terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Com os Pés Fora do Chão (Minha Primeira Vez)

Parte 1 – O Sonho

Desde criança sonhava em voar. Sonhava mesmo, dormindo. E eu voava sozinha, como o Super-Homem. E isso me encantava tanto que quando o sonho terminava por qualquer motivo eu tentava dormir outra vez na esperança de continuar voando. E, claro, não dava certo. Cresci e continuei sonhando que eu voava. E de sonho passou a desejo. Eu queria, realmente, ser pássaro, talvez uma gaivota. Sentir-me livre, vento no rosto, longe dos congestionamentos diários de uma grande capital. Sabia que não chegaria a ser uma versão caipira-mineira do Super-Homem, mas de um jeito ou de outro eu queria muuuuuuito voar.

Parte 2 – A possibilidade real de voar

Viajei de avião em 2001. Adorei. É muito bom o tal de avião. Mas não proporcionou a sensação de liberdade que eu sempre sonhei ao voar. Para isso eu teria que voar fora do avião, entendem!?
Até pouco tempo atrás trabalhava comigo a Paulinha, mulher de 30, linda, simpática e muito divertida, enfim, ótima companhia. Ficamos amigas e descobrimos muitas coisas em comum. Eu descobri que Paula era amante do Pára-quedismo e do Mergulho. Pára-quedismo, como assim!? Já havia cogitado essa possibilidade para realizar o meu desejo de voar e me caiu do céu Paulinha. Amém! Lógico que ela me deu todos os detalhes dos dois saltos que fez e os contatos também. Aí, sim, pensei: Eu vou voar!

Parte 3 – Tudo Pronto

Com os contatos em mãos, fiz minha parte. Liguei para o Vinícius (Vinição), pára-quedista conhecido da Paulinha, conversamos e eu fiquei de retornar a ligação para marcarmos uma data para o salto duplo (que se faz com o instrutor). Queria que a Paulinha fosse comigo, afinal eu não conhecia a galera... Nesse meio tempo, contei para alguns amigos e conhecidos que eu ia saltar de pára-quedas. As reações foram as mais diversas possíveis desde “Você é louca!?” até “Que coincidência, é meu sonho!”. Depois de concluir que a agenda da Paulinha estava tão cheia quanto a do Lula, resolvi ir sozinha mesmo, no dia 08/12. Os saltos são feitos em Divinópolis, então teria que ir de carro. Dirigindo? Nem pensar! Nunca dirigi na estrada, preciso de ajuda. Convidei meu amigo-vizinho, Otávio, que sempre socorre minha mãe e eu nos casos de necessidades automotivas. E ele, prestativo, aceitou prontamente ir comigo, dirigindo. Uma semana antes comecei a investigar a previsão do tempo para Divinópolis. Quando chegou sexta-feira, véspera do salto, a previsão era de chuva para todo o sábado. Pirei! Se chover mesmo, melou meu salto... Ao mesmo tempo já vinha conversando com meu anjo da guarda durante a semana para que usasse de sua influência com São Pedro pedindo pra ele pegar leve no sábado. Sexta-feira, celular programado para despertar 6h15, figurino escolhido, ansiedade, enfim, tudo pronto.

Parte 4 – A espera

E o celular tocou. Abri os olhos e arregalei os ouvidos tentando escutar algum barulho de chuva e nada, que bom! Mas isso não diz que Divinópolis está seca. Que pena! Bem, no caminho eu rezo também. Tomei meu café, vesti minha fantasia de Super-Homem (uma blusa azul super-homem com o símbolo do bendito) perfeita para a ocasião, separei o tênis, mais uns badulaques na mochila e pé na estrada. Duas horas depois estávamos no Aeroporto de Divinópolis. Sem chuva. Encontrei, logo de cara, Vinição, o que tornou mais leve a minha chegada. Também já estava lá Sérgio (Zuza), que saltaria comigo mais tarde. Fomos até o hangar e lá começaram os preparativos para o salto. O tempo passou rápido entre esclarecimentos, brincadeiras e piadas. Chegaram também Marcelo e Marcelo. E eles saltariam também, sozinhos. Quem demorou chegar foi Eduardo (Patrão), o piloto. Sem ele, ninguém sairia do lugar. Todos a postos, caracterizados e instruídos, enfim eu voaria...

