domingo, 21 de outubro de 2007

Anjos que passaram pela minha vida

Há pessoas que passam pela nossa vida deixando muita saudade, fazendo a gente perceber como o ser humano pode ser maravilhoso, em qualquer parte do mundo, falando qualquer língua. Há três pessoas que passaram pela minha vida e que agradeço a Deus por tê-las colocado no meu caminho, especialmente naquele momento.

Foi em 2006, quando fui fazer doutorado sanduíche em Poznan, na Polônia. Passei 10 meses lá, naquele país que me deixava tonta só de ouvir a língua deles. Foi uma experiência maravilhosa, mas com muitos momentos difíceis também. Lembro que meu primeiro pensamento quando me vi naquela cidade foi: “Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?”. Tive vontade de pegar o primeiro vôo e vir embora. Os primeiros dias foram difíceis, tinha muita saudade de tudo que deixei aqui.

Na primeira semana precisei fazer meu seguro saúde e tinha que ir a universidade pegar uma declaração de que estava estudando lá e ir ao escritório do seguro. Como fazer isso sozinha?? Impossível!!! Então meu orientador pediu que uma aluna do observatório onde eu estudava fosse comigo, e foi quando começou minha primeira amizade polonesa.

Com o passar do tempo, eu diria, rapidamente, fui ficando amiga de três alunas de lá, que se tornaram meus verdadeiros anjos da guarda. As três tem estilos totalmente diferentes, mas cada uma especial a seu modo.

A Regina foi a primeira, quem me levou para fazer o seguro e passou então a ser minha segunda voz. Coitada, ia comigo a todos os lugares onde eu precisava falar alguma coisa: banco, restaurante para ensinar o cardápio, recepção e direção do alojamento onde eu morava (onde eu tinha um problema a cada semana, rsrs), correio, etc, etc, etc. O mais incrível é que nunca, absolutamente nunca ela tinha má vontade em me ajudar ou ir a algum lugar comigo, pelo contrário, eu sempre tinha certeza de que fazia de coração. Ela também resolvia meus problemas com computador e me ensinou com toda a paciência do mundo a usar o maldito Linux, que eu não sabia nem como criar ou deletar um arquivo e precisava para rodar um programa que só podia ser executado nele. As vezes ela me ensinava alguma coisa e meia hora depois eu já tinha esquecido... não tinha problema, lá estava ela, com a maior boa vontade do mundo para me ensinar tudo de novo. Ela também almoçava comigo todos os dias para me fazer companhia, mesmo as vezes estando cansada e ainda tendo que pegar o trem para ir embora pra casa, pois ela mora na cidade vizinha. Segurou minha barra em todas as vezes que eu chorava de saudade de casa, ou que eu me irritava com alguma coisa errada ou quando eu tinha vontade de matar as recepcionistas do alojamento.

A outra é a Justyna, um doce de criatura. Demorou um pouco mais para ficarmos amigas porque ela é extremamente tímida e achava que não conseguia falar inglês muito bem. Ela é casada e o marido dela também era muito amável comigo, sempre disposto a ajudar. Nossa, fizemos muitas festas na casa deles, sempre regadas a muuuuuuuuitas garrafas de vinho e furious dog (vocês podem imaginar quão fraquinha era essa mistura). Acho que o sonho deles era me embebedar, mas nunca conseguiram, descobri o que nem eu mesma sabia: sou forte para bebidas!!!! Rsrsrs.Claro que eu ficava bem alegrinha, quase falando polonês fluentemente, mas nunca de porre. Eu tenho uma relação muito legal com a Justyna, ela conseguia me entender mesmo sem eu falar muito, bastava olhar para mim, e as vezes eu ia na sala dela só para ter um pouquinho de colo. Ela também dizia que era estranho, porque eu a entendia e a conhecia melhor do que algumas amigas polonesas. Fizemos muitos passeios juntas, viajamos e ela era a que mais gostava de me mostrar a culinária polonesa. O máximo foi quando me apresentou a cerveja quente em uma das viagens... cerveja literalmente quente, numa temperatura de uns 80 graus, com cravo... e eu tomei duas canecas de 500 ml cada. Rsrsrsrs

Meu terceiro anjo foi a Magda. Ela é fofa e com magnificos olhos azuis. Eu costumava dizer que odiava aqueles olhos azuis dela. Rs. Ela é a mais engraçada de todas, é extremamente responsável e batalhadora, mas mantém um jeitinho infantil e ingênuo que fazem dela uma criatura especial. Ela faz umas caretas para tudo e também faz uns sons estranhos que só ela consegue. Viajamos e passeamos muito juntas e foram momentos inesquecíveis.

