite a custo de analgésicos”. A mulher deve ter ficado com vergonha e desligou o interfone.

Eu fiquei muito brava, queria ir ao ap dela brigar, porque imagina se ela espalhasse essa história, as pessoas quando me encontrassem no elevador iriam afastar as criancinhas de mim, me olhariam como se eu fosse uma pervertida e pensariam: ”sua metedora!” Meu marido nem deu bola, pois afinal o máximo que pensariam dele era:”esse cara é um garanhão com uma cama bem barulhenta e uma mulher bem feliz!”

Ficamos intrigados do que poderia ser o tal barulho que a mulher se referia e nos lembramos que na noite que ela citou, nós também ouvimos bastante barulho no andar de cima, mas era o cara tocando a bateria que fazia TUM-TUM- TUMTUMTUM-TUM..., que parecia uma cama batendo na parede...

Depois de alguns dias, quando minha raiva estava quase passando, eu e meu marido deitamos para dormir e começou o mesmo barulho, quando já estávamos quase descendo pra falar com a síndica, tocou a companhia, era a mulher da rep’s de camisola e roupão de seda, ela foi entrando insinuando que nós estávamos fazendo o tal barulho, quando meu marido a chamou para ir até o quarto, lá estava eu, vestindo um pijama super comportado, deitada na cama sozinha e aquele barulhão no andar de cima! A mulher não sabia onde enfiava a cara!

Bom, resumindo, ela conversou com a síndica, que conversou com os moradores do andar de cima e o barulho até que reduziu, mas de vez em quando ainda decide atrapalhar o nosso sono. Quanto à vizinha, ela não olha mais na nossa cara.


Débora está cansada de morar em apartamento e de gente sem noção, não vê a hora de se mudar para uma casa onde não tem que dividir seu teto e as paredes, com outras pessoas que não são da sua família.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O outro lado da moeda

Fui criada por um pai muito machista, e por causa disso desde muito cedo, acho que a partir dos 12 anos virei feminista de carteirinha. Nunca consegui me enxergar naquela modelo de que mulher faz isso e homen faz aquilo. Desde cedo gostava de experimentar coisas de menino, como jogar futebol, lavar o carro, brincar de 'Jaspion'. Mas nunca fui completamente 'tomba-homem', também gostava de brincar de boneca, fazer bolo e admirar os posters do Menudo ou Dominó que minhas irmãs tinham no quarto.

Quando me casei a preocupação dobrou, porque sempre tive pavor da função 'dona de casa', não que eu não possa ajudar nos trabalhos domésticos, mas tinha pavor de que essa função fosse ser só minha. Gracas a Deus, casei com um norueguês, aqui na Noruega o feminismo chegou talvez bem antes do que no Brasil, então o meu marido já foi criado por uma mãe que era atenta para essas coisas. Desde novinho meu marido já tinha uma função na cozinha, assim como minha cunhada e cunhado também tinham. No Brasil é muito comum, infelizmente até hoje, que os meninos sejam criados completamente diferente das meninas. As meninas aprendem a cozinhar, arrumam a casa, lavam os pratos, enquanto os meninos geralmente não fazem nada dessas coisas, é triste (sei que está começando a mudar, mas ainda é assim na maioria das familias)!

Mas para mim uma coisa do feminismo que é muito importante, é que a idéia principal é que homens e mulheres tenham direitos iguais. Mas essa igualdade tem que ser dos dois lados, e não só do lado que interessa a nós mulheres. É que tem muita mulher que acha que os homens devem aprender a cozinhar e a lavar os pratos, cuidar das crianças mas elas mesmas nem pensam em aprender a trocar o pneu do carro.