Parte 5 – O salto

O avião (PT-Key) é pequeno como todo avião usado para esse fim. Éramos seis, contando com Patrão (o único que tinha lugar marcado, rs). Sentamos (Zuza, Marcelo, Marcelo, eu e Vinição) e lá fomos nós. Saltaríamos a 10.000’ (pés) e fiquei de olho nos altímetros que os rapazes usavam pra vigiar a chegada dos pés que precisávamos. E a hora chegou! Vinição abriu a porta do avião, saiu primeiro e esperou que eu e Zuza saíssemos, afinal ele iria filmar e fotografar o salto a meu pedido. Leitores, a queda livre é inexplicável, o vento é forte e não parece uma queda, foi como plainar por alguns segundos. Segundos de liberdade, de sonho, de paz, enfim, com meus pés fora do chão. Já com o pára-quedas aberto a emoção não foi menor. A cada comando de Zuza para esquerda, direita ou frear, descobri que voar era divino, de todas as formas. Não quis que esse momento terminasse, mas... não sou super-homem nem gaivota e tinha que retornar à terra firme. Porém, minha alma agora é mais pássaro que antes, agora que sentiu o céu, o vento, a liberdade, agora que voou. Certamente voltarei ao céu, num pára-quedas, com Zuza ou Vinição, e, quem sabe, futuramente, em vôo solo. É o que quero e desejo e é o que será.

Parte 6 – Extras

Todo capítulo de novela tem bastidores interessantes, aí vão momentos impagáveis:
• Assim que entramos na cidade de Divinópolis, pedimos informação, em um posto de gasolina, de como chegar ao Aeroporto. Um frentista nos respondeu: “tem um caminho pelo Centro, mas se o sr. quiser ataiá....” custei a entender o significado de “ataiá”, afinal não freqüento cidades do interior rsrsrs.
• Logo que saí do avião, em queda livre, pirei, ri até no canto, abri a boca (involuntariamente) e... babei. Nem percebi o mico e o gentil do Vinição tentou me avisar, mas eu estava tão “dominada” que nem percebi. Espero que isso não saia nas fotos. Primeira vez é assim mesmo, sempre se derrapa em alguma curva rsrsrs.
• Perto do momento de decolarmos o sol apareceu, de leve, pra me lembrar que “meu santo é forte”.


Angélica tirou os pés do chão e saltou de pára-quedas. Fará isso mais vezes porque, lá em cima, se sentiu em casa. Agradece todos que participaram desse momento e declara: “Já sei o caminho do céu e vou voltar. Alguém se candidata a me acompanhar?”



5 comentários:

Paula disse...

Que coragem, Angel! Parabéns!!!!
Eu nunca que entro em um avião com um pára-quedas nas costas! É mais fácil chover para cima, rsrs.
Ei, sinceramente: o mais importante é realizar o SEU sonho. Ele é seu e de mais ninguém. Isso, definitivamente, não tem preço!
Beijos.

Laeticia disse...

EU ME CANDIDATO!! Deixa só eu retomar o curso da minha vida que a gente vai. Aí, pode deixar que eu vou dirigindo até Divinópolis!! Angel, você brilhou!!!

Renata disse...

PARABÉNS!!! Já tive vontade de voar também, mas ultimamente tenho precisado de mais coragem para ficar em terra firme. Mas valeu sua experiência tão bem compartilhada!
Bjs!!

Mariana disse...

eu já saltei de parapente... e o melhor: sobrevoei o mar... foi mais q incrível! tive uma decolagem problemática, fiquei pendurada de cabeça pra baixo, pensei que fosse morrer. mas depois tudo ficou bem e foi maravilhoso! beijos!

Sisa disse...

Ahhh eu não vou ser sua companheira nessa não! Tou fora! Mas prometo que quando deixar de ser tão barbeira, eu posso ser a motorista, rs... Mas por enquanto andar de carro comigo é mais perigo do que pular de pára quedas, hahahah... E cadê as fotos? As balzacas estão se coçando de curiosidade!
Beijos!

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