Passados os 10 meses, meu sentimento era confuso: ao mesmo tempo que queria muito vir embora, porque a saudade era grande, também não queria sair de lá, deixar para trás aquela que passou a ser minha segunda família, sem saber se algum dia iria vê-las de novo.

Em algum momento, não sei qual de nós, passou a dizer que éramos 4 irmãs. E é isso mesmo, elas são para mim muito mais que amigas, são pessoas que passaram pela minha vida e fizeram o papel de anjos protetores. Hoje, dedico esse texto a elas e gostaria de dizer: MUITO OBRIGADA POR VOCÊS TEREM PASSADO PELA MINHA VIDA E DEIXADO RECORDAÇÕES TÃO DOCES. VOCÊS SERÃO SEMPRE MINHAS IRMÃZINHAS POLONESAS!

Elas vão ler esse texto, porque eu vou traduzir para elas...


Vivian passou 10 meses do outro lado do oceano, sem falar a língua local, sem conhecer os costumes, longe das pessoas queridas, mas nunca esteve sozinha.




Angels who passed by my life


There are people who pass by our lives and leave us missing them so much, what makes us to realize how human being can be wonderful, in any part of the world, speaking any language. There are three people who passed by my life and I thank God everyday for having put them in my way, specially in that moment.

It was in 2006, when I went to study in Poznan, Poland, as part of my doctoral research. I spent ten months there, in that country that makes me dizzy only for listening to their language. It was a wonderful experience, but also with many hard moments. I still remember my first thought when I arrived there: “My God, what am I doing here?” I felt like taking the first flight and coming back. The first days were hard, I missed a lot everything I had left back.

In the first week I needed to contract a health insurance and had to go to the University to get a declaration that I was studying there, and then go to the insurance office. How to do it by myself?? Impossible!!! So, my Professor asked a student from the Observatory where I was studying, to go with me, and in that moment it started my first Polish friendship.

As time went by, I’d say quickly, I became friend of three students there, who were my real guardian angels. The three of them are completely different, but each one of them is special in their own way.

Regina was the first one, who took me to the insurance office and then became my second voice. Poor she, she went with me to every place where I had to say something: bank, restaurant to teach me the menu, reception and direction of the hostel where I lived (and where I had a new problem every week, rs), post office, etc, etc, etc. The most amazing fact about it is that never, absolutely never, she was not willing to help me or to go somewhere with me, on the contrary, I was always sure that she was doing it with heart. She also solved my problems with computer and taught me, with all patience in the world, to use the damn Linux, for I didn’t know even how to create or delete a file, and I needed it for using a program that could only run on it. Sometimes she taught me something and half an hour later I had already forgotten… no problem, there she was, with all willing in the world to teach me everything again. She also had lunch with me everyday to be a company for me, even when she was tired and still having to catch a train to go back home, as she lives in another town. She held my hand every time I was crying for being homesick, or when I got angry with something wrong or when I felt like killing the receptionists of my hostel.

The other is Justyna, a sweet creature. It took a bit longer for us to get friends, because she is extremely shy. She is married and her husband was also very kind with me, always willing to help me. Wow, we had many parties at their home, always with maaaaaaaaaany bottles of wine and furious dog (you can imagine how light this mix was). I think their dream was to make me drunk, but they never got it. I found out something that even I didn’t know: I’m strong for drinking! Rsss Of course I used to be very happy, almost speaking Polish fluently, but never really drunk. I have a very nice relationship with Justyna, she got to understand me even when I didn’t speak much, it was enough just to look at me, and sometimes I went to her office just to get some cherish. She always said that it was weird, because I understood and knew her better than some Polish friends. We went for many walks, travelled together, and she was the one who liked more to show me the Polish cuisine. The highest point was when she introduced me to hot beer during one of the trips… literally hot beer, about 80 degrees, with clover… and I took two mugs of 500 ml each. Rsss

My third angel was Magda. She is cute, with wonderful blue eyes. I used to say I hated her blue eyes, rs. She is the funniest of them, extremely responsible and persistent, but she keeps a childish and innocent way of being that makes her a special creature. She makes funny faces for everything and also some weird sounds that only she can do. We travelled and walked around many times together and those were unforgettable moments.