Nunca gostei muito da idéia de ser 'mulher florzinha', aquela mulher fresca que precisa de um homem literalmente pra tudo. Aqui em casa a gente divide todos os afazares domésticos, quer dizer todas as 'coisas de menina'. Mas aí vem o outro lado da moeda... eu também ajudo nas 'coisas de menino' que tem que ser feitas em casa. Aqui, por exemplo, por causa da neve, todos os pneus do carro tem que ser trocados 2 vezes por ano (pneu de inverno e pneu de verão), imagina é a maior trabalheira. Então quis estar junto quando ele estava trocando, ajudando no que fosse possível e aprendendo para uma próxima vez. Também troco e instalo lâmpadas. Uma vez, iamos mudar de apartamento, mas era no mesmo prédio, do primeiro para o terceiro andar. A gente já tinha empacotado tudo mas estava só esperando aquele amigo chegar pra ajudar a carregar as coisas pesadas. Bom, como esse amigo só ia poder chegar mais tarde, a gente começou a carregar as coisas menores, o processo acabou indo rápido e de repente a gente só tinha as coisas 'pesadas', daí pensei... bom a gente pode tentar. Acabei descobrindo que uma geladeira não é uma coisa tão pesada assim, conseguimos levar até o terceiro andar sem problemas. E assim foi indo, fomos levando todas as coisas e a única coisa que eu não consegui ajudar levar foi a máquina de lavar roupas (também pudera , eu sei que os homens tem mais massa muscular do que a gente, e eu não estou querendo competir neste quesito). Outro episódio que aconteceu há um tempo atrás, foi que estávamos reformando o quintal, o caminhão com pedras que a gente tinha encomendado, não conseguia passar no portão, então eles tiveram que jogar as pedras na calçada mesmo. A gente tinha que carregar as pedras para o quintal com uma certa urgência, pois já estava começando a atrapalhar o trânsito. Meu marido e meu cunhado começaram a carregar as pedras com um carrinho de mão. E eu lá me sentindo meio inútil, até que mais uma vez tomei aquela decisão, não custa nada tentar não é? Então pensei que eu podia encher o carrinho de mão e eles podiam carregar para o quintal. Pois não é que deu super certo? Colocar as pedras no carrinho não era difícil nem pesado, e o trabalho comecou a render, acabou indo tão rápido... e eu estava lá feliz da vida. Cada vez que jogava uma pá de pedra no carrinho pensava: 'isso é que é mulher de tôpa!' . No final estava satisfeita, pois acredito muito que é assim que tem que ser, a gente tem que dar para poder receber!


Liz acredita que as mulheres tem que deixar de ser 'florzinhas' e perder o medo de experimentar as coisas de meninos. Depois de ter carregado geladeira e pedra, está convencida de que as mulheres realmente podem dominar o mundo.

“A mulher é um chuchu”

Ouvi esta frase de um conhecido. No início não entendi e pedi que ele explicasse melhor (se arrependimento matasse...). Ele me perguntou “Que gosto tem o chuchu?”, ao que respondi “Não tem gosto, por isso não gosto de chuchu” e ele então prosseguiu “Isso, chuchu não tem gosto! ‘Pega’ o da comida que estiver mais perto”.

Antes que eu pudesse manifestar minha indignação, ele continuou. Disse que a maioria das mulheres que conhecia, se o namorado fosse maratonista, começava a correr; se fosse aficionado por cinema, virava cinéfila mesmo sem gostar muito de cinema e mais, que ia do paraglider ao sedentarismo absoluto ou do pagode ao rock pesado em um piscar de olhos, bastando trocar o namorado.

Fiquei em silêncio pensando naquilo, um completo absurdo para mim, que não conheço mulheres tão influenciáveis e sem personalidade assim. Depois de me questionar se era falta de personalidade mesmo e engasgadíssima com a história do chuchu, eu resolvi sair em defesa da ala feminina.

