sexta-feira, 12 de outubro de 2007

“Se dei” bem

Esta semana eu queria aproveitar a onda das meninas que falaram de infância e falar também, na verdade já tinha até um texto meio pronto, mas resolvi falar de outra coisa que tem ocupado minha cabeça recentemente.

Indo direto ao ponto: ODEIO GENTE QUE TENTA SE DAR BEM EM TUDO! Pior, se é aquela pessoa que tenta se dar bem desviando milhões, pelo menos você pode falar que este espírito de porco dela serviu pra dar um upgrade significativo nas condições materiais dela. O que me enoja mesmo é aquela pessoa que tenta se dar bem nas coisas pequenas. Sabe por quê? Porque neste caso, o que faz diferença não foi o que ela obteve, e sim o espírito de querer sempre se dar bem, ainda que o resultado não faça a menor diferença na sua vida.

O exemplo mais recente pra mim terminou anteontem. Minha orientadora organizou um Workshop super legal, com palestrantes da nossa área (espaço) de vários países, inclusive Brasil. Recebeu verbas suficiente pra poder organizar todo o evento sem cobrar um euro de inscrição de ninguém. A ESA (European Space Agency) apoiou o evento, que aconteceu praticamente de sala vazia. Sim, na sala habitualmente estavam os palestrantes, alunos que alguns deles trouxeram, pessoas de uma empresa interessada, em algumas tinha alguns alunos. Realidade completamente diferente dos oitenta ou noventa comprovantes de participação que eu e minha amiga imprimimos a duras penas, brigando com a impressora e com o photoshop. Eu imagino os alunos rindo, falando “Não apareci em nenhuma palestra e tenho certificado!” Que vantajão, hein? Será que este certificado vai fazer alguma diferença na hora de conseguir emprego? Digo, será que alguém vai dar emprego a um engenheiro recém formado porque durante três dias ele supostamente assistiu palestras de vários pós doutores? Porque pra quem não é da área, este tipo de palestra serve mesmo é pra pessoa ver as tendências tecnológicas em vários institutos e saber se gosta da área. Aprender mesmo a fazer alguma coisa, bastante improvável. Quem é da área ainda pode aproveitar uma ou outra idéia no seu próprio trabalho, conversar com o colega e quem sabe começar uma colaboração.

Mas ainda mais irritante do que isso foi uma pessoa que sumiu durante três dias, mesmo sabendo do Workshop, mesmo sabendo que lá estavam antigos colegas de trabalho que gostariam de vê-lo, e mesmo assim só apareceu durante o último coffee break (nem um minuto antes, não ficou nem um minuto depois) pra mendigar a entrada no jantar de encerramento e me colocando em uma saia justa. Mas melhor nem comentar antes que a dormência no meu braço esquerdo volte.

Aí fico lembrando de várias outras situações. Lembro de uma vez que fomos, um grupo grande, a Campos do Jordão. Resolvemos tomar uma caneca de chocolate quente, e um colega foi o único a optar por copo pequeno. Mas o lugar estava lotado, de forma que a moça confundiu os pedidos e entregou a ele um copo grande. E ele ficou com um sorriso nos lábios, perguntando a todo mundo quanto pagou e esfregando na nossa cara que tinha economizado OITENTA CENTAVOS às custas da distração e correria da atendente.

Aí vocês devem estar perguntando porque essas coisas me irritam tanto. É porque eu acho que é este tipo de pessoa que, tendo oportunidade, assume o lugar do (por exemplo, podia ser muitas outras pessoas, só veio este caso na cabeça) irmão do Lula, vendendo influência em Brasília por 2 mil reais. Ou seja, é esse tipo de gente que, por uma ninharia digna de mendicância, tendo algo maior nas mãos coloca a vida de muita gente na lama, sem se importar com as consequências, sempre com um sorriso nos lábios e falando: “ ‘Se dei’ bem”.


Sisa está amarga.

7 comentários:

Tania disse...

Ciça,

Concordo com você. Essa "Lei de Gerson" é um porre! E é em todo lugar. Tive brigas terríves na faculdade por causa de pessoas assim, e que ainda pisavam em quem quer que fosse para conseguirem se dar bem! É dose!

Angel disse...

Sisa, mais uma vez temos um ponto em comum. Esse tipo de pessoa que quer se dar bem em tudo chega a embrulhar o meu estômago. Tem tanta "falta de..." diretamente ligada a esse comportamento: falta de educação, falta de respeito, falta de vergonha na cara, falta de cidadania, enfim tanta coisa negativa concentrada em quem se comporta dessa forma... Mas ainda acredito que somos mais felizes do que eles. Honestidade não tem preço. Bjos.

Paula disse...

A famigerada frase "O mundo é dos espertos" me enoja! Concordo plenamente com o que você escreveu!
Eu me orgulho de cada conquista e de cada derrota que coleciono em minha vida; e sabe por quê? Porque não vale a pena vender a alma por oitenta centavos, um jantar de encerramento de um congresso ou milhões de reais.
Cecília, você tem um grande caráter, menina! E um talento enorme para escrever!
Beijos.

Louise disse...

Também tenho pavor desse tipo de atitude, odeio o tal rótulo "jeitinho brasileiro", isso só faz denegrir nossa imagem, e dá a impressão de que temos o governo que merecemos, afinal, roubar é roubar, trapacear é trapacear, seja por 1 real ou por 1 milhão...
O pior é que a maioria das pessoas que conheço não são assim, mas levamos fama por alguns ordinários que acham que estão se dando bem, mas que naverdade só perdem com isso.
Parabéns pelo texto Sisa, bjo!

Milena disse...

Coisa feia mesmo...
Tô ainda pra escrever um texto "Irritando Milena", mas fico tão irritada quando penso nas coisas que me irritam que ainda não tive coragem...

Gisele Lins disse...

É Sisa, eu também estaria amarga. "Se dei bem" é das coisas que mais me tiram do sério e quando algum espertinho se dá mal é das que mais me deixam contente, docinha...
Ignoremos os medíocres, eles não merecem nem nossa atenção, nem nosso azedume!
Um abraço!

Carollinna disse...

Pois é. Eu também detesto isso. E vivo "se dando" mal por causa dos espertos que me rodeiam ( tá bem, eu sou meio anta também) que , isso falando do meu mundinho particular.
Quanto ao Brasil, depois do Capitão Nascimento, tou na maior esperança de que comece a melhorar.
Vai que ele se transfere prá Brasilia, já é um começo.
Mas fico satisfeita de saber que as minhas crias são suficientemente conscientes prá não
estimular e ainda combater esse tipo de conduta.
Ainda tenho fé no ser humano.

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