After 10 months, my feeling was confused: at the same time I wanted to come back, because I was missing home so much, I also didn’t want to leave behind those people who turned into my second family, without knowing if I would see them again.

At some moment, I don’t know which of us, started to say that we were like four sisters. And that’s it, they are for me much more than friends, they are people who passed by my life and acted as protecting angels. Today, I offer this post for them, and I would like to say: DZIEKUJE BARDZO FOR HAVING PASSED BY MY LIFE AND LEFT SUCH A SWEET MEMORIES. YOU WILL ALWAYS BE MY POLISH LITTLE SISTERS.


Vivian spent 10 months across the ocean, without speaking the local language, without knowing the local costumes, far away from beloved ones, but she was never alone.



8 comentários:

Regina disse...

Meu amigo, vives tão longe de mim
Mas pareces estar tão perto em muitas maneiras
Nossas horas são tão diferentes
Quando é noite aí, é dia cá

Mas isso não parará a nossa amizade
Ou arruinar a nossa rotina diária
Ou tu contando para mim como o teu dia foi
E contando-me os teus sonhos

Pois a distância não pode separar
Os sentimentos de amigos que são queridos
E não importa o quão longe podes estar
De certa forma, sempre estarás perto.

Magdalena disse...

Well ... I don't know what to say because I feel like a small devil, not like a angel rsss
One thing is very important that you also passed me live and you are still doing this!
I've learned from you so many things ... The most important is that we shouldn't hide our feelings ...
And we should be more opened for other person!
THANKS A LOT FOR THIS LECTURES :))

I'm sending kisses and HUGE HUG* for my Brazilian Sister!

Magdusia

* it's also what I've learned ... we (I mean people, over the World)
should often hug somebody!

Justyna disse...

Muito Obrigada for this beautiful post, for Your friendship and for this time which You spent in Poland. I've learned that in any part of the world people are exactly the same. We have the same feelings, dreams and problems.
One correction: Our dream wasn't to make you drunk but make you happy and relax. (Sometimes we were really worried about You.) In my opinion one time You were really drunk – after “Russian champagne”. Rsssss

Greetings to all my sisters' friends.
(Our friends' friends are our friends too.)
Justyna

Angel disse...

Que delícia o seu texto Vivian! Acho essecial deixarmos claro às pessoas que são importantes pra nós o quanto as amamos e somos felizes por tê-las por perto, nem que seja perto do coração.
Parabéns por tão bela amizade!
Congratulations for so beautiful friendship!
Bjos!

Sisa disse...

Essa tradução tá meio estranha... quem fez? Eu diria que pelo menos umas três pessoas deram palpite nela, hahahahha...
Eu sei o que você sente. Já deixei pessoas assim pra trás e em menos de 3 meses estarei deixando de novo... Dói.
Texto lindo. Adorei ter participado dele de certa forma. Precisando, estamos aí. Bj

Paula disse...

Oi Vivian!
Este seu texto está muito lindo mesmo! E muito chique também escrito em dois idiomas! Como já te falei outro dia, preserve estas pessoas tão especiais, pois são seu verdadeiro tesouro!!! E lembre-se: amizade verdadeira, não há distância que desfaça; este é um dos maiores vínculos que podemos estabelecer na vida!
Beijos.

Laeticia disse...

Já passei por isso e o que eu acho é que se dói na gente, acaba doendo muito mais em quem fica pra trás :-) Manter contato ajuda a curar a ferida que se abre e mantem acesa a esperança de voltar um dia.

I´ve had the same experience and what I´ve learnt is that it hurts much more on those who we leave than in ourselves :-) Keep in touch helps to cure the hurt and keeps the hope to be back one day.

Anônimo disse...

Vivian,
Fico feliz que voce tenha gostado da estadia. Definitivamente voce e um anjo que passa pela vida das pessoas, e merece encontar outras colegas de trabalho pela vida afora... Estou seguro que sua missao de anjo nesse planeta sera cumprida com sucesso... bjs.

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