Comecei dizendo que eu não era um chuchu, não conhecia “mulheres chuchu” e que achava que, em relacionamentos, era normal que um influenciasse um pouco o outro e que se apresentassem universos desconhecidos. No entanto, como ele era um cara muito rodado, sua amostra tinha mais diversidade que meu círculo de amizades, o que, aliás, não implicava em qualidade (vingança, parte I). Emendei repetindo as palavras que uma pessoa me disse certa vez: se o homem é a cabeça da casa, a mulher é o pescoço e pode virá-lo para onde quiser, e que, na guerra, a melhor tática é se infiltrar e conhecer detalhadamente como pensa e age o inimigo. Assim, ser um chuchu era uma maneira de se aproximar do inimigo e depois conseguir tudo que quisesse dele, deixando-o pensar que ainda está no comando.

O conhecido me olhou e disse “Desisto... Não consigo conversar com você...” (vingança, parte II).

Até a próxima!


Paula não concorda que mulheres sejam chuchus, não é fã do discurso feminista e não pensa que relacionamentos são guerras, mas para colocar no seu devido lugar um cara “marrento” e que generaliza demais, apela! Escreve novamente na próxima quarta.


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Ligando os pontos

Há uns dois anos atrás, passei uma semana em São José dos Campos, quando tive a oportunidade de aprender coisas essenciais para a minha dissertação de mestrado com um pesquisador do INPE. Não conhecia a cidade e ninguém que morasse lá. Por meio deste pesquisador, falei com uma menina muito gente fina que concordou em me “acolher” no apartamento que ela dividia com outras três meninas. Todas muito legais. Na despedida trocamos e-mails e aquele típico: “Vamos manter contato”.

Não por falta de vontade nem nada, o contato foi ficando cada vez mais esparso, até que eu guardasse uma lembrança boa de todas elas, acompanhada por algumas fotos do aniversário de uma das moradoras. Quem conhece já adivinhou: a Sisa. Para quem não conhece: Maria Cecília, idealizadora e organizadora do blog, que reuniu um grupo tão heterogêneo de mulheres aproximadas pelo ano do seu nascimento.

Nossa, tudo isso parece meio desconexo... afinal, quem diria que o meu mestrado me faria entrar neste mundo de blogueiras, falando juntamente com mulheres tão diversas, de questões do nosso dia-a-dia!

Mas acho que isso é a vida. Como li em uma transcrição de um discurso do Steve Jobs, devemos aprender a ligar os pontos, pois coisas aparentemente desconexas se encaixam em uma seqüência ordenada e sincronizada para que sejamos bem-sucedidos.

Então estava eu, pensando na minha vida: chegando aos 28, com uma filha adolescente que é meu mundo, mas também uma grande responsabilidade, amando muito meu noivo que mora em outra cidade, sem saber ainda o que vou ser quando crescer, terminando um mestrado que foi bem sacrificante, super acima do peso,... Enfim, questões existenciais sobre minha vida e para onde caminhar, onde investir, por onde começar (ou continuar) e entra em conato comigo ninguém menos que: Sisa! Convidando-me para fazer parte deste grupo privilegiado!

Como os pontos vêm se ligando! Já ri e já chorei lendo os textos deste blog, e já aprendi muitas coisas sobre mim mesma, através das experiências de cada uma das meninas! Obrigada!


Renata hoje quis aproveitar este espaço para homenagear suas companheiras blogueiras, junto às quais tem certeza de que vai ser mais fácil o caminho a trilhar.



A Cura

Férias! Sem trabalho todo o dezembro! Não consigo expressar, em palavras, meu alívio. Estou mais leve desde o último sábado. Caminhadas, corridas, passeios, rumos diferentes... é o que quero e preciso. Preciso mesmo é crer que esse tempo me ajudará a largar minha intolerância (que não está ligada à TPM, porque essa eu só ouço falar) em uma encruzilhada qualquer. Esse tempo será a cura.

Nos últimos meses (nem sei quantos) estou avessa aos gritantemente diferentes de mim. Não consigo compreender a lógica do pensamento deles, aliás, não encontro a lógica, mesmo procurando com afinco. Em alguns momentos me pergunto: quem é o E.T aqui, eu ou eles? Algum de nós está no planeta errado.

Em momento algum aprendi que a vida é fácil. Ao contrário, sempre soube que tenho de me esforçar para conseguir o que sonho e quero. Estudar (decentemente), trabalhar (com coerência e ética) e amar (à minha maneira, respeitando a maneira alheia) pode ajudar a tornar a vida menos difícil. Mas o que testemunho todos os dias é bem diferente disso. Cada vez mais as pessoas se agarram à comodidade de não pensar, não produzir e preferem usar o que está pronto, seja quem for o autor.

Admito que meu senso de humor não me permite participar de enquetes sobre programas humorísticos. Dificilmente me divirto com esse tipo de entretenimento. Mas morro de rir com textos insuperáveis do nosso blog como “Ao Mestre Splinter” e “Intolerância em Quatro Atos”. Para balancear, tenho ouvido tanta baboseira, de pessoas que riem de si mesmas (o que pode ser benéfico em muitos casos) antes mesmo de terminarem a baboseira. Estou intolerante até com algumas “cantadas” que ouvi nos últimos tempos. Prefiro o silêncio a tanta mesmice e falta de criatividade.

Enfim, estou cansada, física e mentalmente.

Conforta-me saber que algumas pessoas entendem o que sinto e sentem, como eu, que o mundo está diferente. As pessoas estão diferentes e o “Exército dos Sem Noção” ganha mais adeptos a cada dia e, pior, sem recrutamento.

Que neste período de descanso eu encontre a serenidade para conviver com o diferente e a tolerância que deve estar em algum lugar, em mim, escondida tentando se refazer dos sustos recentes.


Angélica é calma, porém está intolerante e acredita que pode superar isso com algum descanso, brigadeiros e muita fé no homem. Dedica esse texto a Marcos e Ronald, que sabem exatamente o que ela quer dizer.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Sonhos Natalinos

Sonhos literalmente são inexplicáveis, por mais que tentemos entendê-los acredito que acabamos dando o significado que gostaríamos, alguns de certa forma nos parecem mais óbvios, mas ainda assim a dúvida permanece.

Tenho sonhado muito, aliás, sempre sonhei, nas noites em que não sonho me sinto como se tivesse retornado das trevas, ou algo mais ou menos assim. Pois bem, fato é que nestas últimas semanas tenho sonhado, invariavelmente, com compras, daquelas megalomaníacas, com milhares de mulheres lutando pra escolher o mais rápido possível antes que alguém pegue, exatamente, o que você queria, e que nem sabia que queria. E essa noite não foi diferente, mais compras, blusas de frio (que eu adoro), sapatos de diversas estampas (que eu nunca havia visto), comidas, milkshakes homéricos, tudo, tudo, tudo ao mesmo tempo.

Acordei me perguntando se o furor do Natal já havia invadido minha mente, e o pior, é que a resposta foi afirmativa. Talvez esses sonhos sejam efeito das minhas duas visitas aos shoppings da cidade em busca de presentes para meus familiares, que, ainda bem resolvi rapidamente e, claro, de quebra comprei algumas coisinhas pra mim. Mas nunca ficamos realmente satisfeitos não é, sempre fica faltando àquela loja que você gosta tanto e que há meses você não vê a vitrine - como estará? – linda, lógico.

Quando percebo que estou nos meus momentos de querer gastar o que tenho e o que não tenho, me lembro de que não preciso de nada disso para ser feliz, lembro que haviam meses que não entrava nesses antros de perdição (os shoppings centres) e que, sinceramente, depois de um tempo, a gente até esquece que eles existem. É tomara que o Natal passe rápido, por que infelizmente ele ainda desperta nas pessoas suas compulsões mais do que sua idéia fundamental, o nascimento, e não quero me perder nesse turbilhão.


Silvia ficou alguns anos gastando tudo o que recebia e esse ano resolveu economizar, mas constantemente se sente lutando entre o bem e o mal, entre o fútil e o útil.

Desconforto das grandes cidades

Sempre que passo por conjuntos de prédios fico observando a dificuldade das pessoas que moram em apartamentos, ou melhor, em “apertamentos”. Moro em apartamento, e é pequeno, mas tem uma pequena área de serviço, que é extremamente útil! Na verdade, fico imaginando o desconforto com aqueles apartamentos que nem possuem área de serviço, e que as pessoas colocam suas roupas para secar dependuradas do lado de fora da janela da falsa área com taque, que na verdade é parte integrante a cozinha!

Se não fosse trágico.... Bom, não é propriamente trágico, então... Imaginem a cena do sujeito que acaba de lavar suas roupas e as coloca para secar naqueles varais presos do lado de fora do apartamento. O sujeito mora no segundo andar, ou em andares acima do segundo. Aí, quando ele acaba de colocar suas roupas para secar, uma determinada peça, mal presa, cai, e vai parar no apartamento debaixo. Imaginem que a peça é uma cueca!

Agora o pobre do sujeito, todo sem graça, desce as escadas do prédio e bate à porta do apartamento debaixo do seu. Lá mora um casal, e quem atende é o marido. O sujeito, sem saber o que dizer, se atrapalha todo e fala com o dono do apartamento que há uma coisa ali que lhe pertence. Aí, sem saber de nada, e sem a menor maldade, chega da cozinha a esposa, com a cueca do sujeito dependurada no cabo de vassoura (para não ter que pegá-la) e pergunta ao morador do apartamento de cima se aquilo era dele! Isso pode dar divórcio!

Parece um humorístico da televisão? Mas essa infeliz história não é absurda e mostra o quanto nos habituamos a viver em mínimos espaços, e sem muito conforto nas grandes cidades. Priorizamos coisas que não são importantes e abrimos mão do conforto. É certo que muita gente mal tem onde dormir, mas a cena descrita acima não se refere somente às classes menos favorecidas. Tem muita gente que prefere o status ao conforto, e vive em cubículos de luxo na zona sul! Nesse caso, só muda a marca da cueca!


Quem conhece a Tânia a descreve como uma pessoa de humor ácido e língua afiada. Essas pessoas têm razão.


domingo, 2 de dezembro de 2007

Está tudo planejado:

se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
ou se houver vento,
se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair.

(Caio Fernando Abreu)


Gosto muito de ler. Tenho a leitura como um hábito realmente diário. Decidi abrir meu diálogo hoje com esse poema, pois ele ilustra bem o meu presente. Fim de ano paira uma angústia estranha no ar... que as vezes sufoca feito gás de cozinha. Mas num dá pra jogar a toalha aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo né? É necessário acreditar que ainda restará energia pra terminar o ano, e que no final tudo vai realmente dar certo... o que resta a fazer então, quando a melancolia baixar nos dias cinzentos, é desenterrar as boas e velhas calças vermelhas (mesmo não tendo uma) e dançar (nem precisar ser rock) pra espantar a uruca!


Mariana tenta se planejar, mas quase nunca dá certo. Detesta futebol, ama música e bons poemas. Odeia luzinhas de natal e acha que mesmo quase balzaca, sair com os amigos pra sacudir o esqueleto continua sendo um bom remédio pras angústias cotidianas.


Esperança

Sabe quando as coisas parecem estar ficando cada vez mais complicadas?

Estava vendo tudo assim, meio roxo, quando num momento de relax ouvi uma música que além de me fazer relembrar tempos bem tranqüilos, conseguiu dar uma levantada no meu astral e ver o mundo um pouco mais cor-de-rosa... Afinal, a esperança é a última que morre!

Vou colocar essa letra linda aqui, e agradecer a Lulu Santos tanta inspiração!


A Cura

Existirá, em todo porto tremulará (se hasteará)
A velha bandeira da vida
Acenderá, todo farol iluminará
Uma ponta de esperança
E se virá, será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá, toda certeza vã, não sobrará
Pedra sobre pedra
Enquanto isso não nos custa insistir
Na questão do desejo, não deixar se extinguir
Desafiando de vez a noção
Na qual se crê que o inferno é aqui
Existirá
E toda raça então experimentará
Para todo o mal, a cura...


Professora de educação física e mãe em tempo integral, veterinária não atuante... Fiz trinta anos em 2006. Casada, dois filhos lindos (claro!!!! rsrs). Adoro contemplar o mundo e perceber que existe esperança, beleza, alegrias.


sábado, 1 de dezembro de 2007

Nossos silenciosos aliens de cada dia

Ontem, sonolenta, ao assistir pedaços de um dos filmes que mais gosto “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, uma das minhas cenas preferidas é a que, à mesa do jantar, o pai a pergunta como ela vai e ela seriamente responde que vai bem, o enjôo já passou depois do aborto em função do excesso de drogas (mentira, só para sondar se ele realmente prestava atenção no que ela dizia). Ele responde “há, sim, muito bem então”, comprovando sua ausência.

Hoje, ao perguntar a uma pessoa querida se ela poderia me fazer um favor, eu escutei um “infelizmente não”, ao contrário de todas as outras vezes que em que presenciei qualquer coisa sendo solicitada a ela. Seguiu-se “vou estar vinte dias em outro lugar, vou fazer uma cirurgia”.

- Cirurgia? Que tipo de cirurgia?

- Na mama, estou com câncer.

(Segundo em suspenso, dos poucos que presenciamos que dura uma eternidade).

Lembrei de Amélie ao fim do infindável instante e antes que eu percebesse que não sabia o que dizer e me incomodasse muito com isso, ela seguiu falando:

- Olha calma, não precisa se preocupar, eu estou bem. Isso acontece e eu tenho um forte histórico de câncer na família. Faço acompanhamento a cada seis meses. Em maio estava tudo bem, mas agora foi detectado um nódulo diagnosticado como maligno de 1,5 cm que deve ser retirado. Só então vou saber o que precisará ser feito, mas é provável que quimioterapia seja necessária, e eu vou mudar bastante para as pessoas que não estiverem convivendo comigo, devo perder os meus cabelos, meu semblante vai mudar, mas estou muito tranqüila e pronta para encarar este desafio. Não sei se terei merecimento para uma recompensa física por este esforço, mas na minha fé a recompensa espiritual que Deus guarda para mim é garantida e isso me basta.

Não, não fique chateada, nem preocupada - seguiu ela – eu vejo o que está acontecendo comigo como uma enorme oportunidade que Deus está me dando. Ele está me permitindo refletir sobre os meus valores, as escolhas que eu fiz até aqui e tem sido bem engraçado, pois pequenas coisas que antes tinham tanta importância de repente perderam completamente seu valor e outras, no entanto, passaram a ser únicas e imprescindíveis. Eu escolhi que não vou me descabelar por isso. Estou nas mãos do que existe de melhor da medicina e daqui para frente só posso fazer o melhor da minha parte e ter fé em Deus, que certamente está fazendo o melhor da parte Dele, tenho certeza absoluta disso, independente do resultado.

Apesar da surpresa pela revelação, não fiquei surpresa como a forma que esta pessoa está reagindo. Desde sempre ela me parece determinada, organizada, centrada e tranqüila, então, não haveria motivos para ela deixar de agir desta forma em um momento muito delicado de sua vida. Minha admiração por ela apenas cresceu ainda mais, por ver nela um exemplar íntegro de alguém que “não apenas fala correto, mas vive o que diz”. Foram as características dela que a fizeram descobrir muito cedo o pequeno alien que se formou dentro dela própria em tão pouco tempo, e são as características dela que muito provavelmente vão fazê-la passar por esta situação e sair não apenas ilesa, mas ainda mais íntegra e fortalecida de sua convicções.

O que me chocou foi a minha inércia. Eu que me considero uma pessoa muito sensível não consegui compartilhar minha sensibilidade com ela. Senti-me como o pai de Amélie Poulain, com a cabeça enfiada no chão como um avestruz.

E se fosse comigo? Há alguns meses resolvi colecionar as rolhas de vinhos que tomei e que representavam bons momentos compartilhados (com alguém ou comigo mesma). Duas rolhas no fundo de um copo, da noite para o dia, sem que eu as visse, (envolvida nos meus pequenos problemas e preocupações e escrava do tempo) provocaram praticamente a geração espontânea de quase uma centena delas. E se estas rolhas fossem algumas de minhas células descontroladas, alienígenas, que no intuito desenfreado de sobreviver acabassem causando uma pequena bagunça da qual poderia depender esta minha vida de agora, como eu iria reagir? E você?

Realmente não sei, nem ninguém sabe, mas a partir de hoje, tenho alguns novos inputs para pensar a respeito: o como eu gostaria de reagir em uma situação muito difícil e inesperda (em função do exemplo que estou tendo desta pessoa); como eu não quero mais reagir em uma situação muito difícil e inesperada (em função da paspalha insensível que fui, mesmo quando esta pessoa tocou instantaneamente muito no fundo no meu coração) e como eu quero dar mais valor para o que é belo e simples e bom, e menos valor para o que não tem valor na vida.


Gisele Lins é uma ex-futura astronauta muito grata por encontrar pessoas incríveis neste planeta. Deseja toda a fé e luz para uma destas pessoas em um momento difícil, e tem certeza de que tudo vai se sair bem. Escreve aqui aos sábados.

Menina, nem te conto!

Não há nada mais feminino do que a fofoca. (Aliás, a própria palavra é feminina!). Fico pensando se não seria um traço inerente à condição feminina. Sim, pois fofocar é coisa de mulher!

Ah, gente, vamos lá: em maior ou menor grau, quem nunca fez uma fofoquinha essa semana!? Que atire a primeira pedra, então! Conjugando, acho que fica mais ou menos assim:

Eu fofoco...
Tu fofocas...
Ele fofoca...
Nós fofocamos...
Vós fofocais...
Eles “se”...

É, porque tem que tomar cuidado. Há certas fofocas que mesmo pequenininhas podem causar um estrago enorme! E podem dar uma dor de cabeça de pegar fogo em travesseiro. Em tempo, gostaria de deixar bem claro aqui que difamação não entra no que eu chamo de fofoca. Quem difama faz uso da fofoca, mas fofoca não é difamação. É aquela comichão, aquela coceirinha que provoca a vontade de passar pra frente o que se escutou, o que se leu, o que se viu..., mas é “coisa leve”, algo sem maiores complicações a princípio.

E chega a ser engraçada a tal da fofoca. Às vezes, irresistível! Eu sei que você, leitor, pode estar achando feio tudo isso e até imaginar que eu estou fazendo uma apologia à fofoca. Ao contrário, estou sendo realista. Todo mundo, mas especialmente a mulher, fofoca. O quê? Você não sabia disso????

É claro que há homens que também fofocam. E eu vou te contar, um homem fofocando vale por uma dezena de mulheres! Engraçado falar nisso porque outro dia, um conhecido meu,...

Bom, vamos a Drummond:

Casas entre bananeiras,
Mulheres entre laranjeiras,
Pomar,
Amor,
Cantar.

Um homem vai devagar,
Um burro vai devagar,
Um cachorro vai devagar.

Devagar,
As janelas olham...
(Êta vida besta, meu Deus!)

(Cidadezinha qualquer)

Gosto muito desse poema, do ritmo, da simplicidade que ele apresenta. E ele me remete a essa questão da cidade pequena, das pessoas que vivem na janela ou sentadas na entrada da casa conversando. Conversando?! FOFOCANDO! E como fofocam... Menina, nem te conto!


Vanessa mora em uma cidade nem tão pequena, mas que possui inúmeras “janelas que olham”. Confessa-se uma leitora das revistas QUEM e CARAS, ainda que apenas em salões de beleza. (Aliás, como fofocam as mulheres nesses ambientes!).


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...